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Dia Internacional das Mulheres Rurais: desafios enfrentados pelas mulheres na busca por espaços de destaque no meio rural

A data, que provoca a reflexão sobre o papel da mulher no campo, foi instituída pela ONU em 1995.

16/10/2021 11h37
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Dia Internacional das Mulheres Rurais: desafios enfrentados pelas mulheres na busca por espaços de destaque no meio rural

No dia de ontem (15), foi celebrado o Dia Internacional das Mulheres Rurais. Essa data faz refletir o papel das mulheres no meio rural, onde ainda lutam por seu protagonismo. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontam que elas constituem 40% da mão de obra agrícola nos países em desenvolvimento – caso do Brasil.

 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou dados do Censo Agropecuário de 2017. Até aquele ano, 947 mil mulheres – quase 1 milhão – eram responsáveis por gerir propriedades rurais, sendo que 12% desse total encontrava-se na região Norte. Assim, juntas, elas estariam à frente de cerca de 30 milhões de hectares, apenas 8,5% da área total ocupada pelos estabelecimentos rurais no país. Além disso, as mulheres detêm apenas 19% das propriedades rurais, enquanto os homens são donos de 81%. 

 

Os estudos apontaram também que apenas 9,6% das mulheres obtêm informações técnicas através de reuniões técnicas ou seminários; entre os homens, a porcentagem é de 14,3%. Com relação à participação em atividades associativas, como cooperativas, apenas 5,3% são cooperadas, enquanto 12,8% dos homens participam de algum tipo de associação.

 

O papel das mulheres na representação dos trabalhadores rurais

 

Aldemara Ferreira, que hoje assume a presidência do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) do município de Alenquer, relatou ao Tapajós de Fato: “a gente tem um desafio de ir além do trabalho na produção, porque no trabalho sindical, enquanto sindicalista, você precisa se debruçar, passar a conhecer várias coisas, a dominar determinados assuntos, que muitas vezes, a gente não recebe informação nenhuma, às vezes nunca nem tinha ouvido falar, então é bastante desafiador”.

 

Aldemara é agricultora, mãe de 5 filhos, e afirmou também que, apesar de as mulheres serem maioria no movimento sindical, o histórico feminino à frente dos sindicatos ainda não é uma realidade: "A gente tem avançado aos poucos, mas o desafio é muito maior do que quando é um homem. As pessoas olham de forma diferente, por conta do seu posicionamento, por conta daquilo que você defende. Muitas falas vêm de encontro, no sentido de intimidar... a gente enfrenta isso nos debates junto aos órgãos públicos, quando a gente vai reivindicar os direitos... mas também nós, enquanto mulheres, já demonstramos que nós temos coragem pra enfrentar esses desafios, pra enfrentar essa realidade, que ainda está longe do horizonte ideal que a gente sonha nessa questão do reconhecimento”. 

 

A contribuição feminina na produção rural

É importante frisar que a agricultura familiar é a principal responsável pela produção dos alimentos consumidos pela população brasileira, e é exercida por pequenos produtores rurais, povos e comunidades tradicionais, assentados da reforma agrária, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores. 

Na agricultura familiar, a gestão da propriedade é compartilhada pela família e, portanto, também pela mulher. Nesse sentido, as características particularmente femininas são fundamentais, em especial no sentido da organização, do planejamento futuro e do cuidado com os pequenos detalhes no manejo da lavoura.

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