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Amazônia Opinião

Às margens do rio Tapajós: Amazônia e Enfrentamento

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03/11/2021 14h37 Atualizada há 4 semanas
Por: Movimento Tapajós Vivo
Engajamundo
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Como pensou Becker (1999; 2005), a Amazônia sempre foi vista como barreira do desenvolvimento, sendo a floresta sinônimo de estagnação econômica que passou por todos os governos políticos. Fugindo ao ideal neoliberal e político-partidário, a Amazônia é um cenário multicultural e biológico, linha de transição entre os ambientes tradicionais e urbanos, dividida em 9 países, entre eles o Brasil com maior extensão de território, porém cada território existe diferenças em sua sociobiodiversidade, são locais únicos. 

O Dia da Amazônia além de ser uma data para ressaltar suas belezas e culturas e também o de refletir sobre o futuro do bioma, ou melhor os biomas da Amazônia que estão sofrendo devastação cada vez mais intensa e sangrenta nas suas florestas, rios e terra. Na cidade percebe-se sua expansão desorganizada (ocupações espontâneas, ausência de saneamento básico, e saúde, déficits na educação), aumento da violência e desigualdade social.

No meio de tantas problemáticas marcantes e massacrantes nos diferentes povos que fazem parte da Amazônia, organizado pelo Movimento Tapajós vivo – MTV e parceiros no ano de 2016 foi realizado a II Caravana em Defesa do Rio Tapajós, nos dias 26, 27 e 28 de agosto na cidade de Itaituba, com o objetivo de dar voz aos vários grupos de resistência para unificar as forças em defesa do rio Tapajós, fortalecendo redes. A caravana contou com a participação de cerca de 1200 pessoas, entre eles a sociedade civil organizada, ONGs, Pesquisadores, Indígenas, Ribeirinhos, ativistas e militantes e outros. O debate trouxe para além de discussões sobre a preocupação do complexo hidrelétrico de São Luís do Tapajós que ainda pode causar grandes impactos no rio, também foi pensado outras ameaças ao rio, povos e cultura (garimpo, soja e etc). A caravana foi um ato político que demonstrou força de articulação dos atores sociais do grande território do Tapajós.

Em 2021, passado cinco anos, muitos dos desafios apontados na caravana vieram a acontecer, principalmente a intensificação da destruição do rio pelo garimpo, já “legalizado” pela não fiscalização e negação do próprio governo federal. A soja avança sobre o rio, seja em suas margens ou na distribuição em mais portos, com real perigo de transformar o rio em hidrovia ligando Mato Grosso e o Pará, destruindo os pedrais e aprofundando o rio, a venda de terras em áreas de proteção ambiental é tão escancarada que é vendido às margens das avenidas mais movimentadas de Santarém sem nenhum pudor. A construção de hidrelétricas no rio ainda é um desafio, ou mesmo nos rios do estado que alimentam o Tapajós como rio Cupari, causando ainda mais destruição e mais povos saindo de seu território pela violência de sua casa.

Como cantou Vital Farias na música Saga da Amazônia: “No lugar que havia mata, hoje há perseguição Grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão Castanheiro, seringueiro já viraram até peão. Afora os que já morreram como ave de arribação (...) Era uma vez uma floresta na linha do Equador”.

Por fim, todo dia é dia da Amazônia e do Tapajós!

 

Referências

BECKER, B. K. Geopolítica da Amazônia. Estudos Avançados, v. 19, n. 53, p. 71-86, 2005.

BECKER,  B.K. Cenários  de  curto  prazo  para  o  desenvolvimento  da  Amazônia.Cadernos NADIAM, Brasília, MMA, 1999.

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