Quinta, 26 de Maio de 2022
Reportagem Especial Resistência

Mídia Makú: O Coletivo de comunicadores indígenas, do baixo Tapajós, que está fazendo a cobertura do Acampamento Terra Livre

“Para nós é muito importante fazer as coberturas das nossas mobilizações, a gente sofre muito preconceito já sofreu muito com a invisibilização”.

09/04/2022 às 12h08 Atualizada em 09/04/2022 às 12h49
Por: Tapajós de Fato
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Mídia Makú: O Coletivo de comunicadores indígenas, do baixo Tapajós, que está fazendo a cobertura do Acampamento Terra Livre

Desde o período de exploração do Brasil os povos indígenas  foram suprimidos pelo avanço da ganância pelas riquezas existentes nos territórios. O processo de dominação sempre foi severo e violento, causando a morte de milhões de indígenas no decorrer da história, genocídio que continua até os dias atuais.

 

Segundo dados publicados pela Funai, a população indígena em 1500 era de aproximadamente 3.000.000 habitantes divididos entre 1.000 povos diferentes, sendo que aproximadamente 2.000.000 estavam estabelecidos no litoral do país e 1.000.000 no interior.

 

Em 1650, esse número caiu para cerca de 700.000 indígenas, chegando a 70.000 em 1957. De acordo com Darcy Ribeiro, um antropólogo brasileiro conhecido por estudar os índios, cerca de 80 povos indígenas desapareceram no Brasil no século XX. O censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE constatou que atualmente há no Brasil cerca de 817.963 indígenas (os dados estão desatualizados). 

 

Todas as transformações sociais  afetam os povos indígenas, independentemente  de serem aldeados e não. Com as constantes mudanças, que ocorrem no dia-a-dia, as formas como as destruições e as ameaças afetam  os povos indígenas  também mudam. A tecnologia tem sido uma grande aliada dos povos indígenas  no processo de resistência frente aos diversos ataques que estes grupos sofrem. 

 

As mais de 70 aldeias dos 13 povos indígenas que ocupam o território do Baixo Tapajós, Arapiuns e a região do Planalto Santareno, organizado através do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), sofrem com o garimpo, invasão de madeireiras aos territórios, agronegócio e até mesmo racismo nunca se sentiram totalmente ouvidos. A juventude indígena, que atua de forma intensa junto aos demais indígenas, cansados do abafamento dos anseios de seus povos frente a ameaças que colocam em risco a existência desses povos,  o grupo decidiu  fazer sua própria comunicação, dessa forma surge a Mídia Makú.

 

A Mídia Indígena  Makú

A mídia Makú é um projeto pensado, que, inicialmente, foi pensado pela jovem Lívia Kumaruara. As primeiras ações ainda não como Mídia Makú, mas sim um projeto em parceria com o CITA, onde foi realizado um ciclo de vivências onde foi debatido sobre política. Aproveitando o gancho, em parceria com a com a cineasta Priscila Tapajowara, os jovens participaram de um momento de formação sobre mídia, produção de audiovisual,  fotografia e vídeo.

 

O nome Mídia Indígena Makú foi escolhido porque Makú significa indígena. Tão logo, significa mídia feita por indígena. É uma mídia que converse tanto para dentro [territórios], quanto para fora, através das plataformas em que disseminam os conteúdos produzidos.

 

Alexandre Arapium, participou das formações, ele é um dos integrantes da Mídia Makú, ele disse “ precisava botar em prática as atividades que a gente teve na na oficina”. Aproveitando a agenda de visitas do CITÁ pelos territórios, os jovens foram juntos, levaram equipamentos e produziram material.


Empolgados com os produtos  feitos na viagem, os jovens perceberam que era necessário ir além  “a gente precisa se organizar enquanto um um coletivo de juventude de comunicação''. Por conta disso, mais um ciclo de formação foi realizado, para poder agregar ainda mais jovens ao grupo. Alexandre Arapium diz ainda que ´perceberam que precisaria traçar estratégias para  “trabalhar nas redes sociais do CITA, produzir material e a gente dividir o trabalho”. 

 

Atualmente, 12 jovens entre homens e mulheres fazem parte da Makú, o grupo é recente e conta com auxílio de outras pessoas que trabalham com mídia.

 

E hoje a comunicação do grupo Makú não é um grupo separado do CITA, ela é uma assessoria de comunicação do desta organização. “Então a gente ajuda a movimentar a rede social, ajuda na comunicação do departamento de jovens, mas também no departamento de mulheres indígenas”, explica Alexandre Arapiun.

 

O jovem fala ainda da importância do apoio dado pela coordenadora do CITA, Auricélia Arapiun, e de Maura Arapiun, que faz parte do Departamento de Mulheres do CITA. Alexandre conta que Maura, ele e Lívia Kumaruara são as pessoas que estão coordenando a Mídia Makú.

 

Um projeto está sendo construído, pois o objetivo dos comunicadores  é ter o um estúdio da Makú dentro do CITA. Os jovens conseguiram recurso por três anos, câmera e computadores os jovens ainda não tem, os equipamentos que eles dispõem são: dois celulares, dois microfones e dois  tripés. Alexandre diz o seguinte “ a gente tem um planejamento de entrar com essa oficina em nós nos dezoito territórios da região do Baixo Tapajós. E aí a partir dessa formação dos territórios vão se tornar multiplicadores dessa formação”.  



A Mídia Makú no ATL  

 

O grupo de comunicadores  indígenas está tendo a oportunidade de acompanhar o Acampamento Terra Livre, Livia Kumaruara, fala da importância de terem ido para Brasília. “Para nós é muito importante fazer as coberturas das nossas mobilizações , principalmente as nacionais dos nossos encontros, porque na nossa região a gente sofre muito preconceito e a gente já sofreu muito com a invisibilização, de inviabilizar a nossa história, de negação de identidade, a nossa história de povos indígenas já foi retratada de outras formas, negativas, estereotipadas”.


Lívia sabe da importância e poder da comunicação. Ela conta que essa “é uma ferramenta importante para a gente se apropriar  e usar da nossa forma, do nosso jeito, se apropriar dessa ferramenta e seguir na nossa linha de respeitar nossas histórias, respeitar nossas lideranças, respeitar as pessoas mais experientes, as pessoas mais velhas  das nossas aldeias”.

 

“A gente se organizou de uma maneira, a gente fez um planejamento de quem ia tirar fotos, quem ia fazer vídeo, quem ia fazer edição e os textos, outros fazendo entrevistas e até escrevendo projetos porque é uma dificuldade muito grande pois demanda de recurso para fazer uma atividade na nossa região”.

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