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Cidades Dia das Cidades

No Dia Mundial das Cidades, conheça a origem dos nomes e outros fatos sobre municípios do oeste paraense

O Dia Mundial das Cidades foi criado pela Assembleia Geral da ONU em 2013. O Oeste do Pará conta com mais de 20 cidades.

31/10/2021 10h32 Atualizada há 12 horas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
No Dia Mundial das Cidades, conheça a origem dos nomes e outros fatos sobre municípios do oeste paraense

Celebrado no dia 31 de outubro, o Dia Mundial das Cidades foi criado pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2013. A data, que tem como tema geral “cidade melhor, vida melhor”, contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e é reconhecido pela Nova Agenda Urbana como uma plataforma prioritária de colaboração entre parceiros.

O foco dessa data na urbanização pode ser entendido ao se considerar a diferença, que muitas vezes causa confusão, entre os termos cidade e município. O primeiro conceito está ligado à ocupação humana; o segundo, à delimitação territorial por meio de divisas.

Assim, municípios são divisões legalmente realizadas de um território, as várias partes que compõem um mesmo estado e que são administradas por uma prefeitura. Já a cidade é a área urbana de um município, delimitada por um perímetro urbano, também legalmente estabelecido e que a separa do campo.

O que se sabe sobre as cidades da região?

Para marcar o Dia Mundial das Cidades deste ano, o Tapajós de Fato propõe uma breve viagem até o surgimento dos municípios do oeste do Pará, que contam com áreas urbanizadas. Esses lugares carregam nomes e histórias muito interessantes, embora muitas vezes desconhecidos.  Confira a seguir a lista de cidades selecionadas para essa reportagem especial e saiba mais sobre elas:

 

Alenquer

Originalmente, Alenquer foi uma povoação – localizada onde hoje é a cidade de Curuá – fundada provavelmente em 1697. Em 13 de junho de 1729, criou-se a aldeia de Surubiú, que posteriormente seria chamada Alenquer. Este último nome surgiu em 1758, quando o então Governador da Província do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, elevou a aldeia de Surubiú à categoria de vila, chamando-a Alenquer, obedecendo a Carta Régia de 6 de junho de 1755, que lhe determinava elevar à vila as povoações que tivessem condições para tal, dando às mesmas, nomes de cidades portuguesas. Quanto ao nome primeiro, então, de cidade portuguesa, desde o século VI a.C. o lugar já apresentava um nome parecido com o atual; a partir de 418, entram na história os Alanos, de onde provem a família de sobrenome Alencar. Os Alanos eram bárbaros que habitavam uma região bem próxima ao Mar de Azov, nos limites territoriais da Rússia Européia. Eles enfrentaram os Hunos e foram derrotados. A região dominada pelos Alanos passou a denominar-se Alenen-Kerk (Igreja), Alano Kerk e Alankerk (templo dos Alanos). Já a partir de 714, foi dominada pelos Mouros, passando a chamar-se Alain-Keir (Fonte Abençoada) e El- Haquem (O Governador). Desde 24 de Junho de 1148, quando a cidade foi dominada pelos portugueses, foi chamada de Alãoquer, Alunquer, Alon-quer, Alanquer, Alemquer e finalmente Alenquer.

 

Almeirim

A história de Almeirim começa quando frades capuchos de Santo Antônio fundaram, por volta do ano de 1620, juntamente com os indígenas Tupinambá, a Aldeia do Paru. O Governador e Capitão-General da Capitania do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, elevou o povoado à categoria de Vila em 22 de fevereiro de 1758, fato esse desfeito posteriormente no fim do período colonial, com a Independência do Brasil, em 1822. No Governo Provisório da República, Almeirim readquiriu status de Vila pelo decreto estadual nº 109 de 17 de março de 1890 e status de Município pelo decreto estadual nº 110, emitido em igual data. O nome Almeirim vem da cidade portuguesa de mesmo nome, e apresenta relativa antiguidade, com influência arábica: pode derivar de “Al-Meirim”, conforme consta numa descrição de Pinho Leal, ou então do nome de uma planta, o “Almeirão” (Cichorium intybus), através do árabe alamron ou alamiron.

