Quinta, 26 de Maio de 2022
Amazônia Troca

Novo superintendente do IBAMA, no Pará, já chegou a prestar serviços para grandes pecuaristas e sojeiros

O engenheiro florestal nomeado para comandar o órgão, já teve clientes que foram autuados em 59 milhões de reais em multas.

06/04/2022 às 16h23 Atualizada em 06/04/2022 às 17h18
Por: Tapajós de Fato
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Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet

O engenheiro florestal Rafael Angelo Juliano, de 60 anos, foi nomeado na terça-feira, dia 29, para comandar o Ibama no Pará e deve assumir o cargo nos próximos dias.

O novo superintendente é dono de uma consultoria que presta serviço para grandes pecuaristas e sojicultores do Pará que já foram autuados pelo próprio Ibama em quantias milionárias por desmatamento e extração ilegal de madeira. Ou seja: novo chefe do Ibama no Pará, cuja missão é evitar o desmatamento e a extração ilegal de madeira, levará para o cargo um histórico pessoal que e contra o objetivo do órgão que vai comandar.

 

Um breve Histórico

O histórico de Juliano não o impediu de ser nomeado pelo Ministério do Meio Ambiente para o cargo de superintendente do Ibama no Pará, o estado líder em devastação florestal na Amazônia. 

 

Em 1999, o próprio Juliano chegou a ser indiciado pela Polícia Federal e, em 2002, foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de “receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento”. A pena varia de seis meses a um ano de prisão, além de multa.

 

Rafael Juliano sucede o coronel aposentado Washington Luis Rodrigues, da Polícia Militar de São Paulo, nomeado pelo ex-ministro Ricardo Salles.

 

Além de trabalhar para produtores rurais paraenses, o engenheiro atuou como responsável técnico para duas siderúrgicas de Marabá, entre 2006 e 2016 (uma delas foi multada pelo Ibama em 7,5 mil reais por deixar de apresentar relatórios ambientais no prazo exigido por lei). Nascido em Barra do Piraí, Rio de Janeiro, Juliano graduou-se em engenharia florestal em 1990 pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. 

 

Quatro anos depois, especializou-se em engenharia econômica pela Uni Itaúna, também em Minas. Logo em seguida, mudou-se para o Pará. 

 

 

Especula-se, nos bastidores, que o nome de Juliano teria sido indicado pelo senador do Pará e pré- candidato ao governo Zequinha Marinho  (PL-PA), parlamentar conhecido por defender madeireiros e grileiros na região. O posicionamento do governo é que a escolha se deu a partir de questões técnicas.

 

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