Quinta, 26 de Maio de 2022
Reportagem Especial Renda

Quintais produtivos: hortas do bairro do Pérola do Maicá contribuem com a geração de renda dos moradores

As produções orgânicas estão atendendo as necessidades do bairro, o objetivo é aumentar os canteiros para atender outras áreas da cidade. Moradores falam que precisam de mais apoio para intensificar a produção.

23/03/2022 às 17h13
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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Quintais produtivos: hortas do bairro do Pérola do Maicá contribuem com a geração de renda dos moradores

O bairro Pérola do Maicá localiza-se na porção leste do município de Santarém-PA. Seu acesso se dá por via terrestre pela PA 370 (Curuá-una), e fluvial pelo lago do Maicá. Ele compõe o Distrito da Grande área do Maicá, que engloba os bairros: Jutaí, Maicá, Jaderlândia, Vigia, Urumanduba e Mararu.

 

A população do  bairro trabalha em outros bairros da cidade, no centro comercial, algumas casas estão bem próximas ao lago do Maicá, que vivem uma relação direta com ele tendo um modo de vida mais rural com a presença de atividades pesqueiras.

 

Há alguns moradores do bairro que trabalham com o cultivo de hortaliças nos próprios quintais, garantindo alimentação saudável e promovendo a geração de renda, alguns moradores são os fornecedores de verduras para alguns mercados dentro do bairro Pérola do Maicá. Como é o caso do seu Zelí Ramos de Sá, que, em seu terreno de 25 metros de largura por 45 metros de fundo, onde ele tem cerca de 22 canteiros.

 

“A produção é pequena né, tipo assim fundo de quintal mesmo, aí eu só atendo aqui no bairro, às vezes eu vendo pra alguém que vem de fora as vezes aparece um aí às vezes tem uma cebola um coentro sobrando aí a gente vende, mas o principal  ponto de venda mesmo é aqui no bairro”. 

 

Há dois mercados no bairro onde Zelí entrega diariamente, e nas quartas e sábado faz entrega domiciliar utilizando uma bicicleta, Zelí conta que recebeu recomendação médica para fazer caminhada, “aí com a bicicleta eu consigo trabalhar e cuidar da minha saúde”, explica. 

 

Os principais cultivos de Zelí são: cebolinha, coentro, salsinha e chicória. Ele conta que toda sua produção é feita orgânica, a terra utilizada para o cultivo é o que o produtor chama de “terra orgânica", que ele mesmo prepara com folhas, madeira em decomposição e cascas de frutas.

 

Zelí explica que o processo demora meses, mas que com o decorrer do tempo, vai retirando a terra preta que vai se formando, ele explica que compra  também “cama de frango” que é colocado no chão das granjas e retirado periodicamente, a cama de frango ajuda a fertilizar ainda mais a terra das hortas. Mesmo utilizando produtos do próprio quintal, o custo maior é da cama de frango, um saco de 30 kg custa R$10,00, e a cada 2 meses ele precisa de pelo menos 30 sacos. 

 

O produtor considera importante e conceitua a agricultura familiar, “além de você produzir algo para vender você já produz também pela subsistência. Quando você fala em agricultura familiar não é só plantar para vender, você sempre planta alguma coisa diferente que é para  consumo”.

 

Ramos acredita que falta mais incentivo para os produtores, ele conta que, “no bairro há um potencial grande para a produção familiar nos quintais dos moradores, mas as pessoas, muitas vezes não tem recurso para iniciar o plantio”.  A feira, que funciona quinzenalmente no bairro, “foi puxada pela associação de moradores do bairro, e que apenas organizações de fora que estão apoiando”.

 

Zeli conta que a renda da casa não sai apenas da horta, mas que ela é responsável por cerca de R$1500,00  mensalmente, o objetivo é expandir a horta para conseguir atender mais pessoas dentro do bairro e também para outros locais da cidade.

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