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Amazônia Opinião

Desigualdade Social: Um breve paradoxo entre o antes e o hoje

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18/10/2021 14h18
Por: Johnson Portela
Desigualdade Social: Um breve paradoxo entre o antes e o hoje

Não há como falar de desigualdade em nossa sociedade sem fazer alguma analogia ao passado, é com a história que vamos entender as etapas que se deram tal processo inerente à transformação do do ser humano “animal” até o ser das “luzes”. Muitos filósofos trataram desse assunto, então nada que eu diga aqui será novo ou de alguma maneira vai ferir os grandes pensadores de outrora. Mas está na hora de adentrar de vez no assunto proposto.

 

No início, não havia nada que nos diferenciava dos outros animais na natureza. O tempo passou e foi imposto a necessidade de vivermos em bando para melhor sobrevivência de nossa espécie, como diz Rousseau (1989, P. 86): “O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas bastantes simples para o acreditar, foi o fundador da sociedade civil”. Nessa passagem fica evidente que a exploração do trabalho como também a origem das desigualdades sociais se deu pela concepção da ideia de propriedade privada, do individualismo, dada inicialmente pelo mais forte (por várias condições, tais como: política, bens de troca, geografia e outros..) ao mais fraco, que se torna oprimido. Neste ponto cria-se a gênese da distinção entre os seres humanos e que se aplica nos dias atuais, com mais força ainda na América Latina e África.

 

Segundo, Marx e Engels (2007):

 Nas primeiras épocas da história encontramos quase por toda parte uma organização completa de sociedade em classes distintas, uma hierarquia variada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores feudais, vassalos, mestres de corporação, companheiros e servos e, ainda, em cada classe, uma hierarquia peculiar. A sociedade burguesa moderna, surgindo das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Nada mais fez do que substituir as antigas por novas classes, por novas condições novas formas de lutas (MARX; ENGELS, 2007, p. 54).

 

Assim, as áreas no mapa de uma grande metrópole brasileira já são repartidas em zonas, é em sua essência subdivisões geográficas entre as regiões que vivem os ricos e os pobres; este último vive-se nas chamadas “favelas”; no passado esses espaços nas encostas dos morros foram a única saída depois da “libertação dos escravos”, deixados à própria sorte e sem escolhas de terras, ficaram com as piores e mais arriscadas áreas. 

 

Atualmente isso não mudou em nada; se vê hoje a mídia tentando influenciar paradigmas para uma aceitação de sua condição da pobreza, normalizando os problemas sociais existentes no isolamento que o Estado faz de forma estruturada criando esses espaços sem políticas públicas.

 

Em outro ponto usa a miséria como instrumento humorístico para desconstruir o conceito que lá, mesmo vivendo sem condições mínimas podem-se ter pontos positivos e inclusive se manter economicamente vendendo sua imagem como um “novo turismo” de degradação social, a tal ponto de romantizar à saúde do brasileiro que vive abaixo do saneamento básico, possuindo uma força para enfrentar o Covid-19, 600 mil mortes depois, a inverdade continua, mesmo sem procurar quantas crianças, adultos e idosos morreram pela ausência mínima de água potável.  

 

Com essas falácias midiáticas, ou melhor de fake news o Estado usa a velha política do “pão e circo”, nesse caso mais circo do que pão, driblando o povo da mais pobre, criando os “Mitos” de nossa sociedade, um deles é o do racismo, igualdade de gênero, homofobia, transfobia e outros. 

Uma criança nascida pobre dentro da favela carrega os: Estereótipos, estigmas e preconceitos mesmo iniciando seu desenvolvimento físico-cognitivo, já carrega o fardo da desigualdade; ele cresce ouvindo sua limitação se enfurece quando vê que sua cor, vestir e onde mora influencia em tudo na sua vida, ele se sente deslocado na sociedade, inicialmente não entende o porquê disso. É revoltante dizer que em pleno século XXI, isso exista e faça parte da vida de muitas pessoas. Enfim, as conjunturas dessas desigualdades sociais fazem com que muitos adolescentes caiam no mundo violência, sofrendo e fazendo o ciclo da violência acontecer, deixa claro que são vítimas de um sistema excludente que rotula a sua própria espécie humana, classifica e desclassifica de acordo com sua vontade financeira.

Há um conto criado na antiga Grécia mitológica, fazendo-se um rápido resumo da história da Caixa de Pandora: onde os deuses do olimpo arquitetaram um plano para disseminar o mal na raça dos homens, assim, colocaram desgraças nessa caixa, que por curiosidade foi aberta por Pandora, de dentro saiu: a Morte, Doenças, Guerras, Fome e etc..., por medo Pandora fechou a caixa antes que saísse à ESPERENÇA, única dádiva ali presente. 

Fazendo-se uma analogia a nossa vida que está cheia de males sociais de todos os nomes e tipos; precisamos abrir a “caixa de Pandora” novamente, mas precisamos da chave e esse instrumento encontra-se a nosso alcance é a EDUCAÇÃO, com ela há ESPERENÇA. Mesmo parecendo meio utópico, contudo, a mudança pode começar conosco, pela participação política e cobrança do governo, é um grande começo, pois, será a saída da passividade perante as mazelas sociais, sendo a quebra de um muro invisível que foi construído sem sabermos por nossa sociedade (Estado e Capital) controladora de um senso-comum.

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