Quinta, 26 de Maio de 2022
Reportagem Especial Futebol

A importância do futebol para as relações no cotidiano amazônico

O futebol é tido como lazer e um momento para confraternizar, homens e mulheres praticam o esporte, que é uma forma de manter a comunidade unida.

17/03/2022 às 17h04
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

O viver amazônico se diferencia de qualquer outro, seja por questões geográficas, históricas ou  culturais. Longe dos grandes centros urbanos, esse modo particular é percebido de forma mais intensa através das relações e compartilhamentos  feitos entre os moradores.

 

A relação do brasileiro com o futebol vai além das quatro linhas, o futebol é um lugar de sonhos, pois como diz na música do Skank “quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”. Sonho esse que permeia grande parte de crianças e jovens que acreditam no futebol como uma oportunidade de ascensão social, para além disso, o futebol também é visto como lazer e um momento para confraternizar.

 

No Brasil, costuma-se ouvir a seguinte expressão: “os brasileiros são unidos pelo futebol”. Tanto faz se é na cidade ou no interior sempre tem um espaço para um campo de futebol. No interior do município de Alenquer, localizado na margem esquerda do rio Amazonas, com média de 80 mil habitantes, são realizados  diversos  campeonatos de futebol. 

 

O Tapajós de Fato conversou com duas pessoas que participam de campeonatos há pelo menos oito anos no município de Alenquer. 

 

Edilson Ferreira, morador da comunidade Arumanzal, às margens da PA 254, que liga os municípios de Monte Alegre a Alenquer, é conhecido em sua comunidade e nos campos de futebol como Júnior, ele fala da importância dos campos de futebol e dos campeonatos; “É uma prática esportiva que reúne muita gente  na comunidade, gera renda, gera diversão para gente, trabalha a semana toda  e no final de semana tem um esporte, um jogo, ou alguma coisa para a gente se divertir e desestressar um pouco”. 

 

Junior considera ser de extrema importância os campos de futebol e os campeonatos para que as pessoas das comunidade não fiquem paradas, “porque aqui no interior não tem muito  lazer”.

 

 

As mulheres também ocupam os campos, Nayara Martins,  que também é moradora da comunidade de Arumanzal, em Alenquer, conta que  há um time de mulheres na comunidade, “as mulheres gostam de jogar futebol  na comunidade”. 

 

 

Um ponto observado por Nayara é a união dos moradores através do futebol, “a comunidade torna-se sim mais unida”, ela conta que através dos jogos, torneios e campeonatos são feitas também ações beneficentes para pessoas que passam por dificuldade na comunidade.

 

A jovem diz que gosta muito de participar dos campeonatos, e todos se envolvem porque gostam muito, mas “falta apoio” para que seja mantido.

 

 

Pagar visita

Quando um  time de futebol vai até uma comunidade vizinha jogar, nem sempre é pela premiação do jogo, às vezes, é  para “ganhar visita”. Junior explica como esse processo funciona.

 

“O pagar visita funciona assim: uma pessoa que tem um time, ou uma associação que tem um clube, ele se reúne e participa de vários campeonatos, tanto faz ser na cidade ou em outras comunidades e no final do anos marca uma data e faz o seu, aí todos onde ele participou tem a obrigação de ir no campeonato dele, aí vai gerar uma renda para a pessoa  o clube, às vezes é um time particular”.

 

O morador acredita que o governo municipal  poderia fazer mais para incentivar as práticas esportivas nas comunidades, iluminar os campos de futebol do interior seria uma  das medidas, pois, em todo o município de Alenquer apenas um campo de futebol possui iluminação, “lá na cidade ainda é uma burocracia doida para fazer um campeonato, dificilmente um time do interior joga lá”, comentou.

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