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Saúde Mudanças Climáticas

Mudanças climáticas e desastres naturais, entenda a relação

Entre os anos de 1979 e 2019, houveram em torno de 2.309 desastres naturais nessa região, que causaram aproximadamente 510.204 mortes somente na América Latina.

21/10/2021 10h08 Atualizada há 1 mês
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Leonardo Milano
Leonardo Milano

  

 

 

Em 2020, foi realizada uma pesquisa pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) que registrou mais de 510 mil mortes nos últimos 50 anos por desastres naturais relacionados às mudanças climáticas na América Latina.

 

Entre os anos de 1979 e 2019, houveram em torno de 2.309 desastres naturais nessa região, que causaram aproximadamente 510.204 mortes, e afetaram um total de 297 milhões de pessoas, além de causarem danos de US $437 bilhões.

 

Esses dados são do livro "A emergência das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe: seguimos aguardando a catástrofe ou agimos?".O livro descreve a América Latina e o Caribe como "uma região extremamente vulnerável às mudanças climáticas, devido à dependência de atividades altamente sensíveis ao clima, à sua baixa capacidade de adaptação e a sua exposição a vários fenômenos hidrometeorológicos extremos".

 

Porém, cada ação causada em um lugar do planeta terra, trará complicações em outros lugares, e isso acontece porque quando o equilíbrio natural das coisas e perturbado, graves consequências são geradas.

 

O Tapajós de Fato conversou com o economista Fábio J. Ferraz, que falou sobre o aumento dos desastres naturais, e suas consequências nas mudanças climáticas. Fábio relata que de acordo com o último relatório de avaliação do IPCC, as mudanças climáticas estão sendo sentidas cada vez mais frequentemente e com maior intensidade o que quer dizer que cada região da Terra vem sendo mais ou menos impactada e, a menos que haja reduções de emissões de gases de efeito estufa (GEE) imediatas, rápidas e em grande escala, essas mudanças podem atingir proporções inimagináveis.

 

Ou seja, as mudanças climáticas já são, infelizmente, uma realidade que impacta diretamente o bem viver social, e seus impactos estão se generalizando e cabe ao ser humano, por um lado, dosar o grau de aquecimento futuro diminuindo o padrão de emissões de gases de efeito-estufa, e por outro lado se precaver dos riscos de desastres que as mudanças atuais já impõem.

 

Para Fábio, vários exemplos desses riscos podem ser observados, como o ciclo da água que tem se intensificado com chuvas e inundações acentuadas associadas a secas em outras regiões. A elevação contínua do nível do mar ao longo do século XXI tem impactado diversas regiões costeiras. O aquecimento, a acidificação e a queda de oxigenação nos oceanos estão afetando a saúde de corais, plânctons e todas as cadeias ecológicas deles dependentes. Nas cidades, os impactos são de toda sorte de acordo com as condições geográficas e de falta de infraestrutura. Olhando para os últimos anos, pode ser notado o aumento da magnitude de incêndios, inundações, secas e tempestades e o número de comunidades e vidas humanas afetadas.

 

Apesar de muitos outros cientistas questionarem a causa do aquecimento global, não há dúvida que parte dele é causada pelo homem por conta das diversas atividades que liberam carbono e outros gases na atmosfera que aumentam o efeito-estufa. E o contínuo avanço das indústrias e outras formas de liberação dos gases em todo o mundo durante todo esse tempo, aceleraram as mudanças climáticas e agravaram os desastres no mundo.

 

Mas, ao se pensar na possibilidade de redução desses danos causados por desastres naturais e em como trabalhar nessa redução, Fábio conclui que “as ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas depende de diminuir a geração de gases de efeito-estufa, o que significa modificarmos os padrões de produção e consumo em nível mundial mas principalmente nos EUA e China. E  também no Brasil, uma vez que somos o sexto maior gerador de GEE por conta, principalmente de desmatamento, queimadas e pecuária.”

 

Por outro lado, o ser humano precisa se adaptar e precaver de maiores desastres como aumento da temperatura, maiores níveis de cheias, secas e incêndios, e organizações como o Movimento Social que trabalha diretamente na luta contra essa realidade assustadora é de grande importância para que o planeta consiga ser salvo para as futuras gerações.

 

 

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