Quinta, 26 de Maio de 2022
Reportagem Especial Dia do Jornalista

Dia do Jornalista: a importância do jornalismo independente e investigativo na Amazônia

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07/04/2022 às 12h37
Por: Tapajós de Fato
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Reprodução/Sinjor Bahia
Reprodução/Sinjor Bahia

O Dia do Jornalista é comemorado em 7 de Abril. A data homenageia o trabalho dos profissionais da mídia, responsáveis por apurar fatos e levar as informações sobre os acontecimentos locais, regionais, nacionais e internacionais para as pessoas, de maneira imparcial [sem favorecer nenhum lado] e ética. 

Seja na rádio, na televisão ou nos jornais impressos, independentes, o jornalista deve sempre trabalhar tendo como base a imparcialidade e fontes de informação confiáveis.

Origem do Dia do Jornalista

O Dia do Jornalista foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como uma homenagem a Giovanni Battista Libero Badaró, importante personalidade na luta pelo fim da monarquia portuguesa e da Independência do Brasil.

Giovanni Badaró foi médico e jornalista, e foi assassinado no dia 22 de novembro de 1830, em São Paulo, por alguns dos seus inimigos políticos. O movimento popular que se gerou por causa do seu assassinato levou D. Pedro I a abdicar do trono em 1831, no dia 7 de abril, deixando o lugar para seu D. Pedro II, seu filho, com apenas 14 anos de idade.

Foi só em 1931, cem anos depois do acontecimento, que surgiu a homenagem e o dia 7 de abril passou a ser Dia do Jornalista.

Foi também no dia 7 de Abril que a Associação Brasileira de Imprensa foi fundada, em 1908, com o objetivo de assegurar aos jornalistas todos os seus direitos.

O jornalismo na Amazônia 

Na Amazônia, o jornalismo independente tem buscado pautas que os grandes meios de comunicação do mundo e no Brasil, são temas inviabilizados, como  a crise climática, e as lutas dos movimentos sociais que vem realizado, e dos povos amazônidas.

A mídia independente é o tipo de mídia que não está sob o controle de grandes grupos de comunicação, e não está vinculada a compromissos com anunciantes, grupos políticos ou instituições governamentais. Ela vai na contramão da "grande mídia", que, frequentemente, distorce os fatos e apresenta uma visão de acordo com quem lhe paga mais.

 

O Tapajós de Fato entrevistou o jornalista e radialista de Santarém, Raik Pereira, sobre o jornalismo para o povo da Amazônia.

 

Raik relatou que para ele o jornalismo precisa ser independente, pois senão será uma outra coisa, existe o jornalismo e o jornalista, o jornalismo depende se ele é num âmbito de uma empresa, ou de alguém somente, mas ele precisa ser mais independente”.

 

Raik Pereira disse ainda “quando se fala em jornalismo investigativo, há um desafio muito grande, porque nem sempre as empresas da área  estão disposta a fazer um investimento para trazer à luz, aquilo  que as autoridades, políticos, ou os grandes empresários fazem questão de esconder, fazer investigação demanda tempo e recursos, e nem todo jornalista está disposto a fazer esse investimento, para levar a notícia pra sociedade aquilo que alguém que esconder”.

 

Sobre os desafios do jornalista na amazônia, Raik comenta que  “ a maioria de canais de comunicação no Brasil são de grupos empresariais, ou de grupos políticos, que querem  tudo, menos trazer a toda que a sociedade precisa saber, principalmente nas questões minoritárias, ambientais, indígenas, Quilombolas, ribeirinhas, nesses assuntos que a gente cria uma expectativa  de que alguma coisa precisa ser trazido a público, para que o povo tenha conhecimento da real situação  que a gente tá vivendo”.

 

O jornalista contínua “ são essas algumas barreiras de se fazer jornalismo independente São as faltas de interesses dos grandes grupos empresariais  de  comunicação  que não querem fazer esse trabalho, e os jornalistas independentes nem sempre tem uma estrutura suficiente pra ir buscar a fundo aquilo que realmente é preciso buscar”

 

Diante do avanço da grande mídia é importante falar também do crescimento de canais de comunicação independentes na amazônia.

 

“Já temos alguns canais alternativos, que são os portais de notícias, que já fazem, na base aquilo que muitos precisam , que e revelar alguns comportamentos, e alguns atos políticos, que vão massacrado os povos da região amazônica, neste dia 7 de abril, ele serve para que a gente faça algumas reflexões”.

 

Raik disse que a data também serve para fazer alguns contrapontos na área “Um dos maiores contrapontos não é  por exemplo dizer que a grande mídia não importa, mas a maioria são interesses privados, interesses políticos, que massacram as vida das minorias, e tentam a qualquer custo dizer que temos que ser de um jeito, e ponto final, o jornalismo alternativo independente precisa dizer, que nós apesar de sermos vulneráveis economicamente, mais somos pessoas dotadas de direitos, e que essa data sirva de reflexão, reafirmando que na amazônia é possível sim viver do jeito como somos, e nós jornalistas devemos repensar nosso modo de fazer comunicação, e da voz as pautas locais”. finalizou o jornalista.

 

Foto:Acervo pessoal.

 

O Tapajós de fato conversou ainda com Rosa Rodrigues- Jornalista da Universidade Federal do oeste do Pará (UFOPA).

 

Rosa Rodrigues comenta que " Ser jornalista em qualquer lugar pressupõe uma enorme responsabilidade social, considerando nosso papel como mediadores da informação. Estando na Amazônia, temos essa responsabilidade potencializada considerando os diversos riscos que esta região sofre com as ameaças a seus povos e aos seus recursos naturais”.

 

“Entendo que, para se fazer jornalismo na região, é um grande desafio o conhecimento do que seja a Amazônia (ou as Amazônias, considerando a sua diversidade geográfica e cultural)”. 

 

Rosa Rodrigues relata também  que  “jornalista precisa buscar conhecer a história, as realidades, os desafios e as necessidades para poder produzir as informações que a sociedade precisa receber”.

 

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Foto:Acervo pessoal.

De modo geral, o jornalista vive o desafio do enfrentamento às notícias falsas que contaminam a sociedade  nos tempos atuais, e ainda tem que lutar pela sua valorização profissional, tanto nas empresas e organizações quanto na sua atuação independente.

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