Sábado, 22 de Janeiro de 2022
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Jovens em defesa da justiça climática são destaque na 3ª edição do projeta talks

Evento busca reverberar vozes de jovens lideranças em transmissão ao vivo na próxima quinta-feira, 09, das 16h às 18h, pelo canal do Portal Proteja no YouTube

09/12/2021 às 09h28
Por: Tapajós de Fato
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É com a premissa de reverberar as vozes de jovens lideranças que atuam no combate à crise climática por meio de suas identidades e de seus territórios que a 3ª edição do Proteja Talks será realizada no próximo dia 9 de dezembro, a partir das 16h (horário de Brasília), pelo canal do Portal Proteja no YouTube. Cinco jovens ativistas ambientais brasileiros irão compartilhar suas histórias de inspiração e de resistência pela justiça climática em um bate-papo ao vivo com o público conectado.

 

O Proteja Talks busca promover espaços de troca entre atores da sociedade engajados ou interessados na defesa das áreas protegidas, evidenciando vozes de povos indígenas e de comunidades tradicionais, criando pontes com escolas, universidades, setor público e privado, gestores de áreas protegidas, jornalistas e comunicadores. 

 

Para a coordenadora executiva do Proteja e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Sylvia Mitraud, o saldo é de fortalecimento de conexões entre aqueles que estão na linha de frente, atingidos diretamente pelas mudanças climáticas: “As edições anteriores do Proteja Talks consolidaram um espaço no qual diversos atores que estão engajados na proteção das áreas protegidas possam dialogar. Já passaram pelo nosso evento pesquisadores, gestores, indígenas e comunidades tradicionais, cada um trazendo seu testemunho sobre a importância dessas áreas, sobre as ameaças que enfrenta e sobre as oportunidades observadas.”

 

As áreas protegidas do Brasil são as terras indígenas e as unidades de conservação, bem como os territórios nacionais que por lei ou tradição têm por objetivo a proteção ambiental. 

 

As populações que residem ou fazem parte desses territórios e de seu entorno são as primeiras a sofrerem os impactos da emergência climática, decorrente do aumento da temperatura média do planeta por conta das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE). O avanço do desmatamento, a agropecuária, a extração de petróleo, a pesca desenfreada e o despejo de poluentes nos oceanos são alguns dos fatores que fizeram o Brasil aumentar, na contramão do mundo, as emissões no último ano, crescendo 9,5%, enquanto no mundo inteiro elas caíram em 7%, segundo dados da nova estimativa do Sistema de Estimativas de Emissão de Gases do Efeito Estufa (SEEG). 

 

Isso se deve ao aumento do desmatamento na Amazônia, que neste ano bateu novo recorde. De acordo com os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que monitora a floresta por meio de imagens de satélites, no acumulado dos dez meses de 2021 o desmatamento no bioma chegou a 9.742 km², pior índice da última década. Em comparação ao ano passado, nesse mesmo período, houve uma alta de 33%.

 

Frente a esse cenário, é preciso fazer ecoar as vozes das juventudes negras, quilombolas, indígenas e ativistas que protagonizam a defesa e a conservação dos territórios. Só assim conseguiremos frear os efeitos das mudanças climáticas. É a partir desse entendimento que a 3° edição do Proteja Talks traz a temática “E aí, bora entrar no Clima?”, com o intuito de convidar mais jovens a se aproximarem das pautas da emergência climática, conforme explica Tainá Aragão, integrante do conselho consultivo da iniciativa Proteja pelo Instituto Socioambiental (ISA): “As mudanças climáticas são transformações a longo prazo nos padrões de temperatura e clima, principalmente causadas por atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis. Essas ações antrópicas precisam ser revistas e outros tipos de sociedade precisam vir à tona. Nesse sentido, nasce o tema deste ano do Proteja Talks, um canal de diálogo e formação sobre o papel das juventudes para conter e denunciar os crimes que incidem sobre as mudanças climáticas. O tema é emergente e envolve uma transformação em diferentes eixos - da economia, das matrizes energéticas - e, sobretudo, em novos padrões de ocupação humana no planeta. Quem melhor para imaginar outros futuros que os jovens?”. 

