Quinta, 26 de Maio de 2022
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Draga que seguia para a região de garimpo de Itaituba é apreendida em Santarém

A circulação de embarcações do tipo vem chamando a atenção da sociedade, uma vez que o rio Tapajós está com suas águas sujas de lama

20/01/2022 às 17h49 Atualizada em 25/01/2022 às 11h59
Por: Tapajós de Fato
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Segundo informações, a draga não possuía Licença de Operação, que deve ser emitida pelo órgão de licença ambiental. O rio Tapajós está com suas águas sujas de lama, e uma das suspeitas para essa alteração é o garimpo ilegal.

 

Na noite da quarta-feira, 19 de janeiro,  a Capitania dos Portos apreendeu uma draga de sucção de minério, na cidade de Santarém, oeste do Pará. Segundo informações, a draga não possuía Licença de Operação, que deve ser emitida pelo órgão de licença ambiental.  

 

Quando interceptada pela Marinha do Brasil, a embarcação seguia em direção ao município de Itaituba, na parte média  do rio Tapajós, onde há intensas atividades de garimpo ilegal, assim como na região do Alto Tapajós.

 

 
 
 
 
 
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A circulação  de embarcações do tipo vem chamando a atenção da sociedade, uma vez que  o rio Tapajós está com suas águas sujas de lama, e uma das suspeitas para essa alteração é o garimpo ilegal e desenfreado que assola a região. O Tapajós de Fato denuncia o avanço do garimpo há muito tempo, assim como notícia as operações policiais que afetam a vida  de todos os povos do Tapajós.

  

A  draga é um equipamento usado para retirar o ouro do fundo do rio. São utilizadas longas mangueiras acionadas por pequenos geradores de energia que sugam a terra e tudo o que encontram no fundo. Depois, todo esse material é filtrado e devolvido à água. O ouro fica retido na esteira montada na embarcação, e a lama  resultante do processo é despejada novamente no rio. Acompanhado da lama vai também  a substância do mercúrio, que contribui ainda mais para a destruição e adoecimento do rio.

 

Mesmo diante de todas as situações denunciadas, casos de violência, como o que aconteceu no primeiro semestre de 2021, quando a  casa onde vivia a liderança indígena do povo Munduruku, Maria Leusa Kaba, foi incendiada e todos que estavam no local tiveram suas vidas colocadas em risco em diversos veículos de comunicação, imagens das áreas destruídas pelo garimpo. Ainda há quem defenda que as atividades de garimpo não estão prejudicando o rio Tapajós. 

 

Até o momento, o governo do estado do Pará enviou apenas uma aeronave para sobrevoar a região do rio Tapajós, em resposta a um post do Tapajós de Fato, o governador do Pará, Helder Barbalho - MDB, mesmo diante dos fatos falou que “ainda não é possível determinar as causas da turbidez que o Rio Tapajós tem apresentado nos últimos dias.  O Governador  diz ainda que “não se pode afirmar se é fruto da ação direta do homem ou se é o volume das chuvas que está caindo na região”.

 

Resposta do Governador Helder Barbalho a um tweet do TdF.

 

Até o fechamento desta matéria , o comando da Capitania dos Portos em Santarém ainda não se pronunciou sobre o caso. 

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