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COP 26: entenda a relação entre o evento e a Amazônia

Povos tradicionais da região falam sobre os problemas que enfrentam e o que esperam deste evento.

03/11/2021 19h20 Atualizada há 4 semanas
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
COP 26: entenda a relação entre o evento e a Amazônia

Você sabe o que é a COP 26?

É um evento que faz parte da   Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o evento oficialmente chama-se Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (Unfccc).

 

A primeira COP ocorreu em 1995, em Berlim, na Alemanha, e foi criada após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que foi realizada em 1992 no Rio de Janeiro. Desde então, ocorre a reunião anual da Conferência das Partes, em que os  países signatários se reúnem para discutir juntos o que fazer para combater as mudanças climáticas, este ano ocorre a 26ª edição do evento, denominada COP26.



O Brasil 

Há muito tempo se fala sobre as  mudanças climáticas, que são impulsionadas pela ação do homem. A Amazônia sempre está entre as pautas mais importantes, devido à importância que essa floresta tem na garantia do equilíbrio do planeta. As queimadas e o desmatamento são dois dos principais problemas que vêm afetando de forma intensa a floresta nos últimos anos, e muito disso é motivado pelo governo  Bolsonaro. 

 

Porém, no dia 19 de setembro, Bolsonaro Afirmou que "Chegaremos a Glasgow [Escócia] unidos para tratar de um assunto muito importante e caro para todos nós: nossa amada, rica e desejada Amazônia". Em uma mudança de discurso, em abril, Bolsonaro se comprometeu a atingir a neutralidade de carbono até 2050, ou seja, o equilíbrio entre a quantidade emitida e a retida, e prometeu que o Brasil eliminará o desmatamento ilegal até 2030. Mas, na prática, não é o que se percebe, ́pois, ainda em 2019, no primeiro ano de governo de Bolsonaro, o Ministério do Meio Ambiente, comandado pelo então ministro Ricardo Sales, deixou de ter a Secretaria de Mudança do Clima e Florestas, que passou a ser Secretaria de Florestas e Desenvolvimento Sustentável. Não foi uma mudança apenas na nomenclatura: o ministério não criou ao menos um departamento para tratar de mudanças climáticas. A questão das mudanças climáticas foi totalmente extinta ainda nos primeiros dias do governo Bolsonaro.

 

O desmatamento

Um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) essa fonte tá diferente, aponta que  a Amazônia já perdeu, somente em 2021, uma área que corresponde a mais de 900 km2 . O estudo aponta ainda que, de agosto de 2020 até junho de 2021,  a área desmatada chegou a 8.381 km². Isso significa um aumento de 51% em relação ao período de agosto de 2019 a junho de 2020, que somou 5.533 km² de devastação.

 

Mário Augusto Pantoja, presidente da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS), Fala da realidade  territórios quilombolas atualmente, “a gente uma preocupação e é uma luta muito grande que o movimento trava com os órgão competentes responsáveis em manter o meio ambiente de pé, e isso tem causado. Aumentando o calor, fica muito mais fácil que qualquer indício de  de fogo se alastre e destrua uma área coletiva.”

Outro ponto observado por Mário Augusto é que o aumento da temperatura também afeta as áreas quilombolas, mesmo que haja o cuidado dos remanescentes de quilombolas de manter o território preservado. “A alteração do clima afeta a todos”, não faz distinção de estar em “ território quilombola ou em um grande centro urbano”.

 

As mudanças climáticas afetam diretamente o modo de vida dos povos tradicionais, Mário fala que “no final da tarde é comum ver criança se refrescando no igarapés, mas muitos já estão secando, devido o aumento da temperatura”

 

Valdinéia Sawré, indígena do povo Munduruku, fala da importância da COP 26 para a região do Tapajós, uma das regiões da Amazônia mais fortemente afetada pelo “desmatamento, atividades de garimpo ilegal que vem afetando os nossos rios e as nossas florestas e a gente sofre as consequencias disso são as populações locais, populações tradicionais e o espaço da COP vem visando muito debater tudo isso nos cerca”.

 

Outro ponto que também é comentado por Valdinéia é a situação  do Brasil, “o Brasil chega na COP com um papel supres escancarado e mentiroso porque todos os dia diz que preserva  o nosso meio ambiente e a gente que vive essa realidade todos os dias, justamente na região do Tapajós sabe que isso não é verdade. Ele [presidente Bolsonaro] não está preocupado em preservar a natureza, os nossos rios. Na verdade, ele está indo de encontro  do que ele fala, as atitudes dele podem provar isso, devido a essa realidade que a gente vive hoje”, pontuou. 

 

Valdinéia Sawré fala da importância da presença dos povos indígenas nesse evento mundial: "É muito importante que nós, povos indígenas, preenchamos esses espaços, principalmente de discussão, fazendo com que as nossas vozes sejam ouvidas, porque é a gente que conhece a nossa realidade, tudo que a gente está vivendo, tudo que a gente está passando. O mundo precisa saber tudo que acontece. E por que não melhor a gente para está aqui nesse espaço?” 

 

A responsabilidade

Cerca de  61%  da floresta amazônica concentra-se no Brasil, ou seja, apesar de o cuidado com a preservação da Amazônia ser uma responsabilidade internacional, o Brasil é o principal responsável por zelar pela floresta e pelos povos que nela habitam. Resta saber se o presidente irá realmente promover políticas alinhadas às preocupações internacionais com o clima e com o meio ambiente. 

 

O que se espera da COP 26?

O desejo global é que, a partir da 26ª Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, onde os  líderes mundiais,  bem como representantes da sociedade civil, põem em pauta a maior emergência mundial de todos os tempos, que é buscar medidas rápidas e viáveis para reverter a crise climática que assola o planeta esse trecho tá muito grande e um pouco confuso. Nesse encontro, os líderes mundiais vão discutir  sobre  o acordo de Paris, que é um dos acordos globais já existentes - e de que o Brasil é signatário - para controlar o aumento da temperatura média do planeta.

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