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Amazônia 4º Grito Ancestral

Saiba o que é o Grito Ancestral do povo Tupinambá, que reúne indígenas de diversas etnias pela defesa do Rio Tapajós

Manifestação acontece há 4 anos dentro do território Tupinambá, com o objetivo de chamar atenção para as ameaças que sofre o rio Tapajós.

16/11/2021 13h06
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
Saiba o que é o Grito Ancestral do povo Tupinambá, que reúne indígenas de diversas etnias pela defesa do Rio Tapajós

No último fim de semana, aconteceu, na comunidade Pau da Letra, distrito de Boim, em Santarém, oeste do Pará, o manifesto denominado “Grito Ancestral”, realizado pelo povo Tupinambá. Habitantes de 21 aldeias localizadas à margem esquerda do rio Tapajós, os indígenas Tupinambá promovem esse ato há 4 anos. Além dos Tupinambá, outros povos indígenas da região do Baixo Tapajós foram convidados a participar das atividades do Grito Ancestral, a exemplo dos Arapium e dos Borari.

 

A manifestação tem por objetivo alertar sobre as ameaças sofridas pelo rio Tapajós e pelas populações que vivem às suas margens. Para isso, uma das atividades realizadas é a paralisação do tráfego de balsas que sobem o Tapajós, carregando madeira e soja: barcos fretados com o apoio de organizações também presentes no ato deste ano se deslocam para o meio das águas do rio, de onde cantos indígenas são entoados, enquanto pequenas bajaras levam parte dos participantes para perto das balsas, onde sobem levando faixas de protesto.

 

Adelson Fernandes, cacique de uma das aldeias Tupinambá há 3 anos, falou ao Tapajós de Fato sobre o Grito Ancestral: “aqui, o nosso rio, ele é ameaçado por uma hidrovia, então a gente já tem esses conhecimentos, já vem sabendo que provavelmente o governo hoje compactua com isso... então a gente vem aqui pra mostrar pro mundo, mostrar pros grandes empreendedores, pras grandes empresas, que nós estamos aqui, que nós estamos vivos, que nós existimos aqui… e que nós defendemos esse rio”.

 

No ato, também estava presente o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA). Auricelia Arapium, membra da diretoria do Conselho,  também comentou sobre o Grito: “é um momento de luta, de mostrar resistência, por todo o significado que tem o rio Tapajós, por conta desse sagrado todo... que ultimamente vem sendo muito afetado por grandes empreendimentos… nós estamos aqui pra mostrar, pra fortalecer e dizer o quanto isso é importante, o que isso significa para o mundo, a defesa da floresta, a defesa dos rios, a defesa do meio ambiente… e tentar chamar atenção do poder público, da sociedade”.

 

Além de indígenas de diversos povos do Baixo Tapajós e do CITA, estiveram presentes nesta 4ª edição do Grito Ancestral representantes do Movimento Tapajós Vivo (MTV), do Conselho Indígena Tupinambá do Baixo Tapajós (CITUPI), do coletivo Juntos, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), do Movimento Negro, do Núcleo de Assessoria Jurídica Popular da Ufopa, entre outros parceiros.

 

Raquel Tupinambá, a mais jovem cacica do povo, ressaltou a importância do Grito Ancestral: “é um ato político, que tem essa função de chamar atenção para a destruição da Amazônia e do Rio Tapajós ser usado como esse meio de transporte [de]... madeira, os minérios, enfim, várias outras coisas… então é nesse sentido que a gente tem pensado esse evento. É tudo pra chamar atenção a nível local, das próprias aldeias, de a gente se reunir e falar sobre isso, pensar sobre isso, agir, ir até as balsas e fazer essa ação de manifestação”.

 

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