Domingo, 23 de Janeiro de 2022
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Equatorial fornece energia a garimpeiros ilegais e grileiros em terras indígenas no Pará

Os invasores recebem energia da empresa em duas terras indígenas da região do Médio Xingu, sem autorização da Funai e sem licenciamento do Ibama.

30/11/2021 às 21h42 Atualizada em 01/12/2021 às 18h33
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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Equatorial fornece energia a garimpeiros ilegais e grileiros em terras indígenas no Pará

A Equatorial Energia é uma das maiores distribuidoras do país e, assim como a Cargill, utiliza a estratégia da “maquiagem verde” – “promoção de uma falsa imagem de proteção ao meio ambiente feita por empresas por meio de discursos, propagandas e anúncios, que tem como foco principal demonstrar uma característica de responsabilidade social e ambiental que garantam a validação das mercadorias e o consequentemente consumo pela sociedade”.

 

A realidade é que a empresa vem fornecendo energia para redes de garimpo e grilagem ilegais que matam indígenas e desmatam áreas protegidas. Isso está ocorrendo em duas terras indígenas da região do Médio Xingu (PA), sem autorização da Funai e sem o licenciamento do Ibama, exigidos pela lei. Os órgãos emitiram pedidos pela interrupção com a distribuição ilegal, mas a Equatorial continuou servindo os garimpeiros. Na imprensa, representantes da Equatorial alegam que cumprem todos os requisitos ambientais na distribuição no Pará.

 

Em São Félix do Xingu (PA), a Equatorial abastece a Vila Renascer, que fica na Terra Indígena Apyterewa. O vilarejo é ilegal e serve de apoio a garimpeiros e grileiros. A Folha de São Paulo mostrou, em uma reportagem em 2020, que há dezenas de quilômetros de postes de luz no acesso para a Vila e dentro da mesma. Dois meses depois, a Funai notificou a Equatorial para remover a estrutura da TI em até 7 dias, mas a empresa não obedeceu e foi multada em R$201 mil.

Em outra área, na região do médio Xingu, também no Pará, a empresa vem lucrando com o desmatamento florestal e com a morte de indígenas. Trata-se da Terra Indígena Ituna/Itatá, interditada pelo governo, em 2011. Em fevereiro daquele ano, a empresa foi multada em R$2,51 milhões pelas instalações elétricas irregulares, sem autorização da Funai ou do Ibama. Na época, a empresa também se recusou a retirar a estrutura da região. A Equatorial havia pedido permissão para instalação nessa área, que foi negada pela Funai e pelo Ibama, mas fez as instalações assim mesmo.

 

Nos dois territórios indígenas, a situação é preocupante: a Apyterewa foi a terra indígena mais desmatada do Brasil entre agosto de 2020 e julho de 2021, segundo o Inpe, tendo 11% de sua vegetação nativa transformada em pasto. Já a região de Ituna/Itatá foi a mais devastada do país em 2019, com 11.990 hectares desmatados.

 

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