 

Aveiro

A princípio, Aveiro era constituída de uma aldeia de indígenas Munduruku, denominada tapajós-tapera, à margem do rio Tapajós, e que alcançou grande progresso. O nome Aveiro foi atribuído pelo Governador e Capitão-general José de Nápoles Tello de Menezes, em 23 de agosto de 1781, que elevou a aldeia à categoria de vila, sob a denominação de Nossa Senhora da Conceição do Aveiro. A palavra Aveiro tem sua etimologia na raiz av, ou ave, acrescida de eiro, significando, portanto, agueiro, isto é, Aveiro é o local por onde corre água. O Aveiro seria o vale que divide a cidade em duas partes, uma na margem direita, outra na margem esquerda. O brasão de Aveiro, que apresenta como peça principal uma ave, tem por base a falsa etimologia de Aveiro como local com aves marinhas.

 

Belterra, a Princesa da Serra

A história de Belterra começa com um projeto de plantação de borracha no Brasil – tentativa da Inglaterra de estabelecer o controle da produção dessa matéria prima para suas fábricas. Os ingleses reduziram a superprodução de borracha que ocorria na época e a partir dessa manobra, forçaram a elevação do preço do produto no mercado internacional. Para escapar disso, o governo dos EUA começou a estudar possibilidades de plantar a borracha nas Filipinas e América Latina. Quando a notícia chegou a Belém, iniciou-se uma série de negociações envolvendo o Governo do Estado do Pará, o Governo Federal e os industriais norte-americanos, com o objetivo de atrair o capital estrangeiro para a Amazônia. Assim, a Amazônia brasileira foi apontada como local ideal para um empreendimento desse tipo. Com isso, a Ford Motor Company decidiu instalar no Pará o seu projeto de plantação de borracha, o que levou à fundação de Belterra, cujo nome originou-se de Bela Terra, como era chamada pelos americanos, com a supressão da letra "a". Por sua fundação, Belterra também é conhecida como “segunda Fordlândia”. Além disso, por sua localização, no alto de uma serra, Belterra também recebe o apelido carinhoso de “Princesa da Serra”. 

 

Curuá

A história de Curuá inicia-se com a fundação da Missão Baré, em 1694, pelos Padres Franciscanos Capuchos da Piedade, mais tarde transferidos para a aldeia Surubiú – atual Alenquer. O restante da população foi transferido para a aldeia Pauxis, em Óbidos, que estava em decadência. Por volta de 1848, inicia-se a segunda povoação, através do Tenente Raimundo Simões, que fixou residência para a exploração do látex Balata. Com isso, a Vila Curuá, foi instalada no dia 15 de agosto de 1900. Três anos mais tarde, foi criada a comissão de Pró-Emancipação de Curuá, presidia pelo Sr. José Vieira de Castro. Em 03 de dezembro de 1995, ocorreu o plebiscito que emancipou definitivamente a Vila, que passou a ser município do Curuá. A origem da palavra Curuá é indígena (kuruá) e define uma espécie de palmeira, nativa de regiões tropicais das Américas, algumas utilizadas como fonte de ácido láurico e outras no fabrico de vassouras, como, por exemplo, a piaçaba.

 

Faro

O atual município era, inicialmente, uma aldeia dos índios Vaboys ou Jamundás, missionados pelos capuchos de Nossa Senhora da Piedade. Estava, até aquele momento, situada abaixo da confluência dos rios Pratucu e Jamundá, que não propiciava o desenvolvimento da missão. Assim, os frades a transferiram para o Lago onde, atualmente, encontra-se sua sede municipal. Em 1768, Faro vivenciou a cerimônia do levantamento do pelourinho. Na mesma data, adquiriu categorias de Vila e Município, cuja instalação ocorreu no ano seguinte. A origem da palavra Faro é árabe. Segundo alguns, viria de fareaun, “presídio” ou “refúgio”. Para outros, de alfanar ou El Fanari, do aramaico fanari, “lugar onde se encontra um farol” (“Alfaro”). No caso da cidade portuguesa de mesmo nome, há quem defenda a ideia de que Faro veio de Harun, a forma árabe de Aarão, nome da família que controlou a cidade no século XI. 

 

Itaituba, a Cidade Pepita

A busca pelo ouro por milhares de garimpeiros, especialmente entre o final da década de 70 e meados da década de 90 e a prática de extração clandestina do ouro, já por seus primeiros habitantes, conferiu ao município o apelido de “Cidade Pepita”. Em seus princípios, a cidade foi alvo da luta dos portugueses para afastar a presença de holandeses, franceses e ingleses do estuário do rio Amazonas. Em 1836, Itaituba já era um aldeamento indígena pertencente ao Grão-Pará e servia como destacamento militar. Vinte anos mais tarde, a Lei 290, de 15 de dezembro de 1856, transferiu a sede municipal da então vila Brasília Legal, hoje Aveiro, para Itaituba, que de seus diversos desmembramentos deu origem a outros municípios: Novo Progresso, Trairão e Jacareacanga. A origem do nome Itaituba é Tupi, significando "ajuntamento de água da pedra" ou simplesmente “lugar de muitas pedras”. 

