Quinta, 26 de Maio de 2022
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Dia mundial da Religião O ensino de religião nas escolas e a Amazônia

As habilidades do ensino religioso se direcionam para estimular a convivência e o respeito entre diferentes tradições religiosas.

21/01/2022 às 10h16
Por: Tapajós de Fato
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Dia mundial da Religião O ensino de religião nas escolas e a Amazônia

O Ensino Religioso tem como objetivo central a construção de reflexões sobre fundamentos, costumes e valores das várias religiões que existem no Brasil. A disciplina do Ensino Religioso tem uma história centenária, com muitas transformações, porém, o marco legal mais importante é que está na atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB de 1996, propondo em seu artigo que: 

“Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. 

§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. 

§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso”.

 

Dessa forma, sua prática é para ser pautada na sala de aula, respeitando as religiões e a liberdade religiosas dos brasileiros, seja ela cristã, afro ou indígena, dentro da diversidade do Brasil em respeito à Constituição Federal e a própria LDB, onde as famílias e a criança podem decidir fazer a disciplina ou não. 

Em 2017 o Superior Tribunal Federal – STF, decidiu que a disciplina de Ensino Religioso nas escolas públicas pode ser do tipo confessional, ou seja, as escolas podem ter a disciplina relacionada a uma religião somente, mas as famílias podem escolher por matricular ou não as crianças. 

A Base Nacional Curricular Comum – BNCC, traz o Ensino Religioso de volta como área do conhecimento, mas garante habilidades que não destaca somente uma religião, pelo contrário, todas habilidades do ensino religioso se direcionam para estimular a convivência e o respeito entre diferentes tradições religiosas. A BNCC ainda define apenas parte do planejamento. As horas restantes podem ser complementadas - de acordo com cada rede e escola - com conteúdo ligados a uma ou a várias religiões.   

A Amazônia tapajônica e o ensino de religião

No estudo de Raymundo Heraldo Maués, Historiador e Doutor em Antropologia Social pela UFPA no ano de 2005, fala que a Amazônia para além de sua natureza, tem uma diversidade de cultura, que mistura o catolicismo popular, mantendo a relação entre o xamanismo e pajelança indígena, numa interação entre portugueses e africanos. Ainda para o estudo do pesquisador, a religião é reflexo dos povos que vivem na Amazônia, de religiões indígenas únicas, presença do cristianismo e a religião de matriz africana dos quilombolas.

Infelizmente a prática do ensino, na maioria das vezes está ligado somente a um tipo de fé, como menciona Andréia Kumaruara, indígena da etnia Kumaruara, professora do ensino fundamental e mestranda em Ciências da Religião pela UEPA: “O ensino de religião nas escolas acontece de forma como complemento de carga horária, onde geralmente os textos são os próprios escritos da bíblia”.

A prática muita das vezes do ensino retira outras formas de religião, que poderiam trazer novas formas de debater a conexão do ser humano e a religião. Quando questionada sobre qual a melhor forma de trabalhar o ensino de religião na escola Andréia Kumaruara diz: “acredito que uma das formas seja na contextualização das várias religiões que existem no Brasil, pouco se fala sobre as religiões de matriz africana e indígena, porque existe um preconceito acerca dessas duas temáticas e privar o aluno de conhecer a diversidade religiosa existente no país é como se estivesse compactuando com esse preconceito”.  

Sobre respeito e tolerância o Teólogo e Filósofo Leonardo Boff, produziu um texto no ano de 2019, que explica que: “o respeito exige, em primeiro lugar, reconhecer o outro como outro, diferente de nós. Respeitá-lo significa dizer que ele tem direito de existir e de ser aceito assim como é. Essa atitude não convive com a intolerância que expressa a rejeição do outro e de seu modo de ser.” 

Andréa Kumaruara fala ainda que, sobre as formas que os professores poderiam abordar o ensino religioso incluindo mais religiões, “acredito que ensino não deveria ser somente como complemento. Em segundo, o professor precisa está buscando novas informações e atualização para o ensino... deveria ter uma formação continuada para os professores para compreender que a religião é uma diversidade, pois hoje em dia já se tem a graduação em Ensino Religioso que mostra a importância da disciplina para a formação social do aluno”. 

A prática do ensino tem que estar conectada com a teoria, compreendendo que é mais que apenas uma religião, que os professores ensinam que há uma diversidade cultural no país, que está na fala, música e também na religião, sendo que a educação é um instrumento para quebrar formas antigas de ver o mundo, sempre respeitando o princípio que está em nossa constituição que o Estado é laico. Por isso que para a BNCC, o trabalho e objetivo do Ensino Religioso é identificar, distinguir e respeitar símbolos religiosos de distintas manifestações, tradições e instituições religiosas.

 

 

 

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