 

A juventude tem, cada vez mais, protagonizado ações em defesa dos seus territórios e de combate à emergência climática, possibilitando visibilidade na mídia e, principalmente na internet, sobre essas pautas. 

 

Por isso, a 3ª edição do Proteja Talks traz cinco nomes de jovens que se destacam na agenda ambiental: Kaianaku Kamaiurá, indígena e ativista da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Mato Grosso (FEPOIMT); Heloiá Carneiro, quilombola da comunidade do Bairro Alto de Salvaterra no Marajó (PA) e estudante de Jornalismo; Hannah Balieiro, bióloga, ativista ambiental, presidente da ONG amapaense Instituto Mapinguari e voluntária na Rede de Jovens Líderes em Áreas Protegidas e Conservadas da América Latina e Caribe (ReLLAC-J) atuando na iniciativa Jovens Vozes da Amazônia para o planeta; Bruno Obara, produtor cinematográfico e brigadista florestal voluntário na SIMBiOSE, uma ONG associada à Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNVB); e Jorge Ricardo Valentim, agente ambiental voluntário da biodiversidade na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista, localizada na margem esquerda do rio Negro em Manaus (AM).

 

Hannah Balieiro, paraense radicada no estado do Amapá, relata sobre sua relação de identidade com o seu território. “Eu moro em zona urbana, sou uma mulher preta e me identifico muito com o meu território. Sempre trago as questões sobre Amazônia e sua autonomia dentro dos meus discursos, entendendo que não tem como falar sobre justiça climática sem falar de culturas, de territórios, de gênero e de raça - todas essas interseccionalidades como chamamos -, porque diretamente ligado a isso surgem as consequências da emergência climática”.

 

Já Heloiá traz a sua vivência enquanto quilombola e os desafios dos povos originários. “Nós enfrentamos vários problemas, principalmente com fazendeiros que se instalaram e invadiram nossos territórios alegando que nós não temos a titularização das terras que comprove que somos quilombolas. Um ambiente onde eles exploram as nossas matas e os nossos meios de subsistência. E o movimento vem para trazer pros jovens essa noção de identidade e possam defender a si mesmos e o nosso território”. 

 

Essas e outras vivências de uma juventude que está à frente da atuação pela justiça climática no Brasil serão compartilhadas no dia 9 de dezembro, das 16h às 18h, ao vivo no canal do YouTube do Portal Proteja. E aí, bora entrar no clima?

 

Sobre o Proteja Talks

 

O Proteja Talks é organizado pelo Portal Proteja, uma iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Socioambiental (ISA) e do Woodwell Climate Research Center para facilitar o acesso a  informações sobre áreas protegidas no Brasil. Outras 12 instituições se somam à construção colaborativa do Proteja: uma grande biblioteca digital organizada por especialistas, de acesso gratuito e à disposição de toda a sociedade. 

 

A coordenadora Sylvia Mitraud lembra as duas edições anteriores do Proteja Talks e ilustra as expectativas para o terceiro encontro. “O primeiro evento lançou o Portal Proteja ao público e alcançou uma audiência mais ampla entre organizações e indivíduos interessados nas áreas protegidas. Já o  segundo evento, realizado em parceria com a iniciativa ‘Um Dia no Parque da Rede Pró-UC’ [unidade de conservação], ampliou a audiência do Proteja para públicos que buscam criar pontes lúdicas entre áreas protegidas e populações urbanas por meio da visitação, das artes e do voluntariado. Para esta edição, esperamos inaugurar um diálogo entre jovens dentro e fora de áreas protegidas”.

 

Serviço

 

Data: 09 de dezembro de 2021

Horário: das 16h às 18h (horário de Brasília) 

Transmissão ao vivo pelo Youtube: youtube.com/PortalProteja

 

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