Quinta, 26 de Maio de 2022
Reportagem Especial Respeito

Dia Mundial da Conscientização do Autismo: 4 respostas sobre o Transtorno do Espectro Autista - TEA

O texto apresenta respostas sobre o TEA, sendo elas: quais os sinais; quem devem ser procurados caso suspeite de Autismo; como é viver com TEA e como se relacionar. Também traz os diretos do TEA.

02/04/2022 às 10h52
Por: Tapajós de Fato
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O quebra-cabeça é o símbolo do autismo e representa a complexidade do TEA e tudo que ainda é necessário descobrir sobre o tema.
O quebra-cabeça é o símbolo do autismo e representa a complexidade do TEA e tudo que ainda é necessário descobrir sobre o tema.

No dia 2 de abril de 2007, foi criada pela Organização das Nações Unidas – ONU o dia Mundial da Conscientização do Autismo, o objetivo da data é sensibilizar e levar informação às pessoas para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista TEA. 

 

Conforme estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), o autismo afeta cerca de 1% da população mundial (70 milhões de pessoas), tendo maior incidência sobre pessoas do sexo masculino. O autismo é uma condição de saúde caracterizada por desafios em habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal; porém, com terapias adequadas a cada caso podem auxiliar essas pessoas a melhorar sua relação com o mundo.

 

Nesse sentido, a equipe do Tapajós de Fato, buscou desvendar alguns mitos sobre o autismo com o apoio de Rony Lima, Psicopedagogo, Clínico de Orientação em Análise do Comportamento Aplicada, sendo um profissional que atende crianças com TEA. 

 

Quais os sinais de uma criança com TEA?

Rony Lima responde que: “O autismo se enquadra numa díade: déficit na comunicação e interação social, e comportamentos restritos e repetitivos. Por exemplo, dificuldade para iniciar, responder ou manter uma conversa com compartilhamento de interesses, compreender e responder formas de comunicação não verbal como gestos, expressões faciais, dificuldade para brincar de maneira imaginativa, pouco interesse em fazer amigos, movimentos motores ou fala repetitiva, dificuldade em fazer mudanças, inflexibilidade a rotina, forte apego a objetos (hiperfocos), muita ou nenhuma sensibilidade a estímulos sensoriais”. 

 

O Psicopedagogo continua: “Esses entre outros critérios precisam levar em conta a condição de desenvolvimento da criança e as experiências que ela teve com os ambientes. Não se pode considerar autista a criança que por algum outro motivo apresentou alguns desses critérios de forma isolada”.

 

Caso estes sinais sejam observados pelos pais ou membros da família, quem eles devem procurar?

Para o especialista: “Tanto no processo de diagnóstico, quanto no tratamento é necessária uma equipe multiprofissional, preferencialmente com o olhar transdisciplinar para a avaliação. Essa equipe, pode ser composta por médico neuropediatra ou psiquiatra, psicólogo de orientação em Análise do Comportamento Aplicada - ABA, psicopedagogo, neuropsicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e musicoterapeuta de preferência que equipe tenha a visão da ABA. Quanto mais ampla for as informações sobre a condição da criança, melhor será o direcionamento do caso. Vale ressaltar que cada área profissional dará direcionamentos necessários para o entendimento do caso”.

 

Caso seja diagnosticado como é viver com a condição de TEA?

Responde que: “Embora os avanços para o entendimento do transtorno tenham ganhado bastante notoriedade, a pessoa autista ainda tem muitas barreiras sociais para enfrentar. Na maioria dos casos, somente com medidas judiciais são garantidos os direitos dessas pessoas. A grande dificuldade nos dias atuais é de entender que não existem padrões socialmente corretos e o fato do outro falar pouco ou ter dificuldade para compreender situações isoladas, não o torna diferente de mim. Somos, de fato, plurais”.

 

Por fim, qual nosso papel ao se relacionar com pessoas com TEA?

Resposta: “O autismo não é uma doença, por isso não tem (e nem precisa) de cura e, dessa maneira, olhar as coisas por outro ângulo nos tornará mais inteligentes. Às vezes, não é que uma pessoa autista não goste de estar perto de alguém, ela pode não saber como se faz isso e aqui reside o nosso papel na vida delas, dar suporte, entendê-la e aceitá-las exatamente como são. Isso é empatia! ”. 

 

Informações Importantes sobre os direitos do TEA

 

O Projeto de Lei do Senado (PLS) 169/2018, foi aprovado em 2021, que torna obrigatória a prestação de assistência integral à pessoa com autismo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta já foi encaminhada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), a partir de uma sugestão legislativa (SUG 21/2017) para a criação de centros de atendimento integral para autistas financiados pelo SUS.

Outra Lei importante é a 12.764/2012, que estabeleceu que pessoas com transtorno do espectro autista são consideradas pessoas com deficiência, assim, preenchidos os demais requisitos, têm direito ao BPC-LOAS. O benefício assistencial à pessoa com deficiência é destinado a quem não possui condições de prover o próprio sustento, nem de tê-la provido por sua família, além de possuir deficiência.

Sobre o autismo infantil, é importante ressaltar que demanda cuidados aumentados em relação ao esperado para sua idade. Por se tratar de criança, é evidente que não há que se falar em capacidade para o trabalho. Em relação à criança com deficiência, deve ser analisado o impacto de suas patologias na limitação do desempenho de atividades e na restrição da participação social, compatível com a sua idade. A concessão do BPC é revista a cada dois anos para avaliação de sua continuidade e será cessada sempre que os requisitos não estiverem mais presentes.

 

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