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Amazônia Mudanças climáticas

Entenda a relação entre as mudanças climáticas e a seca nos rios da Amazônia

Nos últimos 20 anos, a hidrologia da bacia Amazônica passou por grandes contrastes, apresentando grandes enchentes e secas severas.

18/10/2021 13h49
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Entenda a relação entre as mudanças climáticas e a seca nos rios da Amazônia

Nos últimos anos, a hidrologia da Bacia Amazônica passou por grandes contrastes, com anos úmidos e secos com relação à chuva. Basta lembrar, por exemplo, das grandes enchentes ocorridas em 2009, 2012, 2014 e 2015. Por outro lado, 2005 e 2010 foram caracterizados por secas severas.

 A seca de 2005, em especial, foi causada pelo atraso da chegada da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), atribuído a um aquecimento anormal da superfície do Oceano Atlântico, de acordo com alguns pesquisadores.

Para entender esses fenômenos, é necessário saber a distinção entre clima e tempo: tempo se refere ao estado da atmosfera em dado momento. Por exemplo, se faz sol durante a manhã ou se chove durante a noite. O clima, por outro lado, é um estado mais permanente da atmosfera: na Amazônia, por exemplo, o clima é equatorial quente e úmido.

Considerando esses conceitos, as mudanças climáticas podem ser entendidas como uma alteração nos padrões climáticos de período prolongado (anos, décadas, séculos), independentemente da causa. No contexto da política ambiental, o termo mudanças climáticas quase tornou-se sinônimo de aquecimento global antropogênico – causado pelo homem. A mudança climática é causada por fatores como variações na radiação solar recebida pela Terra e erupções vulcânicas. Certas atividades humanas também são identificadas como importantes causas de alterações climáticas recentes, muitas vezes chamadas apenas de aquecimento global. Essas alterações são provocadas por variações nas forçantes climáticas – mudanças impostas no balanço de energia planetário, que causa uma mudança no sistema climático global.

 Impactos das mudanças climáticas na Amazônia

 O professor doutor em Física, Rodrigo da Silva, líder do Grupo de Pesquisa em Biogeofísica da Região Amazônica e Modelagem Ambiental – Grupo BRAMA-UFOPA, concedeu entrevista ao Tapajós de Fato, explicando a relação entre as mudanças climáticas e as cheias ou secas nos rios da Bacia Amazônica.

Segundo o professor, “não existe uma correlação direta entre períodos sucessivos de cheia e de seca ou vice-versa. O motivo é que os forçantes que controlam esses dois períodos são altamente variáveis a cada ano. Basicamente, o que controla o nível de uma cheia na bacia Amazônica são as chuvas nas cabeceiras e ao longo dos principais afluentes do Rio Amazonas. As cabeceiras destes afluentes, em média, estão localizadas a mais de mil quilômetros de distância do ponto onde despejam suas águas no Rio Amazonas. Desta forma, diferentes sistemas atmosféricos podem controlar as precipitações nessas diferentes regiões”.

 Ao professor, foi perguntado o que se pode esperar do comportamento dos rios amazônicos nos próximos períodos. Ele respondeu: “Observamos nos últimos 20 anos, que a hidrologia da bacia Amazônica passou por grandes contrastes, tendo anos úmidos e secos em termos de chuva. Grandes enchentes ocorreram durante 2009, 2012, 2014 e 2015. Em contraste, 2005 e 2010 foram caracterizados por secas severas. A seca de 2005 foi causada pelo atraso da chegada da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical), sendo que esse atraso é atribuído a um aquecimento anormal da superfície do Oceano Atlântico, de acordo com alguns pesquisadores. Já neste ano, a forçante maior da cheia é do ENOS, pelo La Niña, que gera maior precipitação na porção leste da Amazônia. Isso pode explicar a cheia grande e também a vazante lenta que observamos nesse ano”.

É importante destacar que estas constantes variações nas chuvas e no fluxo de água levantam graves preocupações ambientais e agrícolas. Assim, as autoridades locais precisam melhorar sua avaliação sobre as secas e inundações e sobre seu impacto na economia e nos ecossistemas da região.

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