 

Jacareacanga

A história de Jacareacanga se confunde com a de Itaituba e da conquista do Rio Tapajós. A partir da década de 50, houve grande movimentação no município, primeiro com a Marcha para o Oeste, promovida pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, e depois com o início da garimpagem de ouro. A emancipação política do município de Jacareacanga, que era parte do município de Itaituba, foi o resultado da mobilização dos moradores, iniciada no final da década de 80. O nome Jacareacanga tem origem Tupi e significa "cabeça de jacaré", através da junção dos termos îakaré ("jacaré") e akanga ("cabeça").

 

Juruti

Juruti teve como primeiros habitantes os indígenas da tribo Muirapinima, que habitava as margens do Lago Juruti Velho - parte antiga da atual cidade de Juruti – e que deu origem à vila de mesmo nome. Mais tarde, em 1818, os Munduruku, que habitavam a região dos Rios Madeiras e Tapajós, mudaram-se para aquele território, devido a lutas travadas com outros povos. Assim, fundaram o município de Juruti, hoje considerado o berço Munduruku. Juruti obteve a categoria de freguesia, sob a invocação de N. S.ª da Saúde, sendo elevada a município, com a Lei provincial do Pará n° 1152, de 9 de abril de 1855. Apesar da data de sua elevação a município, Juruti nasceu muito antes, em 1818 na atual comunidade Juruti Velho. Em seus primórdios, a cidade estava diretamente ligada aos municípios atualmente conhecidos como Óbidos e Faro. Juruti é um nome de origem Tupi, que significa “colo firme” em alusão ao aspecto das aves leptotila (que ficam com o pescoço tenso no momento de seu canto), espécie encontrada em grande quantidade no período da formação do município.

 

Mojuí dos Campos

A história do atual município começou por volta de 1914, quando dezenas de famílias nordestinas chegaram ao local, formando o pequeno povoado de Mojuí, que pertencia ao município de Santarém. Na época, devido à forte seca no nordeste, muitas famílias migraram para o pequeno povoado de Mojuí, que apresentava melhores condições de vida e era ideal para o plantio. Como notou o aumento da população, no dia 31 de dezembro de 1964, o então governador do Estado do Pará, o Coronel Jarbas Passarinho, elevou o pequeno povoado de Mojuí dos Campos à categoria de Vila. Somente décadas mais tarde, em 2012, Mojuí dos Campos alcançou sua emancipação. O nome do município vem do fato de que, nos anos de 1910, as primeiras famílias que chegaram à região encontraram pequenas áreas cobertas de capins, na época conhecidos por Mojuí. Portanto, “Mojuí dos Campos” significa “Capim dos Campos”.

 

Monte Alegre

Embora incerta, uma das versões da história de Monte Alegre aponta como seus fundadores os Padres da Piedade e os indígenas da aldeia de Gurupatuba, situada à margem do rio do mesmo nome. A outra versão afirma que a fundação se atribui aos Capuchos de São José, pertencentes à mesma ordem Franciscana dos Padres da Piedade, mas de outra província religiosa. De todo modo, os primeiros montealegrenses foram frutos dos aldeamentos indígenas e da presença de missionários e nativos. Em 27 de fevereiro de 1758, o aldeamento Gurupatuba foi elevado à condição de vila, por Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que, com o objetivo de homenagear um pequeno povoado existente no norte de Portugal, substituiu o nome de Gurupatuba por Monte Alegre.

 

Óbidos 

Em 1697, o Governador da Província do Grão-Pará e Maranhão, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, ao passar em frente à atual cidade de Óbidos, observou que o local era ideal para a construção de uma fortaleza. Assim, em 1698, foi construído, à margem esquerda do Amazonas, um forte que tomou a denominação de Pauxis, nome da nação de indígenas que ali habitavam. No dia 25 de março de 1758, o então Governador da Província do Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, unindo a população de duas aldeias a aldeia dos Pauxis, elevou-a à condição de Vila, com o nome de Óbidos, em homenagem a uma vila portuguesa de mesmo nome. A emancipação política do município só ocorreu em 02 de outubro de 1854, quando o Governador da Província do Grão-Pará, Sebastião do Rego Barros, elevou as Vilas de Bragança, Vigia e Óbidos à categoria de cidades.

