Quinta, 02 de Dezembro de 2021 00:45
093991489267
Cultura Opinião

Rituais indígenas: Espaços de cura e intercomunicação

.

17/11/2021 17h26 Atualizada há 2 semanas
Por: Erick Marques
Rituais indígenas: Espaços de cura e intercomunicação

Por: Erick Marques

 

No Brasil, desde a sua fundação é visível a diversidade de manifestações da fé. Porém, uma das menos conhecidas, é a de seus primeiros moradores. Os diversos povos indígenas do Brasil manifestam sua crença, dor e alegria através de rituais, que fazem subir ao criador suas preces através dos aromas, movimentos e sons tradicionais. Os indígenas brasileiros fazem dos rituais espaços de comunhão, partilhando em comunidade um sentimento comum e celebrando uma só realidade.

 

Esses espaços abrem margem para a intercomunicação, que nada mais é do que a comunicação verdadeira, recíproca, onde os indígenas passam a se conectar com seus ancestrais, com os seres que vivem em seus territórios, e principalmente, com  Ser Supremo que se manifesta através dos Encantados, em especial no ritual dedicado a estes espíritos que nos protegem, o ritual dos Encantados é a confirmação dessa comunicação verdadeira onde o indígena se comunica com os Encantados e também Eles se comunicam e se conectam com os indígenas. Aqui, na região do Baixo Tapajós, assim como em toda a Amazônia, os rituais recebem elementos típicos que enriquecem ainda mais esta manifestação.

 

A celebração indígena, ou seja, o ato de tornar célebre, inesquecível, os momentos de partilha e fé dos povos indígenas de nossa região são enriquecidos por elementos que são nossos, como a casca do tauari utilizado pelos pajés para evocar os Encantados através de sua fumaça que agrada o olfato de muitos, ou até mesmo as nossas ervas que sangram para dar o aroma dos banhos de cheiro utilizados nesses rituais, além de se unirem ao tabaco para preparar o rapé, um conjunto de ervas tradicionais que ao serem inalados nos conecta espiritualmente com nosso interior e também quem Aqueles que nos guiam.

 

Além de elementos, os rituais indígenas no Baixo Tapajós também trazem nomes fortes, de pessoas que zelaram e ainda continuam zelando pelos ritos originários que contribuem para o fortalecimento dos ensinamentos deixados por nossos ancestrais. São nomes como Laurelino Floriano da Cruz, que parecia conhecer o íntimo de nossa alma apenas com um olhar, que emanavam espiritualidade aos que o buscavam na aldeia Takuara. Hoje também temos nomes de muita força, como o de Nato Tupinambá, que com suas palavras e seus gestos inspiram respeito ao Grande Espírito Criador. Além de homens, existem mulheres, matriarcas, que se doam para a cura do corpo e da alma, mulheres como Dona Maria Tupinambá que demonstra a força e a sabedoria de nossas pajés, benzedeiras, médicas da floresta.

 

A conexão com o Ser Supremo exige respeito e muita fé, os rituais são espaços que transmitem esses sentimentos. Respeitar os ritos é respeitar tudo o que eles trazem, é respeitar a ancestralidade presente nos solos pisados com força na hora dos cantos embalados pelo toque dos maracás. Além disso, é reverenciar os espíritos que nos unem e nos dão força para lutar pela manutenção dos territórios que herdamos daqueles e daquelas que vieram antes de nós. E hoje, ver jovens inseridos nesses espaços, aprendendo sobre a cura da floresta é ter a certeza de que nossos Deuses nunca deixarão de ser reverenciados, e que nossos guerreiros e guerreiras nunca deixarão de receber as bênçãos dos encantados pelas mãos de um líder espiritual.

 

A Tupã, peço que nos guie e fortaleça nossa mente e nosso espírito, para lutar pelos nossos ideais, para que através da nossa cura interior possamos estar fortes para dar continuidade a cura da Terra, que sofre e grita pelo poder curativo das mãos indígenas.

Acesse as redes sociais do Tapajós de Fato: FacebookInstagram e Twitter.

Acesse ainda o Podcast Tapajós de Fato

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.