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Amazônia Pecuária

Impactos da pecuária: Amazônia sofre com a grilagem e o desmatamento

Dados do IBGE apontam que 41,6% do rebanho bovino do Brasil concentram-se na Amazônia.

14/10/2021 18h43
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Impactos da pecuária: Amazônia sofre com a grilagem e o desmatamento

Desde a segunda metade do século XX, houve um incentivo do próprio governo federal para atividades de pecuária na Amazônia. Em 1970, foi lançada a campanha “Toque sua boiada para  o maior campo do mundo”. Ainda no período da Ditadura Militar, no processo de ocupação da Amazônia, tinha-se o lema "Integrar para não entregar”, segundo o qual se prometia que quem migrasse para a Amazônia teria facilidade para comprar terras públicas. No entanto, os benefícios não são tão grandes assim.

 

Dados  do IBGE de 2019 apontam que 41,6% do rebanho bovino do Brasil concentram-se na Amazônia. O município paraense de São Félix do Xingu já liderou o ranking dos municípios brasileiros  criadores de bovinos. Como consequência, segundo o Mapbioma, a Amazônia tem 52,9 milhões de hectares em pastos, cerca de 10% da área total - isso corresponde a uma área maior que a Alemanha. A plataforma aponta ainda que, de 1985 até 2018, 41,9 hectares de florestas foram convertidos em área de pastagem para gado. Isso significa que 88% das áreas de pecuária foram feitas em áreas de mata nativa.

 

Além disso, é exercida na Amazônia a prática comum da grilagem: ocupação ilegal de terras públicas, para a qual se faz documentos falsos parecerem verdadeiros. Os grileiros tomam posse de uma terra a que não têm direito, legalmente, e justificam seu interesse nessa terra com a intenção inicial. Porém, o que acontece na prática, é o desmatamento, também ilegal dessa área, a venda da madeira para madeireiras ilegais e, posteriormente, a comercialização do terreno. Isso gera mais lucro para os grileiros e para o comprador que, então, exerce a pecuária.

 

A grilagem é um procedimento antigo, realizado ainda hoje devido à ineficiência estatal, pois o governo ainda não implementou um registro único de terras ou ao menos um cadastro específico para as grandes propriedades. Quanto ao desmatamento, em 2012, foi aprovado pelo governo federal o novo Código Florestal, onde ficou estabelecido que os donos de propriedade só podem desmatar até 20% de sua área para destinar a alguma atividade, e que 80% deve ser preservado. O governo também anistiou os produtores que desmataram mais de 20% de sua área até 2008, mas a partir da aprovação do novo Código, quem descumpre a regra, sofre as punições. 

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