Domingo, 23 de Janeiro de 2022
Notícias 1 ano sem licença

Coletivo Juntos! e Conselho Indígena Tapajós Arapiuns fazem manifestação contra a Cargill na Praça Vera Paz

A empresa, que tem porto de escoamento de grãos em Santarém, está operando há 1 ano na cidade com licença vencida.

26/11/2021 às 11h46
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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Coletivo Juntos! e Conselho Indígena Tapajós Arapiuns fazem manifestação contra a Cargill na Praça Vera Paz

Nesta quinta-feira (25), o Coletivo Juntos!, e o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA) se uniram em uma manifestação contra a produtora e processadora de alimentos Cargill, localizada na avenida Cuiabá, bairro Salé, em Santarém. Em suas redes sociais, o Juntos publicou fotos do ato com a seguinte legenda:

 

“Nem a fome, nem a destruição da Amazônia deveriam existir!

 

Hoje nós do Juntos! e o CITA (Conselho Indígena Tapajós Arapiun), fizemos uma ação em frente a Cargill, empresa de escoamento de grãos que está instalada em Santarém, demarcando espaço com uma faixa escrita "Nem a fome, nem a destruição da Amazônia deveriam existir! Parar a Cargill para salvar nosso território Fora agronegócio! Fora Cargill!".

 

A empresa Cargill, multinacional e com sede nos EUA, atua em Santarém há 18 anos e desde a sua implementação há destruição do nosso território e da nossa história. 

 

O porto graneleiro da Cargill foi construído em cima de um cemitério indígena, e já ocasionou uma série de impactos na nossa região. Principalmente para o povo indígena Munduruku do Planalto, que tiveram suas terras griladas e que agora veem a soja avançando cada vez mais. Os impactos da Cargill também afetam a pesca da região.

Em 22 de novembro de 2021 a Cargill completou 1 ano de atuação sem licença, enquanto segue explorando nossas terras e lucrando com nossas vidas.

 

Não podemos aceitar que o agronegócio siga destruindo nossas terras, exportando e lucrando, enquanto nosso povo passa fome, vê suas terras sendo invadidas e sendo envenenados por agrotóxicos. 

 

A nossa luta é contra a destruição da Amazônia. 

 

Parar a Cargill para salvar nosso território!

 

Fora agronegócio! Fora Cargill!”

 

Na segunda-feira (22), dia em que a Cargill completou 1 ano com licença para operações vencida em Santarém, membros de movimentos sociais da cidade reuniram-se, também na Praça Vera Paz. No ato, foram posicionados cartazes e uma faixa com dizeres de manifestação contra a empresa, fazendo referência à destruição da praia de Vera Paz e ao vencimento de sua licença para operar.

 

Sobre a Cargill

 

A Cargill é uma multinacional norte-americana que opera no Brasil desde 1965, sendo uma das maiores indústrias de alimentos do País. A empresa é voltada ao agronegócio – que ameaça populações tradicionais da região do Tapajós. A Cargill opera um porto em Santarém há quase 20 anos, impactando também o meio ambiente, a exemplo da perda de Vera Paz, antiga praia urbana muito frequentada inclusive por famílias de baixa renda. Além disso, o porto da Cargill às margens do rio Tapajós foi construído sem a apresentação dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA-Rima), sem consulta prévia, e com licenciamento irregular.

 

A Cargill não investe e não se empenha em melhorar as condições de vida das comunidades, que apenas sofrem com os impactos causados pelo porto. Os grupos mais afetados são os de indígenas, quilombolas, pescadores, agricultores familiares e extrativistas.

Por conta dos danos socioambientais causados por suas atividades, a Cargill vem enfrentando inúmeras denúncias de movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Assim, a empresa adotou o discurso da sustentabilidade como uma estratégia de ocultação dos danos que causa. Uma das estratégias utilizadas pela Cargill nesse sentido é conhecida como “maquiagem verde”, definida como a “promoção de uma falsa imagem de proteção ao meio ambiente feita por empresas por meio de discursos, propagandas e anúncios, que tem como foco principal demonstrar uma característica de responsabilidade social e ambiental que garantam a validação das mercadorias e o consequentemente consumo pela sociedade”.

 

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