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Reportagem Especial Opinião

Fé na vida: uma relação de confiança

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04/11/2021 17h01 Atualizada há 4 semanas
Por: Henrique Nunes
Imagem retirada de https://bit.ly/3nXQ5Mj
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Por: Henrique Nunes

 

Como é preciosa a oportunidade dada ao ser humano, por Deus, pelos deuses, ou pelos mistérios da natureza, de se viver neste ambiente tão enigmático e diverso, que é o mundo. Maravilhoso seria se todos os inquilinos desse imenso condomínio tivessem a consciência desse tesouro que sem tem em mãos e cuidassem dele: falo da necessidade do zelo pelo planeta, pelas águas, pelas florestas, pela vida. O que tem causado esse descuidado dos viventes para com esta riqueza, que é a vida? Ouso dizer que a descrença no poder da benevolência humana aliada à desesperança de que as relações podem ser refortalecidas têm contribuído bastante para o estabelecimento dessa situação.

 

É lamentável dizer isso, mas a cada dia que se passa, a confiança de uma pessoa para com a outra vai diminuindo. O contato enriquecedor entre as famílias tem se quebrado aos poucos, aquela conversa de pé de ouvido, que tanto vale para a formação do caráter, valores e planos dos jovens, já quase não acontece mais. As pessoas estão cada vez mais individualistas, e o principal motivo é a descrença de que alguém possa querer seu bem, o ver feliz, alcançando objetivos, rompendo barreiras. As pessoas estão deixando de acreditar que há outras torcendo por elas, e essa fragilidade de relações faz com que comecem a desacreditar de si mesmas. “Será que eu vou conseguir?”, “Realmente tenho capacidade para realizar isso?”, “Acho que não vou passar!”, “Se passar, é muito difícil eu conseguir terminar esse curso!”, e frases como essas, que representam o pessimismo, são cada vez mais ouvidas. Mas o que fazer? No ponto de vista deste jovem escritor, se está diante da necessidade da construção de uma via de mão dupla, por onde passarão ações e reações. De um lado, deve passar a disposição das pessoas em ouvir; do outro, deve passar o desejo de se colocar no lugar do próximo e dialogar com ele. E por esta via de mão dupla, paulatinamente, as relações podem voltar a se fortalecer, visto que, no acreditar deste que disserta, a vida não pode ser pautada pela individualidade, que pode gerar egoísmo, que por sua vez gera solidão, que junto às anteriores, mata um ser em vida.

 

Mais do que nunca, vista a situação das sociedades, em especial da brasileira, é preciso voltar a acreditar que as pessoas podem ser melhores do que são: é preciso começar pelas bases, no sentido de arregaçar as mangas e esperançar, a começar pelo seio familiar, pelo grupo de amigos, pelo bairro e comunidade onde se habita, pois tal como a mudança das folhas de uma árvore começa pela raiz, as mudanças de uma sociedade começam pela organização celular de seus habitantes. É preciso cultivar o respeito, a tolerância, a fraternidade, o diálogo, a amizade, pois se assim for feito, antes de olhar para o outro com desconfiança, arrogância, desprezo, as pessoas conseguirão ver que, por detrás daquele corpo físico há sentimentos, desejos, sonhos, indagações, histórias, sofrimentos que podem ser diferentes dos seus, o que as levará a celebrar a existência de um outro tesouro da humanidade: a diversidade, ajudando, assim a romper o laço entre o ser humano e a solidificação de estereótipos e preconceitos.

 

Você deve estar se perguntando: “e a fé? Onde ela entra nessa história”? A fé, antes de tudo, é um mistério. É mistério porque nunca está pronta: é um fazer-se, está sempre em construção. A cada dia deve-se ir adquirindo mais motivos para depositar fé naquilo que nos rodeia, no ser humano, principalmente. A fé e o acreditar se completam, visto que se referem a algo que não se vê, não se toca, mas se sente. A fé só se manifesta pela religiosidade? Também, mas não somente por ela, pois seu sentido deve ultrapassar os templos e embasar as relações humanas. Há pessoas que se apegam à sua religião, buscando nela explicações para sua existência, seu papel no mundo, seus sofrimentos, suas dúvidas, e vivem muito bem assim, são felizes, encontram um sentido para suas vidas. Essa é uma faceta da fé: a construção da vida a partir do discernimento oferecido pelas religiões. Mas, do mesmo modo, há pessoas que não sentem a necessidade de possuir uma fé religiosa, de professar uma crença, mas nem por isso são desgostosas e infelizes. Na verdade, tais pessoas também possuem fé, em si mesmas, nos seus projetos, no poder de adaptação e evolução do ser humano às condições do mundo, no poder da natureza, na capacidade intelectual de si mesmas e dos outros. Há fé nessas pessoas, e ela também edifica.

 

Encerro este texto com o poema “Sendo eu um aprendiz”, escrito por Bráulio Bessa, que ao referir-se nordestinamente sobre a vida, disse o seguinte:

 

A vida já me ensinou que besta
É quem vive triste
Lembrando o que faltou
[...]
Afinal, nem toda lágrima é dor
Nem toda graça é sorriso
Nem toda curva da vida
Tem uma placa de aviso
E nem sempre o que você perde
É de fato um prejuízo

[...]
Tantas vezes parece que é o fim
Mas no fundo, é só um recomeço
Afinal, pra poder se levantar
É preciso sofrer algum tropeço
[...]
Continue sendo forte
Tenha fé no Criador
Fé também em você mesmo
Não tenha medo da dor

Siga em frente a caminhada
E saiba que a cruz mais pesada
O filho de Deus carregou”

 

Que ao olhar para o outro e para a vida, cada um possa compreender que o que faz aumentar o peso de nossa cruz são os sentimentos desnecessários que levamos sobre ela: a mágoa, o orgulho, o egoísmo, o desrespeito ao outro, a desesperança. É preciso lembrar sempre: o amor é mais leve.

 

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