Quinta, 26 de Maio de 2022
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ATL: A união dos povos indígenas em defesa dos territórios

A equipe Tapajós de Fato esteve em Brasília acompanhando a programação junto à delegação dos indígenas do Baixo Tapajós. A equipe ouviu lideranças indígenas de diferentes povos e regiões do Brasil.

14/04/2022 às 17h18 Atualizada em 14/04/2022 às 19h26
Por: Tapajós de Fato Fonte: Tapajós de Fato
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Indígena do Baixo Tapajós de Fato
Indígena do Baixo Tapajós de Fato

Iniciado no dia 4 de abril e previsto para encerrar no dia 14,  a 18ª edição do  Acampamento Terra Livre acontece em Brasília. Com o tema: ‘Retomando o Brasil: Demarcar Territórios e Aldear a Política’, o acampamento acontece no mesmo período em que o Congresso Nacional e o Governo Federal pautam a votação de projetos que violam os direitos dos povos indígenas como o Projeto de Lei 191/2020, que abre as terras indígenas para exploração em grande escala, como mineração, hidrelétricas e outros planos de infraestrutura.

 

A equipe  Tapajós de Fato está  em Brasília e acompanhou  a programação junto à delegação dos indígenas do Baixo  Tapajós. A equipe ouviu  lideranças indígenas de diferentes povos  e regiões do Brasil, que falam da importância da realização do ATL.

 

Célia Xacriabra, liderança indígena do povo Xacriabrar,  no estado de Minas Gerais, e integrante da Articulação Nacional dos Povos Indígenas, fala da importância da participação das mulheres indígenas na luta pelos direitos de seus  povos. 

Célia Xacriabra. Foto: Tapajós de Fato

 

“É muito importante esse momento para compartilharmos essa força, porque antes de existir o movimento social já existia  o movimento tradicional das mulheres indígenas.Nesse momento, nós estamos fazendo frente à luta pelo território, na luta contra a mineração, porque nós entendemos que quando ataca a terra, ataca todas as mulheres indígenas. Muitas delas não tiveram a oportunidade de segurar a mão nesse microfone [em relação ao microfone do palco do ATL] mas  sempre sustentaram  firme a mão no maracá. Operamos não somente com a força judicial, mas juntamente com a força do cantar que é um dos nossos recursos ‘ancestral”.

 

Gilson Tupinambá, cacique da Aldeia Papagaio, na Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, fala dos povos do Baixo  Tapajós participarem da mobilização. “Essa luta é coletiva, nós viemos ‘se juntar’ aos parentes aqui em Brasília, porque nosso direito é ancestral, não prescreve”. 

Cacique Tupinambá. Foto: Tapajós de Tapajós.

 

O cacique relata algumas ameaças, “hoje, cercado pela ganância dos madeireiros, a poluição do rio Tapajós, que é por conta do garimpo no Alto Tapajós, a ameaça da Ferrogrão”. A Ferrogrão é uma ferrovia que está projetada para ser construída do estado do Mato Grosso até o Pará, para melhorar o escoamento de grãos.

 

A estrada de ferro pode cortar diversos territórios indígenas tradicionais e destruir muitas áreas preservadas, destruindo igarapés afluentes da Bacia do Tapajós. Outra ameaça é a Hidrovia do Tapajós, que nada mais é do que tornar o rio Tapajós um corredor exclusivo para o agronegócio.

 

Já para a deputada federal do estado do Pará, Vivi Reis (PSOL), “é importante que os parlamentares aliados se façam presente nesses espaços, porque, para além de defender as pautas dentro da Câmara Federal, nós precisamos estar no dia a dia das lutas, seja em Brasília ou em qualquer outro território”.

Deputada Federal pelo estado do Pará - Vivi Reis. Foto Tapajós de Fato.

 

Para a indígena Ju Kaingang, do povo Kaingang, que habita áreas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, “as mulheres estão avançando, conseguindo as nossas cadeiras. A importância hoje do movimento é por causa do PL 490/2007, do Marco Temporal, a gente não pode deixar isso acontecer. Como mulher indígena eu só quero parabenizar as mulheres que estão na frente na luta, agradecer e valorizar as mulheres indígenas de todo Brasil”.

 

 

Ju Kaingang. Foto: Tapajós de Fato

 

Quem também fala com a equipe do TdF é Ediene Munduruku, do povo Munduruku, ela ressalta que “as mulheres têm a coragem e força para enfrentar todas as ameaças ao nosso território,  ameaças de morte''. Ela conta que as Associações de Mulheres Munduruku enfrentam todas as ameaças que estão entrando dentro do território Munduruku. Ela diz que a principal ameaça são os garimpeiros no território, “ a gente vê que eles querem nos calar”.

 

Ediene Munduruku diz que o silenciamento ocorre  por meio de ameaças e até mesmo de queimadas nas aldeias, como aconteceu com a casa de Maria Leusa Kaba Munduruku, em maio de 2021, a depredação da Associação de Mulheres Munduruku  em Jacareacanga, também em 2021.

 

Ediene Munduruku diz também que outra preocupação, “é em relação ao futuro das crianças e da natureza, tem que preservar, tem que proteger”. Viver em meio à violência  que permeia o povo Munduruku não é fácil, para a indígena Munduruku, a única solução é a união dos povos indígenas “contra os ataques”, isso também em relação aos ataques do governo Bolsonaro.

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Foto: Tapajós de Fato.

 

O Tapajós de Fato entrevistou também, Felício Pontes, procurador do Ministério Público Federal. Ele fala que as áreas protegidas são importantes não apenas para a preservação da natureza, como também para a segurança da vida dos povos indígenas. “São aquelas que vão nos salvar das mudanças climáticas”. 

 

Sobre as degradações ambientais, o procurador  fala que “onde há degradação ambiental, há degradação social, uma coisa vem junto com a outra”.  Felício conta que é preciso ter mais áreas protegidas, demarcar terras indígenas é uma forma de fazer  as áreas de preservação aumentarem ainda mais. O procurador federal fala que “as terras indígenas  deveriam estar na  frente desse processo de criação de áreas de proteção”.

 

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