Quinta, 26 de Maio de 2022
Gênero e Sexualidade Transfobia

Família de adolescente de 13 anos afirma que ele teria sido vítima de transfobia em um colégio da rede privada de Santarém

A mãe do garoto conta que o tirou da escola “pois ele não queria ficar mais ali, estava passando mal”. Segundo a mãe, os ataques eram feitos por alunos e professores.

08/04/2022 às 09h48 Atualizada em 08/04/2022 às 16h27
Por: Tapajós de Fato
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Assim como as famílias, as escolas têm responsabilidade de identificar, combater e prevenir essas situações de violência,. Foto: Reprodução.
Assim como as famílias, as escolas têm responsabilidade de identificar, combater e prevenir essas situações de violência,. Foto: Reprodução.

A empresária e Bacharel em Direito, Luana de Souza Oliveira, mãe do garoto, fala que os casos aconteceram com seu filho de 13 anos quando estudava no Colégio Santa Clara, em Santarém. Ela informa que  começaram no segundo semestre de 2021, no momento que ele estava na fila da cantina, em que garotos da própria turma dele  “falavam que ele não era homem”, comentários que, segundo a mãe, “ficaram repetindo”.

 

Percebendo que os comentários eram direcionados para ele, o menino procurou a  coordenadora da escola, a mãe contou que a escola entrou em contato com ela, relatou  o ocorrido e pediram  que Luana buscasse o filho, “pois ele não queria ficar mais ali, estava passando mal”.

 

A mãe fala que nesse dia estava viajando e pediu para que a filha mais velha fosse até a escola conversar com a coordenação,  “e apontou sobre o bullying que o irmão já vinha sofrendo e que ela pediu que  tomasse alguma providência”. 

 

Luana diz ainda que, assim que retornou para Santarém, marcou uma reunião com a coordenação do colégio e cobrou providências, que fossem chamados os pais dos alunos. Luana conta que a coordenadora “falou bastante, pediu desculpas, disse que ia conversar com a turma”. Segundo a mãe, não houve conversa com os alunos nem com os pais. 

 

O ano letivo seguia e o filho de Luana ficou abalado com as situações que passava. Ela conta que alguns professores não estavam respeitando o nome social dele, “mesmo com o nome social na folha de chamada, insistiam em chamá-lo pelo nome morto", referindo-se aos comportamentos de professoras e professores da escola. A mãe relata ainda que alguns colegas corrigiam os professores, alertando que o nome dele era outro, “ mas eles não davam bola”.

 

Por conta dos novos ocorridos, a mãe procurou novamente a coordenadora da escola. Segundo Luana, a coordenadora informou que “ela falava que todos os professores já estavam sabendo, e que ela chamaria a professora para conversar”. Em determinado dia um professor “também constrangia e humilhava o menino  na sala de aula, (opostos não se atraem, homem com homem e mulher com mulher não se atraem). Isso nas explicações da matéria escolar”.

 

A mãe retrata outro episódio nas aulas de Educação Física, “que não deixava que ele jogasse com os meninos e mandava ele jogar com as meninas, sempre, causando mais constrangimento”.

 

Luana conta que todos os fatos foram comunicados à coordenação do colégio e até a psicóloga que acompanha seu filho foi até a escola para tentar fazer algo, mas segundo Luana “nunca foi feito nada” por parte da escola.

 

“Ele ficava muito mal com tudo isso,  tinha crises de choro, desenvolveu ansiedade, fobia social, e ganhou muito peso. Ele sempre foi uma criança alegre e comunicativa, mas ficou totalmente diferente depois disso. Ele chegou a implorar que não queria mais estudar lá, que não aguentava mais isso”. pensando no melhor para seu filho, Luana conta que a família decidiu tirá-lo do colégio particular e matriculá-lo em uma escola da rede pública, “por acharmos que iriam ser mais compreensivos e respeitadores”.

 

Até o momento  ainda não foi dada entrada em nenhuma ação na justiça, Luana conta o seguinte: “Pensei muito, e várias vezes nos deu vontade de processar o colégio. É inadmissível que isso ocorra, ainda mais em uma escola onde se paga uma mensalidade alta, achando que a segurança e o bem estar da criança estará sendo respeitada. Ainda estamos avaliando uma possível ação, ainda mais que agora ele mudou de escola!” 

 

O Tapajós de Fato procurou o Colégio Santa Clara sobre o caso com o ex-estudante da instituição. Em resposta aos questionamentos feito pelo TDF,  a equipe de comunicação disse o seguinte: 

- O adolescente em questão, desde que seus responsáveis requereram na secretaria escolar, mesmo sem qualquer documentação oficial, teve seu nome social incluso no sistema usado pela escola, o que significa que seu nome social constava nas listas de frequência e outros documentos escolares.

- Alunos e colaboradores sempre o trataram com respeito, chamando o adolescente por seu nome social e pronomes masculinos, o que ocorria naturalmente, com queixas eventuais do ex-aluno, todas recebidas e solucionadas por nossa equipe.

- A psicóloga do ex-aluno foi convidada pela escola a vir nos apresentar dados sobre o adolescente, porém nunca nos relatou queixas referentes ao nosso trabalho.

- O adolescente não aderiu aos atendimentos do serviço de psicologia escolar. E como escola nunca fomos comunicados oficialmente a respeito de qualquer acompanhamento integral de saúde que o ex-aluno tenha feito a respeito de sua identidade de gênero.

- Até o pedido de transferência do adolescente, recebemos a família em todas as demandas apresentadas, inclusive com episódios de desrespeito com nossos colaboradores.

- O acolhimento dado ao adolescente por parte de nossos alunos e colaboradores foi baseado no respeito, na afetividade e na valorização da pessoa humana.

Foto: Reprodução.

 

 

A equipe do Tapajós de Fato procurou a psicóloga citada pela mãe e pela assessoria de comunicação, mas até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.

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