Quinta, 26 de Maio de 2022
Amazônia Vivência

Fase Amazônia realiza intercâmbio de troca de saberes em manejo agroflorestal

O objetivo é fortalecer o trabalho coletivo, através dos puxiruns, que é uma prática ancestral realizada por comunidades e povos tradicionais, cujo objetivo é fortalecer o sentido comunitário. 15 agroextrativistas participaram.

22/03/2022 às 13h33 Atualizada em 22/03/2022 às 15h29
Por: Tapajós de Fato
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Foto: Reprodução/* Darlon Neres
Foto: Reprodução/* Darlon Neres

Cerca de 15 agroextrativistas participaram de um “Intercâmbio de Trocas de Saberes em Manejo Agroflorestal” na comunidade Terra Preta dos Vianas, no projeto de Assentamento Agroextrativista PAE Lago, Santarém, região oeste do Pará. O encontro teve como objetivo conhecer iniciativas de sistema agroflorestal (SAF) implantadas em áreas de capoeiras sem o uso do fogo, criando um espaço rico de reflexões sobre seus modos de fazer agricultura e enriquecer ainda mais seus conhecimentos sobre o planejamento, implantação e manejo de agrofloresta. Além disso, os agricultores e agricultoras puderam partilhar experiências sobre a metodologia usada na implantação das áreas que foram desde da escolha do local, preparo da área, seleção de sementes e mudas, de acordo com o solo, manejo da matéria orgânica, calendário agrícola, técnicas de plantio, práticas de manejo e enriquecimento.

 

A manutenção da floresta em pé tem um papel importante na regulação do clima e na conservação da biodiversidade de animais, plantas e microrganismos. Estimular a diversificação produtiva como estímulo à segurança alimentar e geração de renda, por meio da melhoria do manejo dos agroecossistemas, visando o uso sustentável do solo, a redução do desmatamento e o aumento da agrobiodiversidade de comunidades e povos tradicionais são alguns dos objetivos dos Sistemas Agroflorestais.

 

Fazer agricultura tradicional sem o uso do fogo tem estimulado o debate entre os agroextrativistas, pois o fogo é usado no preparo das áreas e para fertilizar a terra, através das cinzas, o que favorece diretamente o bom desenvolvimento das plantas. Portanto, as práticas tradicionais de manejo dos agricultores, por meio valorização do conhecimento e respeito aos princípios agroecológicos e culturais são ações que tem contribuído para o fortalecimento de grupos locais na disseminação das agrofloresta no território.

 

Mateus Farias, morador da comunidade Castanhalzinho, 65 anos, disse que nunca viu no assentamento plantar mandioca e banana sem o uso do fogo. “O que chama mais atenção dessa prática é que numa simples área de capoeira podemos plantar uma diversidade de espécies frutíferas e florestais. Outra coisa é a forma como as plantas crescem bonitas igual nas áreas queimadas”.

 

Dos puxiruns de saberes

Fortalecer o trabalho coletivo, através dos puxiruns, que é uma prática ancestral realizada por comunidades e povos tradicionais, cujo objetivo é fortalecer o sentido comunitário, trabalho coletivo e ajuda entre as famílias tem sido de fundamental importância para multiplicação de conhecimentos em sistemas agroflorestais, a fim de viabilizar o preparo e plantio das áreas no lote de outras famílias. 

 

“Durante a implantação das áreas gerou muita curiosidade nas famílias, a primeira foi plantar sem queimar a terra, o que não é comum aqui no assentamento. Outro ponto foi o tratamento das mudas de banana que vai desde a escolha das mudas, corte das raízes, a cicatrização da planta com cinza para evitar a entrada de bicho e o corte do tronco deixando somente a batata. Quando as covas foram abertas para o plantio da banana e depois jogada um monte de troncos, galhos e folhas em cima gerou muita desconfiança, mas depois de 01 mês quando a primeira brotou vimos que a técnica dava certo e o que nos deixa mais felizes é poder compartilha nossa história e motivar outros agricultores sobre essas técnicas”, conclui Janete Nogueira, moradora da Comunidade Terra Preta dos Vianas.

 

 

Foto: Darlon Neres

 

A comunidade Terra Preta dos Vianas tem sido referência na partilha de experiências agroflorestais, proporcionando a troca de vivência com outras comunidades estimulando a percepção e compreensão das práticas, através da implantação de áreas em diversos contextos de acordo com as particularidades de cada agricultor e agricultora. Durante as oficinas de capacitação foi implantada uma iniciativa, que serve de base para práticas de manejo, lições e aprendizados, bem como, realizado a implantação de sete áreas, através dos puxiruns, por meio da multiplicação de conhecimentos no lote de outras famílias. 

 

Segundo, Samis Vieira, educador popular do Programa Regional FASE Amazônia, “Os puxiruns são um espaço de troca de saberes que propiciam a construção de conhecimentos coletivos a partir da vivência e do trabalho prático participativo para estimular a percepção e compreensão das agrofloresta, onde cada família aprende com os erros e acertos, ou seja a cooperação transcende a mão de obra e contribui para a construção da autonomia das prática de manejo, fortalecimento dos vínculos solidários e a união entre as famílias.

 

O encontro foi promovido pela Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE, em parceria com a Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande – FEAGLE, Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém – STTR e o Grupo Mãe Terra, através do Projeto Amazônia Agroecológica, que tem como objetivo, promover a implantação de iniciativas agroecológicas como quintais produtivos, viveiros de mudas e apoio aos circuitos de comercialização, além de gerar renda às comunidades para recuperação e conservação da floresta com apoio do Fundo Amazônia.

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