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Prefeito de Santarém, Nélio Aguiar, incentiva o consumo de peixes proibidos no decreto 995

Em vídeo que circula nas redes sociais, Nélio aparece comendo tambaqui e afirma: “não tenha medo de comer peixe”.

17/09/2021 13h56
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato

A Doença de Haff, conhecida como “Doença da Urina Preta”, apresentou casos, mais uma vez, neste ano, no Brasil. Aqui na região, o primeiro caso foi descoberto com a morte do mototaxista Genivaldo Cardoso de Azevedo, de 55 anos. Desde então, as autoridades vêm tomando providências para evitar a ocorrência de novos casos, principalmente tendo em vista que o pescado – através do qual a doença é transmitida – é a base alimentar da população local.

 

Diversos órgãos ligados ao tema se uniram para traçar estratégias de combate à Doença de Haff: Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Tecnologia (Semdec), Vigilância Sanitária, Colônia de Pescadores Z-20, Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Movimento dos Pescadores e Pescadoras do Baixo Amazonas (Mopebam). 

 

Uma das medidas adotadas pela Prefeitura de Santarém foi a publicação do Decreto Nº 995, de 10 de setembro de 2021. O documento dispõe em seu Art. 1º que “fica proibida, temporariamente, enquanto for recomendado pelas autoridades de saúde pública, a comercialização e o consumo de pescados da espécie tambaqui (colossoma macropomum), pacu (piaractus mesopotamicus) e pirapitinga (piaractus brachypomus), que tenham como origem o Estado do Amazonas, como medida preventiva para conter a ocorrência da Doença de Haff no Município”. A motivação da proibição são os mais de 40 casos registrados no estado vizinho. 

 

Descumprimento por parte do Executivo Municipal

Apesar da validade do Decreto 995, um vídeo que circula nas redes sociais vem gerando incômodo e insegurança. Nele, o chefe do Executivo Municipal, prefeito Nélio Aguiar aparece ao lado do vereador Jandeilson Pereira, na Feira do Pescado, em um almoço cujo prato é peixe. O responsável pela gravação pergunta ao vereador: “que isso aí, é pacu ou pirapitinga?”, ao que Jandeilson responde que é pirapitinga. Em seguida, Nélio diz: “ó... uma saborosa costela de tambaqui assado. Uma delícia. Não tenha medo de comer peixe. Peixe é bom”. 

 

Considerando que já há casos da Doença da Urina Preta em Santarém, e que as espécies que a transmitem e que, inclusive, estão proibidas no Decreto Municipal, são pacu, pirapitinga e tambaqui, a postura do prefeito, em especial, ao incentivar o consumo desses peixes, está sendo malvista. 

 

Ainda, é importante ressaltar o papel de Nélio Aguiar como médico. Nesse sentido, seria sensato oferecer outras alternativas de auxílio aos trabalhadores da Feira do Pescado, que não sejam o consumo de espécies possivelmente contaminadas, caso esse tenha sido seu intuito. Porém, em outros momentos, o prefeito já havia agido de fora semelhante, com descaso em relação a problemas de saúde pública. Exemplo disso é sua fala no início da pandemia de COVID-19: Por isso que, no início das nossas medidas, no lugar de fecharmos o comércio, optamos em alterar o horário do comércio entre 9 às 15 horas. Nesse horário o sol está mais quente, em tese teríamos a redução do risco de contaminação pelo coronavírus”. Outra situação em que a atitude de Nélio foi contra o bem comum foi na manifestação dos moradores da comunidade Perema, onde o lixão a céu aberto causou problemas, e o médico usou inclusive da força policial para fazer cessar o movimento.

 

Doença de Haff ou “Doença da Urina Preta”

 

A doença de Haff é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes e crustáceos, e foi descoberta em 1924. A substância não altera cheiro nem gosto das espécies, mas gera danos no sistema muscular e em órgãos como rins. Ela se constitui em um tipo de rabdomiólise, síndrome que gera a destruição de fibras musculares esqueléticas, e libera elementos de dentro das fibras no sangue.

 

No Brasil, houve um surto de 27 casos de doença de Haff durante 4 meses no norte do estado do Amazonas, em 2008. Além disso, um único caso ocorreu na região amazônica em 2013. Entre os peixes da região que podem transmitir a enfermidade, estão o tambaqui, o pacu e a pirapitinga. Isso acontece quando o peixe não é guardado e acondicionado de maneira adequada. Por isso, o ideal é não consumir pescados cuja origem, transporte ou armazenamento sejam desconhecidos. 

 

 

Os sintomas, em geral, se apresentam entre 2h e 24h após o consumo de peixes portadores da toxina e incluem rigidez e dores musculares, dor torácica, dificuldade para respirar, dormência, perda de força em todo o corpo e urina cor de café, pois o rim tenta limpar as impurezas, o que causa uma lesão na musculatura. A hidratação é fundamental nas horas seguintes ao aparecimento dos sintomas, uma vez que assim é possível diminuir a concentração da toxina no sangue, favorecendo sua eliminação através da urina. Nos casos graves, pode ser necessário fazer hemodiálise. Ao sentir dores musculares e apresentar urina escura após o consumo de peixes ou crustáceos, deve-se procurar imediatamente uma unidade de saúde.

 

 

 

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