 

Oriximiná

Oriximiná nasceu em 1877, quando o Padre José Nicolino de Souza, natural de Faro, desbravou a região e fundou uma povoação denominada Uruá-Tapera ou Mura-Tapera, à margem esquerda do rio Trombetas. Nove anos depois, a então povoação foi elevada à Freguesia de Santo Antônio de Uruá-Tapera. Em 1894, Uruá-Tapera adquiriu categorias de Vila e Município e passou a chamar-se Oriximiná, sendo extinto em 1900, quando seu território foi dividido entre os municípios de Faro e Óbidos. Porém, o atual município ficou anexado a Óbidos e restabeleceu-se em 1934. O nome Oriximiná tem origem Tupi e significa "zangão" – o macho da abelha. Há, porém, outra hipótese, de frei Protásio Frinckel, segundo a qual o nome viria de “Eruzu-M'Na”, que significa "muitas praias".

 

Prainha

Prainha teve sua origem na margem do rio Urubuquara, com a denominação original de Outeiro. Por conta da dificuldade de acesso, os moradores decidiram migrar para as margens do rio Amazonas. Passou à categoria de freguesia em 1758, por Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Com a lei provincial nº 941, de 14 de agosto de 1879, foi elevada à categoria de vila e, por fim, foi reconhecida como município em 7 de janeiro de 1881. Em 27 de dezembro de 1930, o município de Prainha foi extinto e seu território anexado ao de Monte Alegre, restabelecendo sua autonomia apenas em 1935. Em 1988, Prainha ainda sofreu um desmembramento, que gerou os municípios de Uruará e Medicilândia. Atualmente, é constituído de dois distritos: Prainha e Pacoval. A origem do nome do município não é conhecida.

 

Rurópolis

Rurópolis foi fundada em 1974, pelo Governo Federal Emílio Garrastazu Médici, através do Programa de Integração Nacional (PIN). Através do Urbanismo Rural, foi proposta a criação de uma “comunidade planejada”, distribuída em núcleos urbanos hierarquizados – denominados de agrovilas, agrópolis, rurópolis e cidades –, próximos e regularmente espaçados, conectados entre si e integrados à zona rural, de modo a favorecer a atividade agrícola e fixar o homem no campo. A Rurópolis que se conhece hoje, então, nasceu sob o nome de Presidente Médici e foi a primeira e única rurópolis (de onde vem seu nome atual) a ser inaugurada. O núcleo urbano foi elevado à categoria de município com a denominação de Rurópolis em 1988, desmembrado de Aveiro. 

 

Santarém, a Pérola do Tapajós

A Pérola do Tapajós nasceu com os padres jesuítas, na fundação de uma aldeia com fins missionários. O progresso das Missões, levou à construção de uma fortaleza de forma quadrada, com baluartes nos ângulos, que foi o núcleo da Vila que deu origem a cidade de Santarém, elevada à categoria de vila em 14 de março de 1758. Nessa ocasião, o atual município recebeu o nome Santarém, em homenagem à cidade portuguesa de mesmo nome, substituindo a denominação indígena de Aldeia dos Tapajós. Em 24 de outubro de 1848, foi elevada à categoria de cidade, em consequência de seu grande desenvolvimento. O título que hoje lhe cabe, de “Pérola do Tapajós”, faz referência à sua natureza exuberante, com especial menção ao encontro dos rios Tapajós e Amazonas, que se aprecia na frente da cidade.

 

Terra Santa

O município de Terra Santa nasceu em 13 de dezembro de 1991, constituído por áreas desmembradas dos municípios de Faro e Oriximiná. Originalmente, o lugar era conhecido por Pedra Santa, pois era ali que os indígenas faziam seus rituais sagrados, em uma ponta de pedra no lago. O nome Terra Santa surgiu em 1887, devido a uma lenda local que falava de um surto de gripe que se alastrou entre as índias amazonenses, numa época em que a doença era fatal. Ainda segundo a lenda, o pajé da tribo determinou que as mulheres afetadas se banhassem no lago, junto às pedras, afirmando que ali as águas eram sagradas. As índias obedeceram e foram curadas da terrível moléstia. A partir de então, passou a ser considerada uma terra santa pelos índios. Terra Santa foi elevado à categoria de município, já com essa denominação, pela lei estadual nº 5699, de 13 de dezembro de 1991. 

 

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