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2ª Marcha da Mulheres Indígenas é realizada em Brasília

O evento deste ano levou o tema “Mulheres originárias: reflorestando mentes para a cura da terra”.

11/09/2021 16h31
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Tapajós de Fato
Tapajós de Fato

Desde o dia 05 de setembro, delegações de mulheres indígenas  chegaram em Brasília com o objetivo de unir suas culturas, seus aprendizados e seus talentos para mostrar a todos que lugar de mulher indígena é onde ela quiser.

A 2ª Marcha das Mulheres Indígenas foi de realização da Articulação  dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) juntamente com a Associação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). A programação da marcha contou com vários debates e apresentações culturais de grupos de todo o Brasil, que aproveitaram a oportunidade para se conhecerem e alinharem seus pensamentos e se apoiarem mesmo após o fim do acampamento.

Maria Pataxó, do povo Pataxó conversou com o Tapajós de Fato sobre essa união: “esse acampamento tem servido para que nós, mulheres indígenas, possamos nos unir mais e nos posicionar mais, porque se a gente não lutar pela nossa terra, quem vai lutar? E aqui serviu também para que a chama da militância ardesse mais forte nas mulheres e nas jovens que estavam precisavam se reavivar”.

A programação contava também com um ato nas principais vias da cidade de Brasília no dia 08, porém, devido a ameaças de bolsonaristas que vieram a Brasília para uma manifestação no dia 7 de setembro, o ato não correu. Durante os dias que os seguidores de Bolsonaro estiveram em Brasília, o terror tomou conta do acampamento indígena, devido a ameaças de invasão e violência contra os povos presentes.

Essa situação fez com que o ato entrasse em discussão pela organização do evento para decidir se aconteceria ou não. Após cada delegação se reunir entre si e depois com a organização do acampamento, foi decidido que haveria o ato no dia 10 de setembro.

O dia da Marcha 

Às 6h do dia 10 já se ouvia por todo o acampamento cantos e rituais de preparação feitos pelas guerreiras para que, com a benção de seus ancestrais, pudessem ir à marcha com suas proteções. Às 8h, todas as delegações de mulheres já estavam prontas com suas faixas e suas palavras de ordem. Um trio seguia a caminhada com lideranças de povos que subiam a fim de se posicionarem contra o governo atual e contra órgãos como a Funai, que tem a responsabilidade de defender o direito dos indígenas, mas que negligenciam no seu papel.

Puxando a marcha estavam as mulheres do povo Kayapó, um povo que ainda vive isolado das cidades e que faz uso da sua língua nativa, e, por isso, são um símbolo de resistência e luta. Assim como as mulheres do povo Xokleng, povo muito ameaçado pela PL 490, que tem seu território em risco de ser tirado.

E, à frente de um dos pelotões, com um boneco que simbolizava o presidente Bolsonaro, estava Sonia Guajajara, grande liderança indígena figura de inspiração para muitas outras guerreiras na luta pelo direito à vida e ao território. Ela foi uma das organizadoras do acampamento e está à frente da ANMIGA, e, está na linha de frente dos povos indígenas do Brasil. Em conversa com o Tapajós de Fato, Sonia falou sobre todo esforço colocado para que esse acampamento acontecesse, “esse evento foi fruto de uma mobilização feita pelos povos indígenas de todo o Brasil, cada delegação, de cada Bioma, Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pantanal, e cada mulher em todos os departamentos se empenhou ao máximo para que pudéssemos lutar aqui em Brasília, o centro político do Brasil”.

A caminhada foi até a Praça do Índio, lugar de homenagem a Galdino pataxó, indígena que morreu em Brasília por causa do ódio presente nas pessoas contra aqueles que são os verdadeiros donos dessa terra. O povo pataxó fez uma roda em frente à estátua em sua homenagem, e fizeram um ritual em lembrança dele e em luto por todo sofrimento que assola os povos indígenas no Brasil.

Partindo da praça, todos voltaram ao acampamento para continuarem as programações na plenária e finalizaram a caminhada.

 

À noite, apresentações culturais foram realizadas por vários grupos, incluindo o coletivo Suraras do Tapajós, que tocou carimbó e animou toda a plenária fazendo as pessoas se encantarem com a cultura indígena paraense. A noite cultural encerrou a 2º Marcha das Mulheres Indígenas  que a partir do dia 11 começaram a organizar suas delegações para voltarem aos seus lares.

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