Quinta, 26 de Maio de 2022
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Delegacia Sindical da Vila de Curuai é invadida por ruralistas durante reunião com grupo da campanha Não Abra Mão da Sua Terra

Em reunião realizada na manhã desta segunda-feira, 11 de abril, grupo pró-emancipação do Curuai, invade e tumultua reunião na delegacia sindical de Curai.

12/04/2022 às 09h04 Atualizada em 18/04/2022 às 17h43
Por: Tapajós de Fato
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Parte do grupo que tumultuou a reunião.
Parte do grupo que tumultuou a reunião.

A campanha Não Abra Mão da Sua Terra tem percorrido todo o território do Projeto de Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande, desde o dia 7 de Fevereiro está visitando  as 154 comunidades e aldeias,  com objetivo de alertar dos perigos que cercam o território diante da iminente ameaça pela mineração.

 

Durante a manhã desta segunda-feira, 11 de abril, a campanha seguiu para a vila de Curuai, localizada no PAE LAGO GRANDE, onde foi realizada uma reunião na delegacia sindical com filiados do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras  Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém (STTR). 

 

A reunião acontecia de forma pacífica e harmoniosa, até o momento da invasão por um grupo que se intitula como "lideranças do Lago Grande" do movimento MOPRODELAGO (grupo contrário ao assentamento do PAE LAGO GRANDE). No momento de invasão na delegacia sindical, o grupo alegou que os jovens da campanha, juntamente com as lideranças do STTR e Federação das Associações de moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (FEAGLE), estavam invadindo a vila e orquestrando a reunião contra a emancipação do Curuai, o que na realidade não estava acontecendo, pois a campanha não abrange a questão da emancipação ou não da vila.

Fotos de momentos antes da invasão.

 

Os invasores da reunião, de forma intimidatória, buscaram tomar a lista de frequência das mãos da coordenação e do diretor do sindicato dos trabalhadores rurais, e a partir deste momento os organizadores da reunião foram obrigados a fazer a leitura do cabeçalho da lista que faz a coleta de nomes participantes da reunião da campanha.

 

Ainda durante o momento da invasão da delegacia sindical, César Alves, do grupo pró- emancipação do Curuai, direcionou ataques a assessora de comunicação da campanha que registrava as atividades, e intimidou uma das jovens participantes do grupo da campanha.

 

O Tapajós de Fato ouviu jovens da campanha Não Abra Mão da Sua Terra, diretores do STTR e Coordenadores da FEAGLE, que relataram como foi o ocorrido no local.

 

Segundo, Edilson Figueira, vice-presidente do STTR, "a reunião já havia se encerrado quando o grupo deles chegou ao local, tumultuando e exigindo que nós déssemos esclarecimentos sobre o que estava acontecendo, já que o presidente da ASMOVIC alegou que não recebeu ofício sobre a atividade no local"  o representante do sindicato relata ainda que "a reunião não se tratava com a ASMOVIC e sim com os filiados das duas delegacias sindicais 1 e 3 de Curai, na sede do sindicato em Curuai".

 

A presidente da FEAGLE, Rosenilce dos Santos, alega que o grupo pró-emancipação do Curai, não tinha o direito de exigir que fosse mostrada a lista de frequência da atividade, uma vez que os mesmos chegaram no seu encerramento e demonstram desrespeito a federação e seus representantes.

 

Segundo Rosangela Marques, do grupo Jovens Guardiões do Bem viver, na hora da invasão da delegacia sindical, César Alves, alegou que o sindicato, o grupo de jovens e a FEAGLE, eram financiados por ONG'S (Organizações não governamentais) que querem tomar o território do PAE LAGO GRANDE.

 

César Alves, integrante do movimento contra a campanha "Não Abra Mão da Sua Terra", alegou ainda que denunciaria o movimento em Brasília em busca de "seus direitos", e contestou ainda a presença de jovens de outras regiões do Lago Grande, alegando que os mesmos não poderiam falar sobre qualquer assunto que não fosse referente a sua região.

 

É importante ressaltar que o território do PAE - Lago Grande é composto por três regiões, Arapiuns, Arapixuna e Lago Grande, no qual a campanha busca representantes das três regiões, para que de forma compartilhada busquem trabalhar em defesa do território.

 

A discussão na delegacia sindical encerrou-se após o movimento se retirar do local, por pressão dos filiados e participantes da reunião.

Local onde ocorria a reunião.

 

 

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