Quinta, 26 de Maio de 2022
Gênero e Sexualidade #8M

#ParemDeNosMatar: 8M em Santarém é marcado com atos e reivindicações

Com o lema “Pare de nos matar", manifestações do 8 de março volta a ser presencial, dezenas de mulheres vão às ruas dizerem não à violência contra a mulher e exigir liberdade e autonomia ao gênero feminino.

08/03/2022 às 18h41 Atualizada em 10/03/2022 às 14h16
Por: Tapajós de Fato
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#ParemDeNosMatar: 8M em Santarém é marcado com atos e reivindicações

Reivindicações pela igualdade de gênero marcam o dia 08 de março em Santarém, ato foi realizado às 17h na Praça da Matriz, localizada na Avenida Tapajós, em frente a Igreja Catedral Metropolitana de Santarém.

 

Após dois anos sem atos presenciais no dia da mulher por conta da propagação da COVID-19, manifestações voltam a ser presenciais neste ano em que grande parte da população já está vacinada com as duas doses. Mulheres de Santarém, Belterra e Mojuí estiveram fazendo atos políticos nas ruas contra as diversas formas de violência que as mulheres ainda sofrem.

 

Sara Pereira, Educadora Popular da Fase Amazônia e colaboradora da construção do dia 8M falou da importância de retornar às ruas para às manifestações nesta data política, “nesse 8 de março às mulheres se reuniram para levar às ruas seu protesto e indignação contra toda sua forma de violência que ainda somos submetidas, nos manifestando a favor da liberdade e autonomia das mulheres”.

 

A educadora diz ainda “esse ano a gente também luta pela recuperação da democracia do Brasil, que luta para tirar do comando do país um presidente misógino que não esconde o seu ódio pelas mulheres, tanto no discurso como na ação de seu governo e isso repercute no país”.

 

Para Sara Pereira o lema do ato deste ano traz reflexões sobre os casos de feminicídios que ainda continuam com altos índices no país “para nós é um ato muito importante, é uma oportunidade de retomar as ruas e de colocar pra toda a sociedade que os direitos das mulheres que nós já conquistamos ainda são ainda são poucos. A gente precisa não só de mais direito mas sobretudo de dignidade e de valorização na nossa vida”.

 

Sara deixa um recado para toda a sociedade no Dia Internacional da Mulher: "a gente não quer mais contar as nossas [mulheres] mortas! Nosso grande grito de guerra esse ano é: Parem de nos matar; a gente não pode mais continuar admitindo o crescente número de feminicídio no país”.

 

Para a funcionária pública do estado, Ana Deise, a pandemia afetou muito a vida das mulheres e das crianças, ela lembra que o esquema de vacinação  está atrasado por culpa do negacionismo do presidente Jair Bolsonaro. Ela fala ainda que “o Dia da Mulher não é festejando, é celebrado essa data. Nós somos fortes, nós somos guerreiras, a gente não tem que se deixar levar pelos nossos maridos, pelos nosso filhos, tem muita mãe apanhando de filho, tem muita mulher apanhando de marido e a gente tem que se impor, nós temos que ter a voz ativa para não deixar acontecer tudo isso”. 

 

Lucidalva Nascimento, militante do movimento Tapajós Vivo, conta que, como mulher e militante, ela ver que o dia é de lutar por mais espaço é “um dia de reivindicação, é um dia de luta, porque todo dia é o dia da mulher! Nós queremos reivindicar, nós queremos falar, nós queremos ser ouvidas, queremos ser ouvidas na nossa casa, no nosso espaço de trabalho, nós queremos ser ouvidas em todos os cantos desse mundo. 

 

Além de ser um dia em que as mulheres intensificam ainda mais suas lutas por direitos, Lucidalva considera que o dia “08 de Março é um dia de libertação, é um dia da gente levantar nossa voz  e dizer que nós estamos aqui e queremos visibilidade.

 

A violência que não para

 

O ano de 2022 iniciou com casos de feminicídios com grande repercussão na região metropolitana de Santarém, os casos com maiores destaques ocorreram na Vila Balneária de Alter do Chão e outro envolveu uma jovem de dezesseis anos moradora da  comunidade Prainha, localizada na Floresta Nacional do Tapajós (FLONA), município de Belterra.

 

Nos dois casos as vítimas foram mortas pelos companheiros, a quem tinham confiança. Roseli Fidelix, natural do estado do Rio Grande do Sul, morava em Alter do Chão e foi assassinada na própria residência no dia 28 de janeiro de 2022 após uma discussão com o companheiro Jaime Galeazzi que foi preso horas depois da morte de Roseli.

 

Três dias após o caso de feminicídio em Alter do Chão, outro caso foi registrado, mas dessa vez em Belterra, a jovem Rita Carvalho de 16 anos foi assassinada pelo namorado Makaivo Santos Vieira, de 28 anos, o corpo foi encontrado próximo ao município de Rurópolis. Makaivo, após ser encontrado, confessou o crime, e afirmou que o motivo para cometer o assassinato foi ciúmes. 

 

Apesar da existência da Lei n. 11.340/2006, muitos casos de violência e feminicídio ainda não são denunciados por conta de vários fatores que implicam no medo das mulheres em realizar denúncias. Falta políticas públicas e programas de assistência social mais efetivos e comprometidos em cuidar das mulheres. 

 

Como denunciar?

Em caso de violência contra a mulher a vítima ou qualquer pessoa que testemunhe a violência pode denunciar ligando para os números:

 

  • O Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra a mulher. Além de receber denúncias de violações contra as mulheres, a central encaminha o conteúdo dos relatos aos órgãos competentes e monitora o andamento dos processos.

  O serviço também tem a atribuição de orientar mulheres em situação de violência, direcionando-as para os serviços especializados da rede de atendimento. No Ligue 180, ainda é possível se informar sobre os direitos da mulher, a legislação vigente sobre o tema e a rede de atendimento e acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade.

 

  • Entre os órgãos que podem ser buscados pelas mulheres em situação de violência estão: as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Promotorias Especializadas/Núcleos de Gênero do Ministério Público, Centros de Referência de Atendimento à Mulher, Núcleos Especializados no Acolhimento e Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência das Defensorias Públicas.

 

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