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Reportagem Especial 15 de utubro

Dia do professor: O profissional que dedica toda uma vida para o protagonismo de seus alunos

Ser professor é, no Brasil, um ato de resistência, é uma figura essencial para a sociedade, mas é pouco valorizada.

15/10/2021 18h16
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Dia do professor: O profissional que dedica toda uma vida para o protagonismo de seus alunos

O Dia 15  de outubro, Dia do professor, é resultado da luta de uma mulher negra , filha de ex-escravos, que acreditava que a educação é o caminho para o futuro. Antonieta de Barros (1901-1952), a primeira mulher negra a ser eleita no país, instituiu o marco para que os educadores passassem a ser vistos como importantes agentes de mudanças na sociedade. Pela Lei nº 145, de 12 de outubro de 1948, Antonieta criou o Dia do Professor e o feriado escolar em Santa Catarina. Vinte anos depois, em outubro de 1963, o então presidente João Goulart tornou a lei nacional.

Ser professor é, no Brasil, um ato de resistência dos que acreditam na educação como ferramenta transformadora para um mundo melhor. Todos os dias, professoras e  professores saem de suas casas, pegam ônibus, trem, carro, moto, bicicleta, bascos, rabeta e até mesmo caminham para chegar até as escolas e ensinar os alunos.

 

O Tapajós de Fato entrevistou Sylvia Castro, Mestre em Ciência Política, professora da rede estadual de educação e pré-vestibular, leciona as disciplinas de Sociologia e Filosofia no Ensino Básico e Tecnológico. Silvia conta o que significa para ela  ser professora.  "Ser professor, para mim, é ser um condutor, alguém que para auxiliar na passagem de um estado, que antes era um estado de não saber, para um estado de construção do conhecimento”. 

 

Sylvia fala que, como o professor é um condutor no processo do conhecimento, “protagonista do aprendizado é o próprio aluno, através da internalização dos conteúdos ministrados na escola e associação com as experimentações do seu cotidiano, com a sua realidade circundante, enfim, para formar um sujeito pensante”.

 

Por mais que haja um esforço grandioso, o professor não pode está nessa nessa luta sozinho, é preciso que tenha o envolvimento de família e da comunidade no processo de construção do conhecimento. Contudo, a escola é a instituição que faz total diferença para o sucesso do processo de educação. Sylvia acredita que “A escola tem esse papel de ser formadora de sujeitos pensantes e os professores são os provocadores desse processo, são as pessoas que vão está dando as primeiras pistas do caminho que você tem que seguir,mas quem segue o caminho é cada aluno”.

 

Um desafio chamado Pandemia

 

Com o avanço da pandemia de Covid-19 as aulas presenciais precisaram ser trocadas por uma plataforma online, onde o único contato possível (com os alunos que tinham acesso à internet) se dava  por meio do computador ou celular. Sylvia compartilha um pouco do desafio que ela e seus colegas tiveram que enfrentar para continuar dando assistência para seus alunos. "A gente não estava  acostumado a lidar com tanta demanda tecnológica e informática básica mesmo. A gente não é formado para isso e não tinha essa necessidade, muitos profissionais até nunca tiveram contato com computador e tiveram que mexer em planilha no excel extremamente complicadas, plataformas digitais, aprender a baixar conteúdos,a gravar conteúdos, virar meio que um apresentador  daquele conteúdo. A gente era professor em sala de aula e  vira como se fosse um apresentador de um conteúdo específico na web.

 

A sociedade julgando

 

A triste realidade de que os profissionais da educação são desvalorizado tanto pelos governos quanto pela sociedade, infelizmente, não é novidade, porém, mesmo com tanta dedicação para  trabalhar em um formato totalmente inédito as críticas e os julgamentos e o pensamento atrasado de que a educação é responsabilidade apenas do professor, ou que só se aprende dentro da sala foram falas recorrentes que os profissionais ouviram “a sociedade também julgando os profissionais da educação por não ter retornado às aulas antes, sendo que não é uma responsabilidade do profissional da educação, é uma questão sanitária.  Somente agora, no segundo semestre de 2021 é que a gente está tendo a possibilidade de ter vacina, para uma boa parte da população não tinha, e voce colocar  um profissional numa sala de aula com média de 35 e 40 alunos,  em uma ambiente fechado”,  é uma situação complicada, pontua professora Sylvia.

 

O trabalho mal remunerado

 

cortes, retiradas de direitos ou atraso no pagamento são tristes realidades que quem escolhe ser professor passa no Brasil. “É uma questão extremamente complicada, a gente tá com déficit de pagamento do nosso piso salarial desde 2016... categoria  está extremamente desvalorizada do ponto de vista de salarial e agora sofre uma uma forma de pressão do governo com como se fosse uma retaliação mesmo por ter perdido na justiça. resolve desvincular as gratificações do salário base do piso da educação. Ele dá o piso mas tira um direito que já era nosso, quando a gente for se aposentar, essas gratificações que deveriam ser cumulativas, já não vão mais ser. A gente perde a longo prazo, a gente perde enquanto direito adquirido, e a gente perde enquanto valorização desse profissional, porque o profissional que trabalha com o salário defasado certamente não trabalha feliz ,certamente ele já trabalhou decepcionado, desapontado e desestimulado até então nós temos aí essa essa questão do Governo do Estado.” Disse Sylvia em relação a atual situação dos professores da rede estadual do Pará.

 

A volta às aulas presenciais

 

Apesar de considerar importante a volta das aulas presenciais, Sylva conta  os “alunos  que já relataram em diversas falas que eles não gostam do ensino à distância, eles preferem estar no ensino presencial, que se sente mais à vontade para  falar, para discutir com a gente. Então tem toda essa questão emocional até de você ter a proximidade com seus colegas eles estão bem, descontraídos em sala de aula, sorrindo muito. Dá para você perceber que são pessoas que estão com necessidade de socialização. o ser humano precisa socializar, faz parte da nossa natureza esse ponto de vista é muito importante, o retorno às aulas,mas a gente tem que ter todos os cuidados e ter em vista que o objetivo é aprendizagem. Não que vire um surto por exemplo dessa outra variante aí que tá presente na sociedade que já chegou aqui em Santarém”.  

 

Por mais valorização da classe

 

“É uma função importante na sociedade, se não fosse o processo educacional promovido desde a infância a gente não chegaria a fase de profissionalização, ao acesso à universidade, e não teria o preparo necessário para desenvolver tantas profissões que a gente tem hoje em dia disponíveis aí na nossa sociedade.O professor  é uma figura essencial para a sociedade, pena que pouco valorizada”. Esta é a forma como a professora Sylvia Castro finaliza a entrevista.

 

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