Quinta, 26 de Maio de 2022
Cidades Racismo

Professora pede desligamento de faculdade particular em Itaituba após ser vítima de injúria racial

Os ataques ocorreram em grupo do WhatsApp da Faculdade de Itaituba resultam em desligamento da vítima e processo no MPPA. Entre suas falas, o diretor da instituição disse o seguinte: "os ofendidos que fossem atrás da justiça”.

22/04/2022 às 14h42 Atualizada em 22/04/2022 às 15h02
Por: Tapajós de Fato
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Foto: Reprodução/Getty Imagens
Foto: Reprodução/Getty Imagens

 

No último final de semana, no município de Itaituba, veio à tona um caso de injúria racial contra uma professora da Faculdade de Itaituba (FAI), do curso de Fisioterapia, a vítima acabou pedindo desligamento da faculdade particular após o episódio.

 

Em conversas vazadas do grupo de WhatsApp da turma, alguns comentários racistas para se referir a professora foram "(...) nossa querida fuá", "safada", "ela não lava os cabelos". Após a divulgação do conteúdo das mensagens, o diretor da faculdade concedeu entrevista a um jornal local. 

 

Entre suas falas, o diretor da instituição disse o seguinte: "os ofendidos que fossem atrás da justiça”. Após repercussão negativa da sua fala, o diretor fez um vídeo que foi divulgado nas redes sociais da Faculdade de Itaituba (FAI), onde se retratou e disse que tomaria medidas.

 

No dia 18 de abril, a FAI divulgou um comunicado nas redes sociais, no qual anuncia “a criação da Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para apuração de falta disciplinar por suposta prática de injúria racial, garantindo a ampla defesa e contraditórios aos envolvidos”, quem assina o comunicado é o diretor geral da faculdade, Abel Huyapuan de Sá Almeida, o mesmo que antes da repercussão do caso informou que “os ofendidos que procurem a justiça”.

 

A turma de fisioterapia XIV da UEPA divulgou em seu instagram uma nota de repúdio contra o episódio racista  e prestou solidariedade à professora que sofreu injúria racial na FAI. Na nota a turma criticou ainda o gestor da instituição que no primeiro momento não teve empatia com a vítima e tentou desqualificar a ofensa, e finalizam a nota afirmando que “racismo não é opinião, não é brincadeira, racismo é crime”.

 

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), já instaurou o procedimento relacionado ao crime de injúria racial e no domingo (17), entraram em contato com a professora para  ouvi-la sobre o ocorrido.

 

O Tapajós de Fato não conseguiu contato com a professora até o final da matéria, que neste momento está recolhida com familiares no interior.

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