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FASE Amazônia promoveu formação sobre Novas Masculinidades no PAE Lago Grande

Programa de formação tem como objetivo combater a desigualdade de gênero e a violência doméstica.

01/10/2021 21h27
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
FASE Amazônia promoveu formação sobre Novas Masculinidades no PAE Lago Grande

Na última semana, nos dias 20 e 21 de setembro, foi realizado um encontro de formação, de iniciativa da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE). O público-alvo constituiu-se de homens residentes de 12 comunidades do PAE Lago Grande: São Mariano, São Geraldo, Vila Brasil, Murui, Soledade, Terra Preta dos Vianas, Santana, Membeca, Castanhalzinho, Cabeceira do Ouro, Retiro e Bom Futuro. 

 

Os responsáveis pelas atividades promovidas foram os educadores populares da FASE. Yuri Rodrigues, que é um dos educadores que atuou na formação do Lago Grande, falou ao Tapajós de Fato sobre esse evento: “a gente utiliza a educação popular como uma forma de buscar a justiça e a igualdade na nossa sociedade. Então, a gente... tem como principal aspecto [para] tentar repassar essas questões através da educação popular”.

 

Além de Yuri, participaram da formação, como educadores, Jaime Mende, Samis Vieira, e Serginaldo Viana, que são de Santarém, Rodrigo Rafael, da FASE Pernambuco e Lourenço Bezerra, de Belém.  

 

O tema

 

A ideia de trabalhar o tema “Novas Masculinidades” na região do PAE Lago Grande partiu de uma demanda interna das mulheres educadoras da FASE. Isso porque a Federação desenvolve trabalhos em quatro linhas temáticas principais: Direito à Cidade, Agroecologia e Soberania Alimentar, Justiça Socioambiental e Direitos das Mulheres. Cada uma dessas causas sempre possibilitava discussões com o posicionamento de todos, independentemente do gênero. 

 

Porém, observou-se que a pauta sobre direitos das mulheres sempre gerava uma abstenção do público masculino, o que gerou a cobrança, por parte das mulheres, para que houvesse também o posicionamento dos homens sobre esse tema. Assim, formou-se o coletivo de homens “Novas Masculinidades”, dentro da própria Federação, através do qual foi criada uma agenda de discussão a respeito dos direitos femininos. 

 

Com isso, os educadores da FASE, em especial a educadora Sara Pereira, entenderam que “não tinha como lutar e combater essas violências e a desigualdade de gênero só a partir das mulheres, porque as mulheres vão pra esses encontros, se fortalecem, entendem a posição delas na sociedade... só que... quando elas retornavam pra casa, elas retornavam pra um ambiente de violência, então não era responsabilidade só das mulheres o combate a essa situação, mas sim, também, dos homens”, diz Yuri Rodrigues.

 

Dessa forma, os educadores da FASE, membros do coletivo Novas Masculinidades, foram convidados e motivados a estender a discussão, por meio de encontros formativos, para as comunidades do PAE Lago Grande. Isso foi realizado, também, paralelamente a uma formação sobre Agroecologia, desenvolvida na sede da Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande – Feagle, na comunidade Murui, e que tinha como público-alvo as mulheres do PAE. 

 

Atividades da formação

 

A equipe da FASE que já atua dentro do PAE Lago Grande e que já conhece o território passou a mobilizar e convidar os homens dessas comunidades, em particular, os esposos das mulheres participantes da formação sobre Agroecologia. O convite foi feito através da ida em cada comunidade e nele não foi explicitado, inicialmente, que a temática seria a masculinidade; foi dito apenas que seria uma formação para os homens. 

 

As atividades propostas durante a formação sobre Novas Masculinidades envolveram:

  • Debate sobre “O que é ser homem”? Quais os papeis do homem na sociedade hoje? Você acha que esse papeis são diferentes dos papeis das mulheres? Divisão de trabalho entre o homem e a mulher;

  • Roda de conversa sobre a trajetória pessoal das lideranças sobre a saúde do homem (exame de rotina, exame de próstata, higiene pessoal, troca de cueca, higiene bucal, DST, camisinha, bebida alcoólica, tabagismo, drogas ilícitas);

  • Mapeamento dos serviços básicos (CAPS, CTA, UBS e agentes comunitários de saúde);

  • Apresentação do filme “O silêncio do homem”, que, segundo Yuri Santana, “levanta todas essas questões sobre sexualidade, sobre os papeis do homem, como é a trajetória até se formar uma pessoa adulta...”.

 

A metodologia das atividades foi pensada considerando que, no público-alvo, ainda se nota o conservadorismo. Assim, segundo Yuri Rodrigues: “essa discussão, de forma muito direta... poderia ter um recuo, uma negação dos próprios comunitários. Então... seria interessante a gente constituir uma metodologia que partisse da saúde do homem. Então foi o ponto central a questão da saúde do homem, pra que a gente pudesse estar tocando em assuntos referentes a essa questão do machismo, essa questão das violências, dos comportamentos e da posição que os homens da comunidade tinham em casa, com suas mulheres, com seus filhos, como que essa própria reprodução do machismo tinha reflexos na saúde”.

 

Resultados 

 

Os resultados estão sendo observados pela Fundação a partir de uma sistematização dos dados levantados junto às comunidades. Houve também uma relatoria acerca do contato entre os educadores e os comunitários. Yuri afirmou sobre as observações: “a gente ainda tá entendendo, né, é a primeira formação, a primeira experiência com essa discussão dentro do território, então são resultados... bem preliminares assim, né, pra gente entender de que maneira também a gente pode abordar essa discussão em outras comunidades”. O programa de formação Novas Masculinidades divide-se em dois módulos: o primeiro foi realizado em setembro, e o segundo será realizado em outubro.

 

O educador Jaime Mende, que participou do primeiro módulo da formação falou sobre a importância dos encontros: “a importância do curso Novas Masculinidades, que aconteceu no PAE Lago Grande, na comunidade de Murui, foi de suma importância para que nós homens possa ver verdadeiramente a importância da saúde do homem e qual o verdadeiro papel do homem na sociedade em geral... e o mais interessante é que cada homem que participou do encontro falou sobre os temas debatidos e se colocou à disposição pra dar continuidade no curso com novos temas para que possam estar dialogando com suas próprias famílias, grupos de amigos, e até mesmo com grupos nas comunidades que eles residem”.

 

Para o educador Samis Vieira, “as mulheres desempenham um papel central na sociedade... e na maioria das vezes, o que nós percebemos é que o trabalho das mulheres é e invisibilizado pelo machismo e pelo patriarcado. Diante disso, nós, educadores homens, sempre fomos provocados pelas mulheres educadoras da nossa entidade para uma mudança de postura, para uma mudança de percepção e para uma mudança de mentalidade, pois o machismo, ele mata, o machismo fere, o machismo humilha e vem reprimindo as mulheres todos os dias... o combate ao machismo, ele não é uma discussão somente das mulheres. Não, ele também é uma discussão que começa por nós homens, na nossa mudança de comportamento”.

 

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