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Reportagem Especial Dia do Músico

Hoje, dia 22 de novembro, comemora-se o Dia do Músico: entenda os desafios enfrentados por eles durante a pandemia

Com a paralisação das atividades presenciais, muitos artistas se sentiram abalados

22/11/2021 19h49
Por: Tapajós de Fato
Hoje, dia 22 de novembro, comemora-se o Dia do Músico: entenda os desafios enfrentados por eles durante a pandemia

O Dia do Músico é comemorado em 22 de novembro por ser o mesmo dia em que a igreja católica comemora o Dia de Santa Cecília, a padroeira dos músicos.

Infelizmente, a data não é suficiente para  acabar com o preconceito sofrido diariamente pelos profissionais da área da música por desconhecimento da sociedade, que ainda vê essa profissão apenas como forma de lazer, como um hobby, e não como um trabalho. A realidade é que ser músico exige lidar diariamente com programadores, produtores culturais, falta de leis de incentivo e de representatividade de classe, com o público, de maneira geral, e com o descrédito de familiares e amigos.

Rafael Brito é licenciado pleno em música pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), pós-graduado em regência orquestral, maestro da Banda Filarmônica Municipal Professor José Agostinho e da Orquestra Sinfônica Filarmônica de Santarém e diretor da Academia de Música da Filarmônica. Ele concedeu entrevista ao Tapajós de Fato e falou sobre a valorização dos músicos em Santarém. Para ele, cada estilo da música (popular, erudito, educacional, entre outras) sente isso de forma diferente: "acho que a música popular, principalmente, ela é pouco valorizada, os músicos que atuam na música popular, ou seja, músicos que atuam tocando na noite, buscando carreira solo… são pouco valorizados", afirmou.

 

Desafios na pandemia

 

Neste ano, a música santarena perdeu dois importantes músicos e compositores: Sebastião Tapajós faleceu em outubro, por conta de um infarto, e Wander de Andrade cometeu suicídio no mesmo mês.

Como se essas perdas não bastassem, durante a pandemia, foram comuns os relatos de casos de ansiedade ou depressão em todo o país. O site do Hospital Oswaldo Cruz divulgou dados de uma pesquisa DATASUS, divulgada em novembro de 2020, em que a ansiedade aparece como transtorno presente em 86,5% dos 17.491 indivíduos adultos ouvidos pelo Ministério da Saúde, seguido de estresse pós-traumático (45,5%) e depressão grave (16%), no primeiro ano de pandemia.

Artistas formam um grupo bastante afetado por transtornos mentais como esses. No caso dos profissionais da música, especialmente, a falta de estímulos para cantar, tocar ou compor é frequente. 

Rafael Brito falou ao Tapajós de Fato sobre os impactos na pandemia na carreira dos músicos santarenos. Segundo seus relatos, os impactos foram fortes, principalmente porque paralisaram os ensaios, que dependem da presença dos músicos. Assim, foi preciso trabalhar on-line, com vídeos, "mas ainda assim, não é a mesma coisa de que você tocar em grupo, então afetou bastante a prática dos instrumentistas, a minha prática enquanto maestro", afirmou Rafael.

Devido a essa paralisação, que só terminou em agosto de 2021, os músicos se sentem presos, como se não evoluíssem em sua prática. A queda no desempenho provoca sentimentos negativos, que, se prolongados, podem evoluir para um quadro depressivo.

Com a retomada das atividades presenciais, espera-se que ensaios e apresentações dos músicos santarenos voltem a acontecer e a ser prestigiados, haja vista que a música pode colaborar para aliviar sintomas de ansiedade e depressão em quem a escuta e em quem a produz. 

 

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