Quinta, 26 de Maio de 2022
Reportagem Especial Abril Indígena

Escola indígena de Alter do Chão promove semana dos povos indígenas

Em sua programação foi lançada a cartilha “Turma de Beira” que tem o objetivo de construir registros e cartografias a partir das pessoas que vivem nos territórios.

20/04/2022 às 17h12 Atualizada em 20/04/2022 às 17h15
Por: Tapajós de Fato
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Apresentação dos mapas da Terra Indígena Borari para os alunos. Foto: Yuri Rodrigues.
Apresentação dos mapas da Terra Indígena Borari para os alunos. Foto: Yuri Rodrigues.

 

 



Em alusão ao “Abril Indígena”, a Escola Indígena Borari, localizada em Alter do Chão, realiza a Semana dos Povos Indígenas. A programação está repleta de atividades práticas  com os alunos, voltados para o dia-dia dos estudantes, o objetivo é fortalecer a identidade indígena das crianças.

 

A escola Indígena Borari atende alunos indígenas e não indígenas, o professor Cassian Borari, conta que “a ideia de trabalhar a Semana dos Povos Indígenas tem como finalidade trazer os alunos para  essa perspectiva, para essa realidade, para esse modo de informação, para se trabalhar novas dinâmicas, novas didáticas, novos interesses a respeito dessas comunidades”.

 

Devido a diversidade do público da escola, Cassian considera que é importante ser  “trabalhado questões que passem uma visão, de novas realidades dessas culturas,  que, muitas das vezes, não se tem ideia do que sejam comunidades indígenas”.

 

A escola trabalha a pluralidade étnica e cultural de forma transversal durante o ano todo. A atividade que está sendo desenvolvida é também um resgate cultural, nos três dias de programação terão oficinas de teçume de palha, argila, aulas de carimbó, tudo voltado para a valorização da cultura indígena, explica o professor.

 

Cassian Borari, comenta ainda que outras atividades são desenvolvidas na escola, no entanto, a Semana dos Povos Indígenas “tem um diferencial, ela tem uma participação  maior da comunidade indígena. Então a gente tem uma presença maior das lideranças da comunidade, do povo em geral”.



Iolane Mascarenhas, que vem de uma família formada por indígenas Borari e Munduruku, mãe de uma  aluna do Pré-1  na escola Borari, fala que é “muito interessante, buscar incentivar e mostrar pras crianças hoje em dia as histórias que já aconteceram e os antepassados”.

 

A mãe fala que quando sua filha chega em casa ela compartilha tudo que aprende na escola, “hoje ela aprendeu a historinha ali sobre uma história de Alter do Chão que com certeza ela vai chegar em casa e falar pra todo mundo”. 

 

Iolane apoia a forma como a escola trabalha a contação de histórias, valoriza a cultura e fala da importância da natureza. “É importante para o aprendizado das crianças, de adolescente e dos adultos”, finaliza a mãe.

 

Lançamento da cartilha Turma da Beira no Território Indígena de Alter do Chão

Durante a programação da escola, foi lançada  a cartilha “Turma da Beira no Território Indígena de Alter do Chão”. A cartilha é resultado de um projeto de pesquisa da Universidade Federal do Pará, (UFPA). O lançamento foi a forma de integrar o material com a comunidade e escola. Trata-se do 5º volume do livreto que já foi produzido sobre outras temáticas de diferentes territórios. 

 

A professora Ana Cláudia Cardoso, Titular da Universidade Federal do Pará nos cursos graduação e pós-graduação de Arquitetura  e Urbanismo, que tem como “objeto de estudos a compreensão da organização e as relações da cidade com a natureza se materializa por meio das tramas de diálogo”,  coordenou a o projeto  de criação da cartografia  do território  Borari, de Alter do Chão, conta como ocorreu o processo. 

 

A cartilha é uma iniciativa articulada por muitas outras pessoas, desenhada em tempo de pandemia “a saída foi trabalhar com pessoas de dentro desses territórios”. Ana Cláudia fala que a pesquisa,  que de início era científica, precisou ser invertida porque a população queria saber como estava o trabalho, visto que, uma equipe foi a campo para fazer as entrevistas. Então, primeiro foi gerado “material de comunicação para a própria comunidade”. 

 

Para chegar até o resultado do material impresso, primeiro foram feitos relatórios das entrevistas, depois a equipe percebeu que não seria possível ler os relatórios, portanto, os relatórios foram transformados em vídeos e, a partir dos vídeos,  foi possível perceber que o material poderia ser transformado no livreto.  “Foi um processo longo, mais de um ano de trabalho, a gente fica muito feliz de saber que esse material está sendo compartilhado  nas escolas”.

 

O Tapajós de Fato ouviu também o educador popular da Fase Amazônia, Yuri Rodrigues, que era bolsista do projeto. Ele conta que a cartilha foi produzida “por muitas mãos, por uma equipe multidisciplinar, em que o objetivo era de tentar criar e construir registros e cartografias que fossem feitas a partir das pessoas que vivem nos territórios.

 

Assim como todos os demais envolvidos  no processo de construção, Yuri  considera importante dar o protagonismo de fala e construir as cartografias que pudessem realmente apresentar essas relações vividas, as culturas, os conflitos e as ameaças que esses territórios passam.

 

Para as ilustrações, foram utilizados alguns personagens para representar os entrevistados da pesquisa. Outro produto foi o gamer que pode ser baixado por aplicativo, bem como, animações e audiovisuais que estão disponíveis na internet, tudo pensado e produzido de forma didática, o que possibilita a distribuição na escola indígena Borari, devendo  ser um material didático permanente.

 

Foto da capa da cartilha. Foto: Divulgação.




Para além da escola, Yuri Rodrigues conta que ela pode ser utilizada pelos movimentos sociais e coletivos, para dos territórios da melhor forma possível, até como instrumento de defesa e de luta dos territórios. 

 

“O material é uma devolutiva, um retorno da universidade, que às vezes só expropria esses conhecimentos, mas não devolve para a comunidade”. A cartilha Turma da Beira  está disponível na internet  e pode ser baixada em formato de PDF.

 

Quem também possui papel importante nessa produção é a Fase Amazônia, que, além das articulações para aproximação  com os territórios, apoiou também com a impressão de mil exemplares das cartilhas, algumas distribuídas na escola Borari e também para os movimentos sociais da região e também em universidades. 

Professores da  escola Borari com a cartilha Arte de Beira. Foto: Yuri Rodrigues.

 

Link do site do projeto

https://www.contracartografias.com/

Instagram

https://instagram.com/urbanapesquisa?utm_medium=copy_link

Link da animação de Alter do Chão

https://www.instagram.com/tv/CTFUAW3DbRD/?utm_medium=copy_link

Link do vídeo sobre gentrificação em Alter do Chão

https://youtu.be/IvxzhZzkG_Y 

Link da Cartilha de Alter do Chão

https://drive.google.com/file/d/1BWLoddDQNi_sEioMw8GQ30dO2Y-8cLoX/view?usp=sharing 

 

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