Domingo, 23 de Janeiro de 2022
Saúde Prevenção

Campanha “Dezembro Vermelho” é voltada à conscientização sobre a AIDS

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, causada pelo vírus HIV, atingiu 251 paraenses no primeiro semestre deste ano.

02/12/2021 às 14h58
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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Campanha “Dezembro Vermelho” é voltada à conscientização sobre a AIDS

Entre os anos 1980 e junho do ano passado, o Ministério da Saúde apontou mais de 1 milhão de portadores de AIDS no Brasil, mas hoje, no país, 92% das pessoas em tratamento já atingiram o estágio de estarem indetectáveis - estado em que a pessoa não transmite o vírus e consegue manter a qualidade de vida sem manifestar sintomas. No mundo, desde o fim dos anos 1970, mais de 33 milhões de pessoas morreram por causa da doença. Porém, no início deste século, o cenário mudou para melhor em todo o globo: dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2000 a 2019,  mostram que as infecções pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) caíram 39%, e as mortes relacionadas a ele caíram 51%.https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1429909&o=nodehttps://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1429909&o=node 

 

No Pará, o número de casos também diminuiu: em 2019, foram 822 casos; em 2020, 468 casos e, no primeiro semestre de 2021, 251 casos registrados. Ainda assim, vale dizer que a epidemia brasileira é concentrada em alguns grupos sociais e que, muitos desses estão presentes no estado, como é o caso de negros, indígenas e pessoas em situação de rua. Outros grupos que são mais acometidos pela doença são os LGBTQIA+, usuários de álcool e outras drogas, presidiários e trabalhadoras do sexo.

O HIV e, consequentemente a AIDS, pode ser contraído pela prática de relações sexuais sem camisinha, pelo uso de seringa por mais de uma pessoa, por transfusão de sangue contaminado, de mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação, ou por instrumentos que furam ou cortam não esterilizados. A doença não é transmitida por meio de: sexo com camisinha, beijo no rosto ou na boca, suor e lágrima, picada de inseto, aperto de mão ou abraço, sabonete/toalha/lençóis, talheres/copos, assento de ônibus, piscina, banheiro, pelo ar.

O vírus causador da AIDS ataca diretamente o sistema imunológico da pessoa infectada. Os glóbulos brancos, células desse sistema, organizam e comandam a defesa contra vírus, bactérias e outros microrganismos. O HIV penetra nos glóbulos brancos, fazendo com que o sistema de defesa perca a capacidade de responder adequadamente, e isso torna o corpo mais vulnerável a doenças. Quando o organismo não tem mais forças para combater os microrganismos, a pessoa adoece mais facilmente – nesse caso, ela já tem AIDS. No início, os sintomas podem se parecer com os de uma gripe, como febre e mal-estar. No estágio mais avançado, o doente pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer

 

Para conscientizar a população sobre a AIDS, surgiu a campanha “Dezembro Vermelho”, aprovada pela Lei nº 13.504/2017 como forma de gerar mobilização nacional na luta contra o vírus HIV, a Aids e outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis). A ação tem o objetivo de chamar a atenção para a prevenção, a assistência e a proteção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV.

 

Breve histórico da doença

 

Em 1981, foram notificados os primeiros casos de AIDS, que na época afetava principalmente homens gays. Hoje, quatro décadas depois, a AIDS já causou a morte de mais de 35 milhões de pessoas – e ainda há 36,9 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS no mundo, que vive um cenário de epidemia dessa doença. Além desse caso extremo, existe outro grande problema relacionado aos portadores do vírus e da AIDS: o preconceito e a discriminação, que são os principais obstáculos para a prevenção, o tratamento e o cuidado.

 

No Brasil, um longo episódio ficou marcado quando se fala de AIDS. Trata-se do ocorrido na antiga Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru. Um trabalho desenvolvido no local, pelo médico Dráuzio Varella, em 1990, mostrou que 17,3% dos presos da Detenção estavam infectados pelo HIV; foram dois os fatores de risco mais encontrados: uso de cocaína injetável e número de parceiros sexuais no ano anterior à pesquisa. Foram analisados também 82 travestis presos no Carandiru, dos quais 78% eram portadores do vírus. 

 

A proibição do uso de drogas na Casa de Detenção favorecia a infecção por AIDS, pois estimulava o uso comunitário de seringas e agulhas, que podiam ser alugadas ou vendidas já cheias de droga – a agulha passava sem nenhum cuidado de braço em braço. A diminuição dos casos de AIDS entre os presidiários começou a ocorrer com a substituição da cocaína injetável pelo crack: em janeiro de 1994, quatro anos após o início do estudo no Carandiru, havia 13,7% dos presos infectados pelo HIV (contra 17,3% na pesquisa de 1990). 

 

Além disso, a AIDS atingiu muitos travestis da Casa de Detenção. Com o vírus no organismo, eles chegavam à enfermaria com tuberculose avançada, feridas no períneo, os seios definhados pela interrupção da pílula de hormônio e o silicone industrial infiltrado nos músculos fracos. A infecção acontecia principalmente devido à falta de preservativos disponíveis no presídio, na época.

 

Preconceito, prevenção e tratamento 

 

O preconceito e a discriminação estão entre os principais obstáculos para a prevenção e o tratamento do HIV/AIDS. O preconceito está ligado às crenças, atitudes e sentimentos negativos em relação às pessoas vivendo com o HIV; a discriminação refere-se ao tratamento desigual e injusto de um indivíduo baseado em seu estado HIV real ou percebido. 

 

Esses pensamentos e atitudes prejudicam os esforços no enfrentamento à epidemia do HIV, porque faz com que as pessoas tenham medo de buscar informações, serviços e métodos que reduzam o risco de infecção e de adotar comportamentos mais seguros por medo de serem suspeitas em relação ao seu estado sorológico. Por exemplo, uma pessoa pode deixar de usar preservativo (ou não pedir para o parceiro usá-lo) ou deixar de fazer um teste para o HIV em um posto de saúde, por medo de que suspeitem dela.

 

Para a prevenção do HIV, a camisinha ainda é o método mais acessível e eficaz, devendo ser utilizada em todas as relações sexuais. Além dela, existem outros dois métodos para prevenir a infecção: a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP); e a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP). A PrEP é indicada para pessoas com parceiros soropositivos, por exemplo, e consiste na ingestão diária de um comprimido que impede que o HIV infecte o organismo, antes mesmo de a pessoa ter contato com o vírus. A PEP é indicada para aqueles que passaram por uma situação de risco, como ter feito sexo sem camisinha, por exemplo, e consiste no uso de medicamento em até 72 horas após a exposição, devendo ser continuado por 28 dias.

 

Se o teste de HIV der positivo, é preciso cuidar do psicológico da pessoa, pois a aceitação da doença não é fácil de ser alcançada. O doente pode negar que tem o vírus, sentir raiva de si mesma e talvez da pessoa ou local onde ela tenha sido infectada, tentar barganhar para sair do quadro e, por fim, entrar em um quadro depressivo. Além disso, apesar de o acesso em países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda deixar a desejar, há tratamento, que ficou mais simples e protege a pessoa infectada: o número de medicamentos antirretrovirais diminuiu, e os sintomas também. Esse tratamento é feito com acompanhamento médico, por meio de remédios antirretrovirais. Assim, o vírus não é mais transmitido, pelo menos durante a relação sexual.

 

Todos os métodos de prevenção e tratamento são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

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