Quinta, 02 de Dezembro de 2021 00:48
093991489267
Notícias Reconhecimento

Zélia Amador de Deus é homenageada em evento em Nova York

Conheça a história da paraense Zélia Amador, que sempre se envolveu nas lutas pelo povo negro , Zélia é professora emérita da UFPA.

28/10/2021 19h11 Atualizada há 1 mês
Por: Tapajós de Fato
Zélia Amador de Deus é homenageada em evento em Nova York

Uma das pessoas mais importante da história da resistência negra no Brasil, Zélia Amador de Deus, é homenageada no Prêmio de Direitos Humanos da BrazilFoundation. Uma organização internacional que trabalha na captação de recursos e apoia iniciativas que atuam no combate à desigualdade social no Brasil. O evento ocorre hoje (28), diretamente de Nova York, nos Estados Unidos, a participação de Zélia Amador é de forma online.

 

Quem é Zélia Amador de Deus ?

Nascida em uma fazenda na Ilha de Marajó, Zélia é uma mulher negra, filha de mãe solo, sua mãe trabalhou a vida toda como empregada doméstica que, como diz a homenageada: “é mais uma história que se repete entre as mulheres negras brasileiras”. Ainda pequena, Zélia foi morar em Belém junto com os avós.

Os avós foram grandes incentivadores para que Zélia estudasse. “Mas eu tive sorte porque meus avós me incentivaram a estudar. Na verdade eu me safei pela educação. Lembro muito bem da minha avó me dizendo ‘tu és preta, mas não baixa tua cabeça (sic)’”, conta .

 

À Luta

Desde o ensino médio, Zélia sempre esteve envolvida nos  movimentos sociais. A conquista da vaga na universidade pública foi o marco, e a partir de então,  a luta política se fez ainda mais intensa  em sua vida, impulsionado também pela luta do povo negro nos Estados Unidos, “Em 1968, por exemplo, eu estive em manifestações políticas, passeatas, ocupações, era uma época que, nos Estados Unidos, os negros estavam lutando pelos direitos civis, crescia o movimento Black Power”. Zélia nunca abandonou a academia, hoje ela é Doutora em Antropologia.

Zélia começou a dar aula na Universidade Federal do Pará ainda na Ditadura Militar e  em 1978, Zélia Amador se torna Co-fundadora do Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa). “A partir desse contexto do início dos anos 80 que o movimento começa a não somente denunciar o racismo, mas pensar políticas públicas de ação afirmativa, a fim de tentar diminuir as desigualdades”, explica.

E em 2001, a paraense  integrou a  comissão brasileira na 3ª Conferência contra o racismo da Organização das Nações Unidas (ONU), em Durban, na África do Sul.

 

Zélia Amador é uma das principais referências na luta pela visibilidade negra no país. Professora emérita da Universidade Federal do Pará, além de ser uma das fundadoras Cedenpa e integrante do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM-UFPA). Zélia coordena a Assessoria de Diversidade e Inclusão Social, foi presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e participou da criação do sistema de cotas negras nas universidades.

 

 Outros homenageados 

Além de Zélia Amador, a edição deste ano da BrazilFoundation homenageia Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, organização que atende milhares de famílias em favelas de todo o Brasil por meio de educação, cultura, qualificação profissional e geração de renda. Durante a pandemia, a GF arrecadou mais de R$ 60 milhões, beneficiando cerca de 1 milhão de pessoas com a campanha “Corona no Paredão, Fome Não”.

 

E Gisele Bündchen, que é também reconhecida por sua filantropia, criou, em 2020, o Fundo Luz Alliance na BrazilFoundation para ajudar a combater a situação de fome gerada devido à pandemia de Covid-19. Até agora foram mais de R$ 7,7 milhões de reais arrecadados para levar alimentos e suprimentos de emergência a milhares de famílias vulneráveis em todo o Brasil.

 

Acesse as redes sociais do Tapajós de Fato: FacebookInstagram e Twitter.

  Acesse ainda o Podcast Tapajós de Fato

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.