Terça, 18 de Janeiro de 2022
Amazônia DESTRUIÇÃO

O que está acontecendo com o rio Tapajós? Imagens revelam coloração diferente do “normal”

Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais, fotos e vídeos, mas o caso também foi percebido por quem mora às margens do rio.

05/01/2022 às 16h08 Atualizada em 05/01/2022 às 16h11
Por: Tapajós de Fato
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O rio Tapajós tem sofrido muitas transformações por conta   da ação do homem nos últimos anos.  Portos, rodovias, hidrelétricas, fluxo intenso de barcaças e navios, desmatamento e, principalmente, o garimpo, vem matando, além do rio, os povos  que vivem às margens do Tapajós.

 

Nos últimos dias,  tem circulado nas redes sociais, fotos e vídeos, bem como também tem sido percebido por quem mora às margens do rio, seja em Jacareacanga, Itaituba, Aveiro e Santarém, que as águas  estão com uma coloração diferente. O Tapajós está com suas águas barrentas.

 

O médico Erik Jennings Simões, compartilhou em suas redes sociais imagens que mostram  que, apesar de já está no período de chuva na região amazônica, o rio Arapiuns ainda mantém, mesmo com tudo que o impacta, a beleza das águas limpas e azuis.Bem diferente do que ocorre no Rio Tapajós, que aparece com as águas barrentas. Muitos internautas associaram as mudanças na cor do Tapajós às atividades de garimpo que ocorrem na região do Médio e Alto Tapajós.

 

No vídeo, Erik Jennings colocou na legenda: "Não é chuva. É o homem!”. Confira o vídeo:

 

 
 
 
 
 
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Em outra postagem, o médico colocou a seguinte legenda: “O rio Tapajós que era azul esverdeado agora em dezembro já é cor de lama. A cada ano a ‘janela’ de águas claras tem seu tempo reduzido. As águas turvas trazem sedimentos com mercúrio, arsênio, chumbo e outros metais pesados altamente lesivos à saúde humana, à flora e à fauna."

Confira:

 
 
 
 
 
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O Tapajós é fonte de vida, mas é também a fonte de renda de milhares de famílias ao longo do rios, isso porque a região do Tapajós é uma  das que possui maior potencial turístico do Brasil, devido às belezas naturais.

 

Daniel Gutierrez que  trabalha com  turismo de barco há cerca de 10 anos na região de Santarém, conta que é apaixonado pelas belezas do Tapajós. Ele diz que a cidade de São Paulo, de onde é sua origem, é: "cheia de rios, mas todos poluídos e canalizados, é uma cidade que cresceu de costas para o rio e essa é a minha preocupação que aconteça aqui”, diz Daniel. 

 

Durante os passeios ele  conta que  sempre busca mostrar a realidade do rio Tapajós. “O pessoal que vai comigo, os turistas,  faço eles perceberem o Arapiuns em comparação ao Tapajós. Que são rios irmãos é uma água  muito parecida, aí eu mostro para eles  e falo: olha aqui o Arapiuns como ele tá”.  O rio Arapiuns é um rio que não tem nenhuma cidade em suas margens, apenas comunidades tradicionais e aldeias indígenas, mas enfrenta grandes problemas com  atividades de madeireiras.

 

Daniel disse que faz questão de mostrar a diferença. “Faço eles entenderem a comparação com Tapajós que vem de Itaituba, que vem de garimpo como que Santarém por exemplo trata o esgoto  joga tudo no rio”. 

 

O rio Tapajós é um dos mais cobiçados de toda a Amazônia, por estar em uma região estratégica  para diversos empreendimentos, como o agronegócio, por exemplo, além de ser muito rico em ouro. No entanto, para que a região continue com sua exuberância natural e sendo fonte de vida para todas as vidas em seu entorno é preciso preservar  e defendê-lo das cobiças que estão lhe  destruindo. 

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