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Reportagem Especial Da Luta Não Fujo

Da Luta não Fujo: Saiba quem é Darlon dos Santos, jovem liderança do PAE Lago Grande

“Eu senti a necessidade de participar dos movimentos para que eu pudesse me ligar mais no que ‘tava’ acontecendo de fato com as narrativas dos movimentos sociais”.

17/09/2021 10h21
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Da Luta não Fujo: Saiba quem é Darlon dos Santos, jovem liderança do PAE Lago Grande

Jovem e cheio de vontade de fazer a diferença em sua região, Darlon Neres dos Santos é o personagem desta edição da série Da Luta não Fujo. Com apenas 20 anos de idade, ele já faz parte de diversos movimentos sociais no Tapajós: Movimento Tapajós Vivo (MTV), Guardiões do Bem Viver, Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Casa NINJA Amazônia. Darlon concedeu entrevista ao Tapajós de Fato e mostrou porquê, tão cedo, já representa uma liderança dentro desses grupos.

Quem te ensinou a lutar?

Nascido e criado no território do Lago Grande, na comunidade Cabeceira do Marco, Darlon dos Santos perdeu a mãe aos 4 anos de idade, e já não tinha o pai por perto. Seus avós maternos o adotaram, então, e ele cresceu junto com os tios, que considera irmãos. Além dessas pessoas, Darlon compartilha laços de sangue apenas com uma irmã, da parte de seu pai, com quem ele afirma ter ligação.

Assim, aos 10 anos de idade, sua avó, a quem ele se refere como mãe, já o levava para reuniões da associação comunitária: A minha mãe já participava de associação aqui da comunidade, e ela sempre me levava pras reuniões, e eu sempre gostei das reuniões. Podia ser da comunidade ou da escola, eu tava lá, eu gostava muito de participar”. Isso contribuiu para despertar a consciência política no pequeno Darlon.

Ao mesmo tempo, a escola, que ele frequentou no próprio Lago Grande, ofereceu-lhe consciência ambiental: “quando eu estudava no ensino fundamental, a gente sempre tinha disciplina de Estudos Amazônicos, né, e assim, eu, de alguma forma, gostava muito de estudar sobre a Amazônia, a floresta, a biodiversidade, e a gente tinha uma professora que sempre dizia: ‘olha, é preciso que vocês lutem pela Amazônia porque até 2030... nós corremos o risco de perder a Amazônia’”. 

Dessa forma, sempre em contato com a história e a realidade daquele lugar, primeiro por meio da família e da escola, e depois junto aos movimentos sociais, Darlon assumiu a luta e, desde então, vem defendendo o território.

Então... eu vou à luta!

Mais, uma vez, a escola teve papel fundamental no estímulo de Darlon para ir à luta: “quando chegou no Ensino Médio já, a gente teve uma outra professora... de história... e sempre ela dizia ‘olha, é, Darlon, tu tem capacidade de fazer esse discurso dentro daqui das comunidades e desenvolver o que tá dentro de ti, [o que] tu sabe sobre o território, sobre a Amazônia”.  

Nessa época, então, aos 15 anos, Darlon passou a participar das ações da associação de sua comunidade e conheceu os movimentos, através de uma grande assembleia. Esse evento, ocorrido na região do Lago Grande, tratava dos conflitos da mineração em Juruti. O debate comoveu o jovem, que entendeu que precisava se mobilizar e participar dos movimentos “para que eu pudesse aprender mais, para que eu pudesse me ligar mais no que tava acontecendo de fato com as... narrativas dos movimentos sociais”, conta ele”.

Lutar sempre, onde eu puder

Partindo dessa trajetória, Darlon passou a militar ativamente nos movimentos sociais da região. No final do ano de 2019, uniu-se ao Movimento Tapajós Vivo, que conheceu através da Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba do Lago Grande (Feagle). A Federação o indicou para participar de uma manifestação e, após isso, fez um chamamento para quem pudesse contribuir com o coletivo, chamamento a que Darlon atendeu.

Hoje em dia, o jovem faz parte do coletivo de jovens Guardiões do Bem Viver, que atua na defesa do território. Além disso, Darlon é militante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, um movimento que abre um debate sobre o problema da mineração e seus impactos no país. Mais recentemente, Darlon se uniu ao grupo de comunicação Casa NINJA Amazônia, que faz uso da comunicação para defender o território, mostrando o que está acontecendo na Amazônia.

Lutando com as próprias pernas

Atualmente, Darlon está principiando um cyber em sua casa. Lá, ele realiza serviços de impressão e digitação. Além disso, o jovem cursa uma graduação em Pedagogia. Ele explicou, de forma espontânea, o porquê de ter escolhido essa formação: “então porque eu escolhi Pedagogia? Porque acredito que a educação transforma. Isso pra dentro do meu território, seria um momento também de eu levar pra sala de aula a pauta sobre o que está acontecendo na Amazônia e dentro do nosso território, do PAE Lago Grande”.

Quando questionado sobre seu sonho para a região do Lago Grande, Darlon responde: “Meu sonho é que tenhamos políticas públicas para a juventude, para as mulheres e para a classe trabalhadora dessa região. E que possamos ter um território onde as pessoas tenham soberania sobre ele”.

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