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Guardiões do Bem Viver: jovens do PAE Lago Grande se unem pela defesa do território

O Coletivo foi criado em 2019, após a realização da Romaria do Bem Viver.

05/11/2021 15h18
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Guardiões do Bem Viver: jovens do PAE Lago Grande se unem pela defesa do território

O coletivo denominado Guardiões do Bem Viver é um projeto da juventude do PAE Lago Grande, que nasceu a partir das demandas do território. Os jovens que compõem o grupo iniciaram sua jornada na Igreja e possuem forte conexão com suas comunidades, através da partilha das lutas, dos envolvimentos e de um olhar crítico sobre a realidade local.

 

Para entender a origem do coletivo, é necessário dizer que as regiões Arapiuns, Arapixuna e Lago Grande, que constituem o PAE Lago Grande, fazem parte da região 8 de pastoral, pertencente à Arquidiocese de Santarém. Ricardo Aires, membro do Guardiões, explica, em entrevista ao Tapajós de Fato, como foi feita a integração do PAE à região 8: “a diocese de Santarém, hoje arquidiocese, dividiu em áreas e paróquias, e dentro das áreas e paróquias constituiu-se uma região pastoral. Então tanto a região do Arapixuna, como do Lago Grande, e a área do Arapiuns constituem a região 8 de pastoral, antes do projeto de assentamento. Então hoje, quando se foi pensado na Resex, que é a Resex Tapajós-Arapiuns, levou... toda a margem do Tapajós e uma parte da margem do Arapiuns... na questão de territórios, a região 8 [se] compõe [de] dois, que é um pouco da Resex e todo o PAE Lago Grande”.

 

Os Guardiões nasceram com um processo de estudo do território e de formação, encabeçada pela FASE Amazônia. Além disso, um momento importante para o a construção do coletivo foi a Romaria do Bem Viver: na época, se falava do Sínodo para Amazônia – resposta do Papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia, cujo objetivo principal era identificar novos caminhos para a evangelização da população local –, e havia um desejo da Arquidiocese de Santarém para trabalhar algo voltado para o Sínodo de maneira mais consistente. 

 

Assim, como historicamente os jovens da região 8 eram mais ousados, foram chamados e provocados a fazer um grito em defesa da vida e da floresta. Com isso, nasce a Romaria do Bem Viver, assumida pelos jovens, com alguns parceiros, “e a partir então de tudo isso, a gente foi entendendo, enquanto jovem... que havia necessidade de se olhar um pouco mais não só o lado fé, mas o lado fé e vida”, conta Ricardo. 

 

Dessa forma, a Romaria teve influência na criação dos Guardiões, porque não foi restrita apenas aos católicos, uma vez que dentro do território encontram-se todas as denominações religiosas. Como se tratava de um grito pela vida, houve a participação de indígenas, descendentes de quilombolas, entre outros grupos. O coletivo nasce, então, com o objetivo de agregar diferentes pessoas.

 

Oficialmente, hoje, têm-se um número de 20 guardiões. Ricardo explica como funciona a organização do grupo: “a gente faz uma matriz de 20, mas que se estende para mais. Esses 20 são os que estão numa conversa mais alinhada, por uma questão de segurança, mas para além deles, tem outros jovens, que são também Guardiões, mas eles atuam mais de forma indireta, digamos assim. Quando esse grupo de 20 senta, pensa, é chamado também, pra fazer as ações, eles distribuem as tarefas, os desejos de mobilização, para esses outros jovens que estão espalhadas dentro do território”. 

 

Hoje, os Guardiões atuam no processo de mobilização e têm a proposta de ser um braço da Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (Feagle) – órgão máximo de representação das comunidades do PAE. Uma das ações do coletivo é a divulgação, nas redes sociais, do trabalho da Federação, além de fazer denúncias do território sobre crimes ambientais e sobre o que está acontecendo nas comunidades. Inclusive, a última Assembleia da Feagle elegeu um grande número de Guardiões para sua diretoria. Isso contribui para fortalecer, dar um novo gás na direção da Feagle, pois as demais lideranças, que atuam há mais tempo, têm muitas outras atividades, mais atribuições, dentro das suas próprias comunidades.

 

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