Quinta, 26 de Maio de 2022
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Povo Tupinambá avança na retomada do território no Baixo Tapajós

O encontro teve como objetivo receber a Aldeia Tucumãzinho pelos demais indígenas Tupinambá. O evento contou com a presença de lideranças indígenas e de organizações que atuam em defesa da Amazônia.

15/03/2022 às 10h09
Por: Tapajós de Fato
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Foto: Tapajós de Fato.
Foto: Tapajós de Fato.

No dia último sábado, (12) de março o Povo Tupinambá do Baixo Tapajós oficializou a Aldeia Tucumãzinho, habitada por 27 famílias indígenas, localizada às margens esquerda do rio Tapajós, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (RESEX). Com a oficialização, o território passa a ter 24 aldeias da etnia Tupinambá.

 

O evento reuniu o povo Tupinambá das aldeias do Baixo Tapajós para acolher e oficializar a Aldeia que teve o nome como pauta de debate entre o povo, a partir dos diálogos entre os presentes ficou definido o nome Tucumãzinho que significa Tucumã pequeno, fruto regional bastante presente na área.

 

Ritual de abertura no evento. Foto: Tapajós de Fato.

 

O evento iniciou com ritual de abertura e a oferta de tarubá a todos que estevam presente, após o momento sagrado, o cacique Edelson Souza Fernandes agradeceu a presença de todos e destacou  a importância do momento para o Povo Tupinambá. “Há 360 anos a gente vem nesse sofrimento de todo o preconceito e discriminação, e toda resistência que vemos fazendo a muito tempo essa retomada do território enquanto movimento do Baixo Tapajós”, o cacique disse ainda que o momento  fortalece o trabalho de base, “eu sou uma liderança que surgiu na base e dou muita importância para fortalecer a base”. Hoje a Aldeia Tucumãzinho “é um avanço da luta do povo Tapajós e são exemplares do que vem acontecendo”.

 

Cacique Edelson da Aldeia Tucumãzinho. Foto: Tapajós de Fato

 

Ainda para o Cacique é importante mobilizar a juventude para defender a Terra e manter a sustentabilidade, em especial a alimentar “A gente sabe hoje que a nossa sustentabilidade faz parte de toda nossa alimentação. Hoje nós queremos trazer para a luta a sustentabilidade dentro da nossa alimentação. Nós queremos daqui a cinco anos estar mostrando pro povo tupinambá, para o povo do Baixo Tapajós que nós podemos plantar nossa alimentação. Daqui a cinco anos nós queremos estar dando alimento para todo o povo, dando alimento pro território. Nós acreditamos que isso é importante”, destacou o Cacique Edelson Tupinambá.

 

Seu Antônio de Oliveira, conhecido popularmente como Seu Mucura, falou a equipe Tapajós de Fato sobre o processo de luta e resistência no território. “Nós trabalhamos muito a questão da organização das comunidades. Fizemos muita reunião, andando dia e noite. Então nosso trabalho foi muito assim de resistência mesmo. Pra colocar sobre a questão da criação da reserva extrativista, me coloquei para ajudar como articulador”.

 

Para seu Antônio, o processo de luta deve seguir o caminho da persistência e reorganização do território tendo como protagonistas a juventude em união, “digamos que nós estamos querendo agora criar essa área do povo Tupinambá, pra ser nossa mesmo legítima. Nós queremos um processo político para regularizar essa área. Então tem que passar esse processo. Essa área é nossa!”.


Estiveram presentes representantes do Conselho Índigena Tapajós-Arapiuns (CITA), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém (STTR), Projeto Saúde & Alegria (PSA), Conselho Indigena Tupinambá (CITUPI), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (NAJUP Cabano) e Tapajós de Fato (TdF).

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