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A agroecologia como instrumento para o combate à fome

O dia 16 de outubro foi escolhido como o Dia Mundial da Alimentação devido à criação da FAO.

17/10/2021 11h12
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
A agroecologia como instrumento para o combate à fome

No dia de ontem (16), comemorou-se o Dia Mundial da Alimentação. A data relembra a criação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em 1945. Trata-se de uma data ideal para buscar meios de erradicar a fome e a pobreza. Desde a década de 70, a FAO realiza em diversos países debates com o objetivo de divulgar novas medidas de combate à fome no mundo.

Apesar de a alimentação saudável com qualidade e quantidade suficientes garantir maior qualidade de vida e dignidade e fazer parte do direito à vida de todo cidadão, cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo, segundo a FAO. No Brasil, país em desenvolvimento, a crise econômica foi agravada pela pandemia, fazendo com que quase 20 milhões de brasileiros passem 24 horas ou mais sem ter o que comer.

Mesmo com a diversidade climática e das tecnologias presentes no setor alimentício brasileiro, que possibilita a produção de variados alimentos, em dezembro de 2020, 55% da população do país sofria com insegurança alimentar. Dados fazem parte do estudo “Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil” da Rede Pessan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional). Isso acontece devido à desigualdade social, que impede a maior parte das famílias brasileiras de realizar sequer uma refeição completa por dia.

Agroecologia vs. fome

 

Agroecologia é uma forma de agricultura sustentável que engloba questões sociais, políticas, culturais, ambientais e éticas, incluindo a agricultura familiar. É também definida como a união entre os saberes populares, o conhecimento dos povos tradicionais e a ciência, que promove a interação de sistemas agrícolas com o meio ambiente, com foco não apenas econômico, mas também social, ambiental e sustentável.

 

Keyse Oliveira, engenheira agrônoma e membra da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Santarém (AMTR), falou ao Tapajós de Fato sobre a importância da agroecologia no combate à fome: “eu vejo a agroecologia como a principal alternativa no combate à insegurança alimentar, que após o golpe de 2016 e a pandemia de 2020 se agravou ainda mais. Um problema que não é novo, mas que a gente sabe que tem solução. Em 2014, o Brasil saiu do mapa da fome, no governo do PT. Como se conseguiu isso? Através de políticas públicas, com incentivo ao pequeno produtor e agricultor familiar, que é de fato quem alimenta o povo, porque a monocultura não produz alimento, produz commodities que concentram ainda mais a renda nas mãos dos ricos. A agroecologia, além de promover a sociobiodiversidade, gera emprego e renda pra quem precisa, gera alimento saudável na mesa das famílias, gera a preservação da natureza, gera conservação das tradições dos nossos povos originários, e acima de tudo gera dignidade para o brasileiro que hoje está na fila do osso”.

 

Samis Vieira, educador popular da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), falou sobre como as formações promovidas pela organização acerca da Agroecologia contribuem para o entendimento e o combate à fome: “a agroecologia é uma estratégia de resistência e reprodução social de comunidades e povos tradicionais na Amazônia... estimulando a diversificação produtiva, o uso sustentável do solo, a garantia da segurança alimentar. [Porém], práticas e saberes ancestrais vêm sendo substituídas pelas práticas convencionais, a partir do uso de fertilizantes, agrotóxicos, mecanização agrícola e sementes geneticamente modificadas. Diante disso, a FASE sempre busca relacionar, nos processos de formação, a questão alimentar, a luta por reforma agrária e a garantia dos direitos territoriais e a promoção da agroecologia... [por meio do] trabalho com educação popular, dialogando com o conhecimento tradicional, baseada na integração de cursos de capacitação, assessoria técnica mensal, intercâmbios entre agricultores e agricultoras, e a implantação de iniciativas agroecológicas”.

 

É importante frisar que, para combater a fome, a FAO prevê a necessidade de aumentar a produção alimentícia em 70%, a fim de alimentar os cerca de 2,3 bilhões de pessoas a mais que haverá no mundo até 2050.

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