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Rio Amazonas apresenta alterações resultadas de mudanças climáticas

Alterações vêm sendo registradas nos últimos anos e passam a afetar as populações que dependem do rio Amazonas.

21/10/2021 16h06
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Rio Amazonas apresenta alterações resultadas de mudanças climáticas

Nos últimos anos, a Bacia Amazônica tem apresentado contrastes nos índices de chuvas, com anos úmidos e secos. A exemplo disso, houveram grandes enchentes em 2009, 2012, 2014 e 2015, ao passo que, em 2005 e 2010 ocorreram secas severas. Esse comportamento pode ser explicado, em grande parte, pelas mudanças climáticas, que induzem alterações nos mais diversos ecossistemas – aquático e terrestre.

 

Além dessa alteração, as mudanças climáticas estão levando ao aumento global do nível do mar. Segundo o professor doutor em Física, Rodrigo da Silva, líder do Grupo de Pesquisa em Biogeofísica da Região Amazônica e Modelagem Ambiental – Grupo BRAMA-UFOPA – esse aumento está ocorrendo porque as calotas polares e geleiras estão derretendo e elevando os níveis dos oceanos.

 

Em todos os estuários (pontos onde o rio se encontra com o mar), há um jogo de forças entre o fluxo dos rios e as marés. Quando a maré sobe e o fluxo do rio diminui, a água salgada consegue avançar mais facilmente. Por isso, o aumento do nível dos oceanos tende a alterar esse equilíbrio em favor do mar, fazendo com que a água salgada avance mais facilmente pelos rios.

 

Assim, a foz do rio Amazonas está passando por um processo de salinização. A salinização nessa região é comum entre os meses de setembro e novembro, pois chove menos. Com isso, as águas do Amazonas baixam, e a maré avança. Com o retorno das chuvas, a partir de novembro, a água volta a ficar doce.

 

O aumento desse fenômeno na foz do Amazonas é decorrente, também, da elevação das temperaturas na região – outro efeito das mudanças climáticas. O calor mais forte favorece a evaporação, acelerando a circulação de ar e permitindo que ventos transportem mais sal que estava nos oceanos para o continente.

 

Como consequências da salinização, têm-se a falta de água potável para beber e cozinhar, a grande presença de peixes de água salgada, e o afastamento de peixes de água doce e de camarões. Ainda não se sabe se o solo vai sofrer algum prejuízo dentro de alguns anos.

    

As mudanças observadas na foz do rio Amazonas devem ser mais estudadas, especialmente os impactos do avanço no nível do mar, pois a região é extremamente sensível a alterações – e como seus rios e lagos estão conectados, qualquer mudança pode provocar consequências mesmo em grandes distâncias.

 

Até o fim deste século, o nível médio dos oceanos pode subir entre 0,6 m e 1,1 m em relação aos padrões pré-industriais, a depender do ritmo das emissões de gases causadores do efeito estufa. A elevação do nível do mar pode inundar muitas regiões litorâneas, forçando migrações das comunidades próximas. Além disso, comunidades localizadas em estuários podem escapar das inundações, mas ainda sofrer com a falta de água doce para seu abastecimento.

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