Domingo, 23 de Janeiro de 2022
Reportagem Especial Homenagem

Dia do Compositor: Relembre a história de Wander de Andrade, que nos deixou em 2021

O TdF conversou com Ádria Góes, companheira de vida, e de grandes parcerias do compositor.

15/01/2022 às 10h59 Atualizada em 15/01/2022 às 11h33
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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Foto: Reprodução
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O  grande compositor

Natural do município de Óbidos, oeste do Pará, Wander de Andrade, além do majestoso talento para compor músicas, era também professor da rede estadual e da rede privada, no município de Santarém. Dividia emoções, desafios, tristezas e alegrias com sua esposa, amiga e parceira, Ádria Góes, que  também é cantora e educadora, juntamente com a semente dessa linda união, a pequena Sophia, de nove anos de idade.

Seu jeito simples e  descontraído sempre animavam quem estava ao seu redor, seja contando histórias ou tocando um violão. Suas aulas nunca eram iguais, sempre procurava uma forma de animar ao repassar conhecimento para seus alunos do melhor jeito possível, por meio da arte e da poesia.  

 

As composições

Quando Ádria Góes conheceu Wander Andrade ele já estava trilhando o caminho das composições.  Ela conta que “ele já tinha lançado o CD Casarios com composições que homenageavam a cidade de Óbidos, sua terra natal”.  Além do CD, Wander  já tinha também “dezenas de outras composições sobre diversos temas e também já era vencedor de dois festivais da Canção em Porto Trombetas”. 

Com talento ímpar para criar, Ádria falou que Wander de Andrade, “em suas composições, a PALAVRA era tratada como rainha, nada era escrito por acaso, não existia rima à toa e as figuras de linguagem coroavam com sofisticação cada música. Era o que Carlos Rennó, em seu livro Poesia Literária e Poesia da Música (2003) conceituou como POEMÚSICA”.

 

As inspirações

Wander era Sociólogo de formação, com ênfase em Antropologia e amava “viajar por esses ‘interiores’ para coletar histórias e causos, conhecer gente simples e estar no meio da natureza, no lugar onde tudo acontecia”. Depois de um tempo, se formou em Filosofia,  “enveredou mais ainda pelo imaginário amazônico. Fez especialização em Artes, era leitor ferrenho de poesia, literatura estrangeira e brasileira. E tinha um ouvido apurado, sabia guardar os ‘sons que eram soprados para ele’ (era assim que ele se referia sobre alguma melodia que vinha antes da letra). Essa era a inspiração dele: muito estudo, muita leitura, pesquisa antropológica, um pouco de intuição e muita paixão”. Disse Ádria.

 

Artistas que gravaram as músicas de Wander de Andrade

 

Ádria comenta que Vários artistas gravaram, dentre eles, “um grupo excepcional de músicas nortistas Grupo Imbaúba [da cidade de Manaus], a cantora Márcia Siqueira também amazonense, Garantido [Parintins], o Coro Cênico da UNAMA [Belém], o Coral da FIT aqui em Santarém e, recentemente, a cantora santarena Priscila Castro” Além da própria esposa, para qual Wander sempre compunha especialmente.

Sobre as  composições de Wander de Andrade, Ádria diz que as que mais a marcaram foram: “Canto de Embiara que foi nossa primeira parceria; Muiraquitã que ele fez para nós; e de todas as composições pensadas para a minha voz, especialmente as de festival ( Braços da Espera foi inesquecível)”,disse a cantora.



A modéstia nas letras  e as conquistas nos festivais junto de sua amada

Quando  perguntavam ou quando ele precisava entregar algum release para ser jurado em eventos, com um sorriso no rosto ele falava "tem uma modinha só, meu mano…Wander sempre foi modesto", disse Ádria.

 

Ádria relembra os festivais e prêmios que ganharam juntos. “Em 2005, quando nos conhecemos, cantei a música dele Trilha da Quimera no festival da Canção de Porto Trombetas, e conquistamos o 1° lugar,  melhor letra e melhor intérprete”.

 

Desde que se conheceram  16 anos de participação em Festivais em vários lugares “e, em todos, conquistamos premiações (1°, 2°, 3°,  melhor letra, aclamação popular, melhor interpretação… variava bastante) No SERVIFEST, Festival do Servidor Público, sempre ganhávamos na etapa de Santarém e representávamos a cidade na final e, em 2017 e 2019 conquistamos o 1° lugar, foi maravilhoso para nós!” relembrou. 


Wander  de Andrade deixou um grande legado. Ádria Góes diz que sua missão agora é organizar toda a produção do marido: músicas, poemas, contos; catalogar, registrar o que ainda não foi registrado, publicar e cuidar para que toda a obra de Wander de Andrade seja declarada como Patrimônio Cultural e imaterial de sua cidade natal. Ele ficaria muito feliz com isso.

 

Para os amigos, familiares, alunos e todos  que acompanhavam seus trabalhos, Wander está fazendo muita falta. Partiu, mas cumpriu seu papel como cidadão, colaborando na formação educacional de centenas de estudantes, bem como, para a arte, que, com suas poesias, poemas e músicas alegra e leva uma mensagem de afeto, alento, amor e cura a todos que ouvem  interpretado por outros artistas  ou lêem  as majestosas palavras nas  criações de Wander de Andrade.

Fotos:Redes Sociais de Ádria Góes

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