
A obra O resgate das Taperas de Encantados, desenvolvida pela antropóloga, artista e artivista amazônida Emilly Yasmim Lopes Cardoso, foi selecionada para o Prêmio Pierre Verger, uma das mais importantes premiações da antropologia visual no Brasil, promovida pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA), no âmbito da 35ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA).
O Prêmio Pierre Verger reconhece produções em filme, fotografia e desenho que dialogam diretamente com a pesquisa antropológica, valorizando critérios como relevância científica, sensibilidade estética, originalidade e compromisso ético . As obras selecionadas passam a integrar as mostras oficiais do prêmio, com exibição durante a RBA e posterior circulação em mostras itinerantes no Brasil e no exterior.
A obra apresenta uma abordagem sensível e etnográfica sobre as chamadas “taperas” — casas abandonadas presentes nas paisagens de várzea do Oeste do Pará. A partir do olhar da autora, essas estruturas deixam de ser entendidas apenas como ruínas e passam a ser percebidas como vestígios vivos de histórias, afetos, deslocamentos e permanências, revelando dimensões profundas das dinâmicas sociais e culturais amazônicas.
Emilly Yasmim Lopes Cardoso é formada em Antropologia pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e integra o Núcleo de Pesquisa e Documentação das Expressões Afro-religiosas do Oeste do Pará e Caribe (NPDAFRO). Sua trajetória reúne atuações em comunidades ribeirinhas, produção audiovisual e projetos voltados à valorização da sociobiodiversidade amazônica.
Como artista, artivista e desenhista, desenvolve trabalhos que retratam as vivências das regiões de várzea do Oeste do Pará, articulando arte e pesquisa como formas de produção de conhecimento. Entre seus trabalhos, destacam-se a participação na I Exposição de Muralismo Artístico da Ufopa, a produção do filme Serra do Mocotó – ancestralidade, memória e empoderamento do povo Borari (2021), além de projetos contemplados por editais de fomento cultural, como o Bole-Bole Mucajá (2023). Atualmente, desenvolve os documentários Samaumeiras Sagradas e A casa que habita em mim.
A seleção reforça a relevância da produção amazônica no campo da antropologia visual, evidenciando a potência de narrativas que emergem dos territórios e das experiências locais. O trabalho se insere em um movimento contemporâneo que amplia as formas de representação na antropologia, incorporando linguagens sensíveis e comprometidas com as comunidades.
A artista destaca que sua produção nasce do banzeiro cultural do Baixo Amazonas, transformando memória, território e identidade em criação.
A coleção completa pode ser acessada online pelo link:
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