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Amazônia Garimpo Ilegal

Podcast do WWF-Brasil fala sobre os bastidores e os problemas gerados pelo garimpo ilegal

A série de podcasts, que faz parte da campanha Chagas do Garimpo, busca informar as pessoas sobre os problemas da extração de minérios

15/09/2021 21h30
Por: Tapajós de Fato

Episódios do podcast “Um Rio que Mudou de Cor”

 

“A série de podcasts ‘Um Rio que Mudou de Cor’... fala muito sobre o rio Tapajós e... faz parte de uma campanha um pouco maior, que é a campanha Chagas do Garimpo. A campanha Chagas do Garimpo, ela é uma realização conjunta do WWF-Brasil, da Plataforma Cipó, do Instituto Kabu e do Iepé, que é o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena... e a ideia da Chagas do Garimpo é que as pessoas consigam compreender que... a exploração do minério, da maneira como ela tem sido feita, ela é insustentável, ela é insalubre, ela destrói não apenas o meio ambiente, mas também está destruindo a saúde das pessoas, e essa campanha convida todos, todas e todes a se informarem com frequência sobre essa temática e acompanharem alguns projetos de lei que estão no Congresso, que podem mexer com... a dinâmica da exploração de minério, principalmente na Amazônia, e dentro desse contexto da Chagas do Garimpo, que é essa campanha maior, vem essa série de podcasts ‘Um Rio que Mudou de Cor’”. É assim que Karina Yamamoto, gerente de comunicação do WWF-Brasil descreve o podcast “Um Rio que Mudou de Cor”, iniciativa da organização da sociedade civil brasileira, apartidária e sem fins lucrativos, que trabalha em defesa da vida, e cujo propósito é mudar a atual trajetória de degradação socioambiental. O podcast é apresentado por Priscila Tapajowara, direto de Santarém, no oeste do Pará, e conta com depoimentos de indígenas, procuradores, garimpeiros, ativistas e especialistas.

 

Os episódios do podcast do WWF, que foram publicados semanalmente, a partir de 22 de junho deste ano, mostram os bastidores e os problemas gerados pelo garimpo ilegal. Esses problemas incluem doenças endêmicas e aliciamento de indígenas, a presença de redes de prostituição, a contaminação do rio e a violência. Em cada episódio, os sujeitos mais afetados por tais mazelas foram ouvidos, a exemplo da indígena Maial Payakan, do povo Kayapó, que é advogada e mestranda em direito pela UFPA e de Maria Leusa, liderança que vive na Terra Indígena Munduruku, na beira do tapajós.

 

Além disso, cada episódio aborda um subtema relacionado à questão do garimpo, como o Projeto de Lei 191, de 2020, que regulamenta a exploração de recursos minerais, hídricos e orgânicos em reservas indígenas e que, embora tenha sido apresentado em 2020, é a tentativa de realização de um antigo desejo de garimpeiros e empresários de olho nas riquezas encravadas nas terras indígenas. Também é possível acompanhar como o garimpo se modernizou, sendo utilizadas, atualmente, máquinas modernas, com um poder de destruição muito maior, como dragas e retroescavadeiras. 

 

As marcas deixadas pelo garimpo Ilegal

 

O impacto mais visível dos garimpos da Bacia do Tapajós é a presença da lama e do mercúrio nos rios. Os garimpos despejam, no mínimo, por ano, cerca de 7 toneladas de lama no rio. O excesso dessa lama reduz a visibilidade na água e compromete a biodiversidade aquática: nem todos os peixes se adaptam à água barrenta, então as aldeias e demais comunidades tradicionais sentem diretamente a diminuição da oferta de pescado. A sujeira do garimpo afoga o próprio rio, impedindo-o de respirar. Além disso, um estudo feito pela WWF-Brasil e por universidades brasileiras mostra a alta contaminação por mercúrio nas populações indígenas. Além da água contaminada, o pescado, principal fonte de proteína dos indígenas, também contribui para esse problema, fazendo surgir uma cadeia de contaminação.

 

Uma outra consequência do garimpo são os conflitos com populações locais. Maria Leusa, liderança que vive na Terra Indígena Munduruku, na beira do tapajós, é ameaçada de morte, já teve sua casa queimada por garimpeiros, e teme em ir e vir para sua aldeia. Ela precisou, inclusive, sair de Jacareacanga por conta de toda a violência e ameaça que sua família sofre. 

 

Por fim, não há registro oficial de quantas pessoas morreram trabalhando na Serra Pelada, mas quedas de escadas, soterramento, deslizamento de barranco e sacos com barro mataram muitas pessoas. Os garimpeiros são sempre submetidos a condições desumanas de trabalho. 

 

A política e o garimpo

 

O presidente Jair Bolsonaro defende, desde sua campanha em 2018, a flexibilização do garimpo em territórios indígenas e áreas protegidas, bem como o ex-ministro Ricardo Salles. Além deles, muitos deputados são favoráveis ao garimpo, porque possuem negócios obscuros na região. O diretor da Agência Nacional de Mineração, por exemplo, visitou Itaituba e liberou novas áreas para lavra de garimpo. Uma nota técnica do Ministério de Minas e Energia é apresentada, recomendando a revisão de um parecer da AGU que, atualmente, proíbe a mineração em florestas nacionais, deixando claro que defende os interesses dos garimpeiros do tapajós. A tramitação de projetos de lei como o PL 191 já dá a sensação de caminhos abertos para os exploradores. Nos últimos anos, o garimpo já degradou uma grande parcela da TI Munduruku. Há um fortalecimento das atividades garimpeiras e um enfraquecimento das instituições que deveriam proteger os indígenas e a natureza. Por conta disso, “está tendo sangue indígena derramado, a gente está pedindo socorro, mas ninguém está ouvindo”, afirma Alessandra Munduruku.

 

Nesse sentido, Karina Yamamoto deixa clara a intenção do podcast do WWF-Brasil: “a ideia é que se as pessoas souberem o que pode acontecer diante dessa exploração de minério, elas vão compreender que a gente precisa encontrar outras soluções de sobrevivência e de subsistência... então a ideia é que as pessoas consigam compreender a dimensão não só ambiental, mas principalmente humana dessas feridas que são abertas na floresta por conta desse tipo de atividade”.

 

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