Quinta, 26 de Maio de 2022
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Arqueólogos da UFOPA constroem laudo técnico sobre a Praça Rodrigues dos Santos a pedido do MPPA

O estudo técnico foi pedido pela Promotora de Justiça do MPPA, Lilian Braga, para dar mais embasamento na Ação que corre na justiça.

21/01/2022 às 09h11 Atualizada em 25/01/2022 às 11h58
Por: Tapajós de Fato Fonte: MPPA
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Arqueólogos da UFOPA constroem laudo técnico sobre a Praça Rodrigues dos Santos a pedido do MPPA

Arqueólogos da UFOPA constroem laudo técnico sobre a Praça Rodrigues dos Santos a pedido do MPPA

No dia 11 de janeiro representantes da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós (IHGTap) e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) estiveram reunidos para tratar da decisão judicial a respeito da suspensão da obra do camelódromo na Praça Rodrigues dos Santos, área comercial de Santarém, Pará.

No local está previsto a construção da obra municipal do camelódromo, que pretende designar o espaço para ambulantes que possuem bancas de vendas na praça da Matriz, totalizando uma área de 521,75m², e está orçada em R$1.069.626,12, provenientes do Governo Federal.

Os representantes presentes na reunião deliberaram sobre o laudo técnico a ser realizado por especialistas da UFOPA. No local onde está localizada a praça encontra-se um sítio arqueológico de grande relevância para o patrimônio histórico e cultural do município.

A Professora do curso de Arqueologia da UFOPA, Camila Pereira Jácome falou da importância de realizar um estudo técnico para avaliar os impactos da obra sobre a área: “A avaliação geral é importante para saber como está o estado atual do sítio arqueológico, tanto da importância e significância do local e o que aconteceu com ele” disse a professora. 

A equipe fez uma visita técnica ao local para identificar de que forma as atividades do início da obra causaram ao local.  A professora conta que “apesar do impacto que não foi pequeno com essa ação, onde passou o trator retirou uma camada mais fina da superfície do solo e deixou evidente muitos materiais arqueológicos, cerâmicos, material lítico (são ferramentas e artefatos) e materiais históricos de tempos posteriores à aldeia indígena, então temos diversos tipos de materiais arqueológicos”, explica a professora.


Os materiais presentes na área da Praça Rodrigues dos Santos retratam parte da história da cidade de Santarém, além disso a praça se encontra na Zona de Preservação do Patrimônio Cultural da cidade, por isso quaisquer obras na localidade devem seguir as normativas da legislação municipal e necessitam de ações preservacionistas. 

De acordo com a Doutora em arqueologia, pode-se observar que o sítio sofreu um impacto, mas ainda permanece uma parte importante dele: “A indicação é que se a obra for feita no local precisará passar pelos procedimentos de licenciamento ambiental, conforme está previsto na legislação federal, outra indicação é um novo local para a construção do empreendimento”, afirma a pesquisadora.

 

Os especialistas responsáveis pelo estudo devem fazer algumas sugestões para ações futuras por parte da prefeitura, como ações relativas à preservação do patrimônio, a professora destaca que o estudo ainda está em andamento e as sugestões ainda serão construídas conforme os resultados do laudo.

 

A praça é uma área pequena dentro de um sítio muito grande que se chama sítio Aldeia, tem esse nome cadastrado no Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do (IPHAN). A cidade de Santarém tem dois grandes sítios arqueológicos: o Sítio Porto que fica próximo da região da Cargill e o Sítio Aldeia localizado na extensão do bairro Aldeia, parte do bairro Fátima e do centro da cidade. Os referidos sítios arqueológicos são basilares em pesquisas internacionais, alguns trabalhos indicam que uma das primeiras cidades mais antigas pré-coloniais é justamente na região do sítio Aldeia e Sítio Porto, por isso a professora considera que é importante a preservação e conservação dessas áreas.

 

As primeiras intervenções da obra na área da Praça revelaram alguns ossos presentes na área, fotografias das peças foram feitas e serão utilizadas no laudo. A professora destaca que ossos podem ser humanos e precisam de estudos mais técnicos para a identificação: "Neste momento não podemos dizer com certeza absoluta, mas é bastante provável que se trate de um osso humano e, se for isso mesmo, é um achado de extrema relevância, não só pela atuação de estarmos ali diante de um cemitério indígena que tem que ser preservado, como todos os cemitérios, mas é um achado de extrema relevância”, afirma a professora.

 

O solo da região é muito ácido e pode corroer os ossos, dificultando a preservação ao longo do tempo, nesse sentido a professora informa a necessidade da continuidade de pesquisas arqueológicas feitas por profissionais habilitados sobre as peças achadas na área da Praça Rodrigues dos Santos.

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