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Amazônia Aquecimento global

O desmatamento na Amazônia e o aquecimento global

A Amazônia estoca quantidade de carbono equivalente a 5 anos das emissões globais em suas árvores e solo.

04/11/2021 21h00
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
O desmatamento na Amazônia e o aquecimento global

Atualmente, o Brasil é o 4º país que mais emite gases do efeito estufa. Pesquisas anteriores consideravam apenas as emissões geradas pela queima de combustível, mas não incluíam a poluição provocada pela destruição de florestas. O levantamento, feito pelo think tank international Carbon Brief, leva em conta dados de emissões de queima de combustível fóssil, mudanças no uso do solo, produção de cimento e desmatamento de 1850 a 2021.

 

Com a pandemia e a paralisação de serviços, a poluição deveria diminuir no mundo todo, mas isso não aconteceu no Brasil: enquanto a média de emissões globais diminuiu 7% em 2020, as emissões do Brasil cresceram quase 10%, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Observatório do Clima. A poluição gerada pelo setor de energia diminuiu com a quase paralisação da economia, mas os aumentos no desmatamento das florestas e nas emissões provocadas pela agropecuária elevaram os números. É importante frisar que as emissões de gases do efeito estufa estão diretamente relacionadas ao aquecimento acelerado do planeta. 

 

A Amazônia brasileira no cenário do aquecimento global

 

Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a floresta amazônica registrou 103.161 focos ante 89.171 em 2019, um aumento de 15,7%. O Pará foi o Estado da Amazônia que concentrou o segundo maior número de queimadas em agosto deste ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram 7.853 focos – 28% do total de queimadas na região. Altamira, Novo Progresso e São Félix do Xingu, municípios paraenses, concentram o maior número de focos de calor em toda a Amazônia Legal.

 

A floresta amazônica ajuda a equilibrar o clima do planeta ao estocar enormes quantidades de dióxido de carbono (CO2) – um dos principais gases do efeito estufa. Uma pequena parte do CO2 que as árvores absorvem no processo de fotossíntese é emitida de volta para a atmosfera durante a sua respiração; a outra parte é transformada em carbono usado na produção dos açúcares que a planta necessita para o seu metabolismo. Quando árvores são derrubadas, parte desses gases é liberada para a atmosfera e novas absorções deixam de ocorrer. 

 

A Amazônia estoca quantidade de carbono equivalente a 5 anos das emissões globais em suas árvores e solo. Isso porque é composta, em sua maioria, por floresta primária – aquela que se encontra em seu estado original, que não foi afetada pela ação humana. Por serem mais antigas, florestas primárias têm mais diversidade de espécies e guardam mais gás carbônico, pois contêm árvores de centenas ou milhares de anos.

 

Quanto mais antiga uma árvore, mais carbono ela armazena. Sua derrubada provoca uma liberação maior de carbono. Um dos efeitos do desmatamento é liberar CO2 guardado na floresta de volta para a atmosfera pela queimada ou pela decomposição da madeira cortada – processos que transformam um carbono das árvores novamente em gás.

 

Estudo publicado na revista científica Nature revelou que por causa do aumento das queimadas e do desmatamento, a Amazônia brasileira liberou 20% mais dióxido de carbono na atmosfera do que absorveu entre 2010 e 2019. Cientistas temem que, se esse desmatamento continuar nesse ritmo, a floresta chegue no ponto de não retorno, quando as mudanças climáticas mudam de maneira irreversível o ecossistema tropical da floresta. Se a Amazônia alcançar esse ponto, as metas atuais de controle das mudanças climáticas deixarão de ser válidas. 

 

Consequências dos danos causados à floresta

 

O Brasil é um dos maiores fornecedores de alimentos do mundo: é o segundo maior produtor de carne de boi, segundo maior exportador de soja, além de ser grande fornecedor de carne de frango, entre outros. Grande exemplo disso é ambiente natural fértil do PAE Lago Grande, região do Baixo Amazonas, que propicia um estilo de vida fortemente ligado à produção agrícola. A agricultura de base familiar naquele território é responsável pelo sustento da população, não só do PAE, mas também do município de Santarém. No Lago Grande, cultivam-se o açaí, castanha, mandioca – da qual se produz farinha e tucupi – e hortaliças. Também é possível deparar-se com criações de gado, galinha caipira, e com a pesca.

 

Porém, as mudanças climáticas ameaçam a agricultura no país. Segundo o último relatório climático da ONU, o aquecimento da Terra está provocando muitas secas, o que faz com que áreas de produção elas perdem sua capacidade para a agricultura. Cerca de 70% das chuvas que irrigam as plantações das regiões de potência agrícola vem da floresta e só 5% da agricultura brasileira tem sistema de irrigação artificial.

 

É preciso reduzir o desmatamento para garantir o volume atual de chuvas e controlar emissões de gases do efeito estufa, pois mais de 70% da liberação de gás carbônico no Brasil vem da destruição de florestas e da agropecuária. Se houver mais desmatamento, haverá também mais emissões de gases, mais secas e menos produção de alimentos.

 

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