Quinta, 26 de Maio de 2022
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Não Abra Mão da Sua Terra: Campanha pela defesa do PAE Lago Grande é realizada no Arapiuns

Madeireiras, mineração e grilagem de terra ameaçam a região. Os moradores temem sobre o futuro do território e fazem resistência na defesa do PAE para garantir vida para todos.

08/03/2022 às 15h50 Atualizada em 10/03/2022 às 14h17
Por: Tapajós de Fato
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De 21 de fevereiro até o dia 05 de março a equipe da Campanha Não Abra Mão da Sua Terra, campanha puxada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém(STTR), Federação das Associações de Moradores e Comunidades da Gleba Lago Grande (FEAGLE), a Fase Amazônia e a Terra de Direitos, juntamente com a juventude do Assentamento PAE Lago Grande, visitou cerca de 21 comunidades e aldeias da região do Arapiuns, no PAE Lago Grande. A campanha tem por objetivo, sensibilizar e alertar os moradores do Projeto de Assentamento Agroextrativistas  da Gleba Lago Grande sobre as questões que ameaçam este território.

 

O Tapajós de Fato acompanhou a equipe da campanha pela região do  Arapiuns e ouviu os desafios enfrentados pela população desta região.

 

A região do Arapiuns é rica em igarapés, além de ser uma das regiões onde mais se produz farinha de mandioca, entre outros derivados. As densas florestas guardam enormes árvores, e  isso tem feito com que empresas madeireiras estejam invadido o território e saqueando as riquezas das florestas, além de destruir igarapés com a abertura  ilegal de ramais para  passagem de caminhões que levam as madeiras até os  portos onde diariamente barcaças desatracam  e seguem rio a baixo  com centenas de toras de madeira.

 

Os moradores da região do Arapiuns reclamam que as empresas jogam as cascas na margem ou até mesmo dentro do rio, o corante que solta das cascas vem alterando a cor natural dos rios Aruã e Arapiuns. Moradores reclamam inclusive de coceira quando entram na água.

 

A mineração, assim como em outras regiões, também a ameaça a vida dos moradores da região do Arapiuns, já foram submetidos pedidos a Agência Nacional de Mineração (ANM), alguns já foram autorizados, entretanto, embargados por se tratar de uma área de assentamento e por representar grave risco ao meio ambiente e as pessoas dependem dos recursos das florestas para sobreviver.

 

Muitas pessoas que abandonaram seus terrenos há anos atrás agora voltam requerendo as áreas  e até mesmo com propostas para vender. O artigo 189 da Constituição Federal estabelece que os lotes em assentamentos da reforma agrária não podem ser negociados.

 

A maioria das comunidades não possui energia elétrica, o “motor de luz” é a forma encontrada  para ter, pelo menos quatro horas por dia, energia elétrica nas casas dos moradores. 

 

Uma moradora da comunidade de Cachoeira do Aruã, que pediu para não ser identificada, conta que “as empresas madeireiras, hoje em dia, estão avançando nos nossos territórios, temos que lutar, unirmos força não só do pessoal da comunidade [Cachoeira do Aruã] mas com as outras comunidades do PAE Lago Grande, como do Tapajós e Gleba nova Olinda”. A moradora fala que a união é importante para fortalecer a luta pela defesa dos territórios.

 

O PAE Lago Grande é uma região que abriga mais de 230 mil moradores, Elinelma dos Santos Sapaia, também moradora de Cachoeira do Aruã, conta que “é uma luta árdua, vai ser difícil, mas eu vejo que se lutarmos lá na frente a gente vai ver o resultado”.

 

Nas aldeias indígenas, as principais reclamações são  em relação à saúde, os indígenas reclamam da assistência  feita pela Casa de Saúde Indígena (CASAI). De não haver espaços disponíveis para realização de exames preventivos, por exemplo, alguns exames têm que ser realizados  nas casas das próprias  mulheres, sem as estruturas básicas necessárias.

 

Nem todas as  comunidades possuem microssistema, escolas, em algumas aldeias os alunos estudam em locais improvisados ou cedidos pelos moradores, como é a realidade da aldeia e a comunidade Santo Antônio e Cutilé. 

 

Além da mobilização para defesa do território,  a equipe da campanha ouve as demandas dos moradores para apresentar aos órgãos responsáveis e cobrar a efetivação das políticas públicas para o território.

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