Sábado, 22 de Janeiro de 2022
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CITA escolhe nova coordenação para atuar nos próximos dois anos

A entidade que representa os povos indígenas de Santarém, Belterra e Aveiro será coordenada por Auricélia, do povo Arapiun, que na última gestão atuava como vice-coordenadora.

08/12/2021 às 13h19
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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CITA escolhe nova coordenação para atuar nos próximos dois anos

O Conselho indígena Tapajós Arapiuns (CITA) representa 13 povos da região do Baixo Tapajós divididos em 76 aldeias, dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro. A entidade existe há mais de 20 anos e sempre lutou pela defesa dos direitos dos povos indígenas. Do dia 06 de dezembro até hoje(08) está sendo realizada a Assembleia Geral, na tarde da terça-feira (07), foi eleita a nova coordenação da organização que conduzirá os trabalhos pelos próximos dois anos.

O mandato da coordenação do CITA  tem período de dois anos, no entanto, a última coordenação teve o prazo estendido para três anos devido a pandemia de Covid-19, somente agora o CITA considerou ser seguro realizar a Assembleia Geral, pois todos os indígenas já estão vacinados. 

 

O mandato da última coordenação

Ednei Arapiun, do povo Arapiun, território Maró, era o coordenador do Conselho Indígena e falou ao Tapajós de Fato um  pouco dos desafios que o CITA  enfrentou nos últimos três anos. ”O Conselho Indígena é responsável por buscar políticas públicas para as mais de 70 aldeias que tem no senso do CITA, o desafio foi sempre está buscando melhoria na saúde, melhoria na educação e fazer com que os territórios fossem demarcados”.


Ednei Arapiun conta que os problemas ficaram ainda mais agravados com o avanço da pandemia nos territórios. "A gente teve muito trabalho quando tentou buscar recursos para levar cestas básicas para dentro das aldeias”. Além da pandemia, os indígenas precisam se fortalecer ainda mais para lutar contra as políticas de retirada de direitos feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, Ednei Arapiun disse que “o governo aproveitou a pandemia para tirar nossos direitos, para querer fazer com que a gente fosse excluído”. O então coordenador do Conselho Indígena sempre esteve atento aos Projetos de Lei que eram discutidos  no congresso que ameaçavam o direito à vida dos povos indígenas.

Em 2021, indígenas de todo o Brasil acamparam em Brasília para lutar contra o PL 490  e a votação do Marco Temporal no STF. Os povos indígenas do Baixo Tapajós fizeram caravana para se juntar aos demais povos em Brasília. Ednei relembrou como ocorreu esse processo, “a gente está nessa luta desde abril deste ano, na Semana dos Povos Indígenas a gente já articulou  e levou 15 lideranças para Brasília para acompanhar o Projeto de Lei 191”, que liberava a mineração dentro de Terras Indígenas.  O Levante pela Terra foi outra atividade de resistência dos povos indígenas contra os projetos de ameaça aos povos.

O Acampamento Terra Livre (ATL), realizado entre os meses de agosto e setembro de 2021 reuniu milhares de indígenas de todos os biomas do Brasil. Da região do Baixo Tapajós foram três ônibus com cerca de 150 pessoas, “uma luta que para nós é muito importante que é o julgamento de um território que não é nosso, mas impacta todos os territórios, principalmente os do Baixo Tapajós, que iniciaram os pedidos de demarcação a partir de 1998”- Disse Ednei Arapiun.

Ednei disse que espera que a nova coordenação, “continue alinhada, lutando pela defesa dos territórios e todos os direitos indígenas, temos territórios ameaçados por madeireiros e sojeiros. E que articule dentro das aldeias para retirar o Bolsonaro do poder”.

 

 A nova Coordenação

Auricélia Arapiun é a nova coordenadora do Cita. Dos 113 delegados  que votaram na Assembleia Geral, outras pessoas também foram indicadas à coordenação, mas Auricélia Arapiun foi eleita com 68 votos. 

Auricélia era a vice-coordenadora do Conselho indígena e vivenciou muitos desafios juntamente com Edinei Arapiun. Em entrevista ao Tapajós de Fato ela contou que entrou na coordenação do CITA no mesmo ano que Bolsonaro foi eleito e que isto  “foi desafiador, aí começa os ataques, começam os desmonte das políticas indigenistas e ataques aos direitos dos povos indígenas”. Auricélia Arapiun disse ainda que os ataques sempre foram muito direcionados aos territórios indígenas, então, sempre buscaram atuar na defesa de direitos “nós tivemos, claro, que acessar a justiça  para a garantia de direitos”. 

A nova coordenadora aponta ainda um dos resultados da luta do Cita,  que foi conseguir criar um GT, “que é o GT do Planalto, a única Terra indígena do Brasil que tem, e só foi possível através de um acordo judicial”.

Sobre ter sido escolhida na Assembleia Geral para coordenar o CITA pelos próximos dois anos, Auricélia Arapiun acredita que é “pelo reconhecimento de um trabalhador árduo que nós fizemos nessa coordenação”

Auricélia Arapiun fala do interesse em reforçar os laços com as organizações que já são parceiras e também construir novas parcerias para fortalecer a luta.  deseja também promover formação e geração de renda para os indígenas “a partir do manejo que já é feito nas aldeias, já fizemos conversas com organizações para firmar parcerias de fortalecimento econômico nos territórios”.

A preocupação com o governo federal também é pauta da nova coordenação, Auricélia Arapiun disse que continuarão “fazendo  esse enfrentamento de resistência, fazer mobilização, pois o cenário de construção para as eleições de 2022 começa na base, começa em uma assembleia, começa com uma conversa com as aldeias e a gente fazendo essa análise de conjuntura, não está fácil, mas a gente tem que ter esperança e muita resistência para lutar contra o governa essa política  que está voltada para atacar os povos.

Auricélia disse ainda que os trabalhos não vão para  “a gente tá aí com esses desafios todos pela frente, de tantos ataques aos direitos povos indígenas. é uma região extensa, são 76 aldeias , 13 povos indígenas e a gente que continuar na mesma linhagem de atuação” 

 

 

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