Domingo, 23 de Janeiro de 2022
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Dia 29 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Onça-pintada

Conhecida como rainha da Amazônia, a onça-pintada é o maior felino das Américas e um dos animais que mais representam a Amazônia, mas corre risco de extinção.

29/11/2021 às 14h26
Por: Tapajós de Fato
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Dia 29 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Onça-pintada

Também conhecida como Jaguar ou Jaguaretê, a onça-pintada reina como predadora de topo de cadeia na Amazônia - onde há cerca de 10 mil delas -, cumprindo um papel importante na regulação da cadeia alimentar. É também nessa região que as maiores populações de onças-pintadas estão localizadas, principalmente nas áreas alagáveis e bem preservadas do bioma. Sidcley Matos, biólogo especialista em fauna selvagem, afirma que onças-pintadas podem ser encontradas em áreas como a Flona do Tapajós e em municípios como Belterra e Monte Alegre.

 

É pela importância desse animal e para o equilíbrio ecológico e por seu risco de extinção que o dia 29 de novembro foi oficializado como Dia Nacional da Onça-pintada, pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em 16 de outubro de 2018, com o objetivo de unir esforços em ações de divulgação sobre a importância ecológica, econômica e cultural da espécie. A mesma portaria que estabeleceu a data declarou a onça-pintada um Símbolo Brasileiro da Conservação da Biodiversidade. 

 

Ameaças à rainha

 

Originalmente, a onça-pintada podia ser encontrada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o centro-sul da Argentina e Uruguai. A espécie habitava diferentes ambientes, de florestas tropicais e subtropicais a regiões semidesérticas, de preferência ambientes próximos de curso d’água. Porém, a perda de habitat por influência do homem causou a extinção da espécie nos EUA. Assim, se restringiu a algumas áreas do México, alguns países da América Central e à maior parte da América do Sul. No Brasil, ela já ocupou todos os biomas, porém não existem mais relatos da espécie na região do Pampa.

 

Sidcley Matos afirma que outra importante ameaça às onças é o desaparecimento das suas presas naturais: "em muitas regiões onde ainda existem onças, as pessoas caçam queixadas, antas, veados e outras presas preferenciais das onças", explica. Em alguns casos, a falta de presas naturais faz com que as onças se voltem para o gado doméstico como alternativa de alimentação, o que a coloca em conflito com os proprietários desses animais.

 

Atualmente, segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), cerca de 50% da população total de onças-pintadas do mundo estão no Brasil, espalhadas pela Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Porém, o avanço do agronegócio, as queimadas e o desmatamento, que destroem o habitat da espécie, e a caça predatória ameaçam a sua existência. 

 

Mesmo na Amazônia, onde existem suas maiores populações, a onça-pintada já se encontra em estado vulnerável - categoria estabelecida pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) -, o que significa que sofre risco elevado de extinção na natureza em um futuro bem próximo, a menos que as circunstâncias que ameaçam a sua sobrevivência e reprodução melhorem. 

 

Além da destruição dos habitats, as onças sofrem com a caça predatória: na década de 1960, cerca de 15 mil peles de onça-pintada eram exportadas por ano. Elas têm sido caçadas desde o início da colonização por razões culturais, como a caça desportiva/recreativa; sociais, representando símbolo de status e força àquele que for capaz de capturar o animal; e econômicos - num primeiro momento, o comércio das peles e mais recentemente em função de eventuais ataques a rebanhos bovinos e outros animais de criação, gerando perdas financeiras aos criadores. 

 

Caçar e matar onças é ilegal - um crime segundo a Lei de Crimes Ambientais. O Artigo 29 destaca que o ato de “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestres, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente…" é punido com detenção de seis meses a um ano, e multa. Ainda assim, essas ações são praticadas em todo o país, com destaque para o estado do Pará: em 2016, três caçadores foram presos em flagrante, após exibirem fotos de uma onça-pintada morta nas redes sociais, no município de Trairão, no oeste do estado. Em 2019, um filhote de onça-pintada foi resgatado de um evento de caça na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. Maurício Santamaria, do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), afirmou na época que a mãe da onça não foi localizada, mas possivelmente havia sido abatida, pois dificilmente esse animal abandona um filhote.

 

Vale dizer que o desaparecimento da espécie pode levar ao desequilíbrio dos ecossistemas, pois as onças-pintadas são predadores e estão no topo da cadeia, o que significa que controlam populações de presas. A sua extinção provocaria a perda de biodiversidade e das condições do solo, além do aumento de espécies exóticas. 

 

Conheça melhor o maior felino da Amazônia

 

  • A onça-pintada é o maior carnívoro da América do Sul: ela é o terceiro maior felino do mundo e o único representante do gênero Panthera (que inclui leões, leopardos e tigres) no continente americano e pesa entre 60 e 160 quilos;

  • Ela é uma das espécies-símbolo do Brasil, ilustrando a cédula de 50 reais;

  • Onças-pintadas costumam viver sozinhas a maior parte do tempo, mas podem ser vistas em grupos no período de reprodução ou no início da vida, quando os filhotes são cuidados pela mãe;

  • Diferente do leopardo, a onça-pintada tem pintas com pintinhas menores dentro. Seu conjunto de pintas é como a impressão digital nos dedos dos seres humanos. Assim, não existem duas onças iguais. As onças-pretas (melânicas), que também são encontradas, possuem pintas que podem ser vistas em contraste com a luz;

  • Os seres humanos não estão na dieta das onças-pintadas, que evitam contato com o homem. As onças só atacam o ser humano caso se sinta ameaçada ou quando tenta proteger os filhotes ou o próprio alimento. Preguiças e macacos guariba, sim, estão entre alimentos preferidos do felino na floresta amazônica, além de tatus, antas, veados, jacarés, entre outros. quando o número destes animais diminui, geralmente por alterações ambientais provocadas pelo homem, as onças podem vir a se alimentar de animais domésticos e por esse motivo são perseguidas;

  • Machos e fêmeas encontram-se apenas no período reprodutivo; geram em média dois filhotes - em uma gravidez de 90 a 115 dias de duração - que permanecem com a fêmea até os dois anos de idade. Uma fêmea não gera mais do que 10 ou 12 filhotes ao longo de sua vida;

  • As onças-pintadas são encontradas em montanhas com até 3800 metros de altitude, mas preferem viver em locais com grande quantidade de água – como as margens dos rios e as áreas alagadas – e vegetação densa, de onde possam espreitar suas presas;

  • Na natureza, as onças vivem entre 11 e 15 anos; em cativeiro, geralmente vivem mais.

 

Em razão da redução da população de onças-pintadas, cada vez mais têm surgido projetos que buscam a conservação do animal. Atualmente, organizações como o Onçafari atuam na proteção das onças-pintadas. Há também o Plano Nacional (PAN) de Conservação da Espécie - instrumentos de política pública que têm por objetivo identificar as ameaças e pressões sofridas pela fauna e pelos ambientes naturais. o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também contribui nesse sentido: através do Cenap, coordena diversas iniciativas para a conservação da espécie, incluindo a coordenação de ações de conservação internacional, como o Jaguar RoadMap 2030, que inclui o combate ao tráfico internacional desse animal, criação de corredores entre fronteiras e promoção de ações conjuntas entre países. 

 

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